Fratura de costela

A fratura de costela pode representar problema grave de saúde, pois pode danificar vasos sanguíneos e lesar os pulmões e órgãos próximos, eventos que podem pôr a vida em risco.

Maria Helena Varella Bruna é redatora e revisora, trabalha desde o início do Site Drauzio Varella, ainda nos anos 1990. Escreve sobre doenças e sintomas, além de atualizar os conteúdos do Portal conforme as constantes novidades do universo de ciência e saúde.

close de mulher com mão na lateral do abdômen, em sinal de dor, após sofrer fratura de costela

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A fratura de costela pode representar problema grave de saúde, pois pode danificar vasos sanguíneos e lesar os pulmões e órgãos próximos, eventos que podem pôr a vida em risco.

 

O sistema esquelético humano é constituído por ossos e cartilagens, ligamentos e tendões. Unidos, eles formam uma estrutura bastante resistente que, além de garantir sustentação e forma ao corpo, oferece proteção a muitos órgãos internos e permite a locomoção e o movimento dos membros. Cabe aos ossos, ainda, participar da produção de células sanguíneas na medula óssea e da reserva de cálcio no organismo.

O tecido ósseo tem duas características fundamentais: resistência e flexibilidade.  A resistência fica por conta do carbonato e fosfato de cálcio (materiais duros como pedra) que entram em sua composição, e a flexibilidade é explicada pela presença de colágeno, proteína que lhe confere elasticidade.

Veja também: Quedas e fraturas

Não seria exagero dizer, portanto, que o osso é uma estrutura viva, resistente e em constante atividade. Prova disso é que suas células estão em permanente processo de remodelação, em que parte do tecido ósseo é reabsorvido para que novo tecido tome o seu lugar. Isso lhe permite regenerar-se quando submetido a uma pressão superior à sua capacidade de adaptação e resiliência.

O esqueleto humano é composto por mais de 200 ossos de diferentes tamanhos, formas e funções, distribuídos ao longo de todo o corpo, desde o topo da cabeça até os extremos dos membros inferiores e superiores. O maior deles é o fêmur localizado na coxa e o menor é o estribo, que se situa no interior da orelha média. Independentemente do tamanho, todos os ossos do corpo podem sofrer algum tipo de fratura.

O fato é que, quando a pessoa sofre um traumatismo grave, é muito difícil avaliar, com segurança, se houve, ou não, ruptura completa de um osso. Especialmente quando o estrago atinge as costelas, um conjunto de ossos longos e planos, com a forma de semiarcos, que junto com as cartilagens costais e o esterno (osso situado no centro do peito, responsável por oferecer apoio à clavícula e às costelas) entram na formação da caixa torácica, uma espécie de armação óssea alojada ao redor da cavidade torácica na região central do tórax, que, entre suas funções, está proteger os chamados órgãos moles, como o coração, os pulmões, os rins, o baço e o esôfago ali abrigados.

Fraturas de costelas são lesões relativamente comuns que podem afetar os ossos que compõem a caixa torácica, da qual fazem parte, além dos 12 pares de costelas, as cartilagens costais, 12 vértebras torácicas e o osso esterno. Situado no meio do peito, cabe a ele dar sustentação à clavícula e às costelas.

Em grande parte dos casos, a recomposição das costelas quebradas ocorre espontaneamente, em poucas semanas após o trauma e não exige tratamento específico a ponto de a pessoa, muitas vezes, sequer lembrar que sofreu essa espécie de transtorno.

O rompimento de uma costela, entretanto, pode representar problema grave de saúde, pois pode danificar vasos sanguíneos de vital importância para o organismo, lesar os pulmões e órgãos próximos, eventos que podem pôr a vida em risco.

 

Causas da fratura de costela

 

Entende-se por fratura da costela a ruptura parcial ou total de um osso da caixa torácica, que é prejudicado em sua continuidade, mesmo que não haja sua separação em dois ou mais fragmentos ou da cartilagem que une as costelas ao osso esterno. A fratura pode acontecer exatamente no local que sofreu a sobrecarga (traumatismo direto) ou à distância (traumatismo indireto).

Fraturas ósseas podem, ainda, estar associadas às seguintes causas:

  • agentes externos (acidentes de moto e de carro, pancadas, quedas, esmagamentos);
  • agentes internos (tumores ósseos, tosse crônica, espirros, contrações musculares e esqueléticas, osteopenia e osteoporose);
  • estresse ou fadiga decorrente da repetição de movimentos em determinada região do corpo;
  • insuficiência de cálcio e vitamina D no organismo.

 

Classificação da fratura de costela

 

Fraturas de costela podem ser classificadas atendendo a diferentes critérios. Quando se leva em conta o tipo e a intensidade do ferimento, elas podem ser:

  • simples ou fechadas (o osso não atravessa a pele);
  • expostas ou abertas (o osso fraturado se projeta através da pele);
  • completa – quando há separação das partes ósseas que se romperam totalmente;
  • cominutiva – que produz vários fragmentos irregulares (no mínimo três), condição importante no que se refere à escolha do tratamento.

 

Fatores de risco para a fratura de costela

 

Grande parte das fraturas de costela ocorre no ambiente doméstico ou nas imediações do domicílio. Existem, porém, alguns fatores de risco que favorecem a ocorrência desses episódios. Veja alguns exemplos:

  • osteoporose – doença que afeta especialmente as mulheres após a menopausa e que se caracteriza pela perda de massa óssea, o que deixa o esqueleto mais poroso e aumenta o risco de fraturas;
  • idade – pessoas mais velhas (acima dos 65/70 anos) costumam possuir estrutura óssea e muscular mais delicada, o que as torna mais vulneráveis a quedas e fraturas ósseas;
  • contusões durante a prática de atividades esportivas (futebol, basquete, judô, caratê, arremesso de peso) envolvem risco maior de trauma torácico pela força do choque ou tipo de esforço exigido;
  • perda de massa muscular e óssea;
  • tumores ósseos disseminados pelo corpo, incluindo a região das costelas.

Veja também: Entrevista sobre acidentes domésticos

 

Sintomas da fratura de costela

 

Dor aguda, intensa e imediata no local do tórax que sofreu traumatismo direto é um sinal sugestivo de fratura na costela. Importante dizer que essa dor custa a passar, piora com a palpação da área lesionada, quando a pessoa respira fundo, realiza pequenos movimentos de torção com o tronco, ou quando ri, fala, espirra ou tosse.

Nesses momentos, é fundamental não se deixar levar pelos enganos da automedicação. A recomendação é procurar assistência médica a fim de avaliar toda a região torácica para identificar possíveis complicações que agravam o quadro. Exemplos:

  • deformidade dos arcos costais provocada pelo deslocamento da área comprometida pela fratura;
  • crepitação – ruído provocado pelo atrito entre duas extremidades de fragmentos ósseos;
  • Edemas (inchaço) e hematomas no local da fratura;
  • hemorragia interna;
  • insônia, pois a dor interfere na qualidade do sono;
  • cansaço.

Nos casos de fraturas simples, sem comprometimento dos órgãos abrigados no interior da caixa torácica, a recomendação é fazer repouso, não transportar excesso de peso e valer-se dos medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios para alívio dos sintomas que interferem na qualidade de vida do paciente.

Quando simultaneamente ocorrem lesões em mais de uma costela, que podem agravar o ferimento em grandes vasos e órgãos periféricos, exames de imagem ajudam a identificar possíveis complicações causadas pelo traumatismo.

 

Diagnóstico da fratura de costela

 

O diagnóstico de fratura na costela baseia-se nos dados obtidos no levantamento clínico, no histórico do paciente, nos sinais e sintomas que apresenta e no resultado dos exames de imagem, tais como: radiografia de tórax (útil também para o diagnóstico de colapso pulmonar), tomografia computadorizada (ideal para localizar lesões em tecidos moles e vasos sanguíneos), ressonância magnética (facilita a observação das costelas), cintilografia óssea e ultrassonografia.

Veja também: 7 dicas para evitar quedas em idosos

 

Tratamento da fratura de costela

 

O tratamento da costela que sofreu fratura simples, sem comprometimento da respiração e dos órgãos moles internos, restringe-se ao uso de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios para controle do edema e da dor. Repouso e aplicação de compressas geladas na região da fratura e a elevação do membro afetado são medidas importantes para alívio dos sintomas e consolidação óssea. A recuperação completa, em geral, ocorre em seis semanas.

Bandagens de compressão ao redor do tórax deixaram de ser indicadas no tratamento de fraturas nas costelas, porque podem dificultar a expansão dos pulmões e, consequentemente, a respiração profunda, recursos importantes para afastar o risco de pneumonia.

O tratamento cirúrgico fica reservado para os casos graves em que a lesão pode afetar um órgão vital e se torna urgente soldar o osso quebrado com órteses de diferentes tipos.

Nos quadros de fratura de costelas, a fisioterapia é um recurso terapêutico bastante útil para preservar a força muscular, a amplitude das articulações e manter a prática dos exercícios respiratórios para expandir o tórax.

 

Perguntas frequentes sobre fratura de costela

 

Quais as complicações mais comuns da fratura de costela?

Na maioria dos casos, a costela  fraturada se recompõe espontaneamente, em poucas semanas, sem a necessidade de tratamento específico.

O rompimento de uma costela, entretanto, pode representar problema grave de saúde, pois pode danificar vasos sanguíneos de vital importância para o organismo, lesar os pulmões e órgãos próximos, eventos que podem pôr a vida em risco.

 

A fratura de costela requer fisioterapia?

Embora a maioria das fraturas se resolva apenas com repouso, a fisioterapia pode ajudar na recuperação do paciente, especialmente no caso de pessoas com problemas respiratórios e idosos.

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