Dor de garganta, nariz escorrendo, febre, espirros e tosse. Em casos mais graves, desconforto respiratório e baixa oxigenação sanguínea (hipoxemia). Esses são sinais típicos de possíveis infecções virais que acompanham a chegada do frio e se tornam motivos de preocupações de pais e responsáveis pelas crianças.

Temperaturas baixas e diminuição da umidade relativa do ar criam condições mais propícias à circulação e sobrevivência de vírus, que tiram proveito de ambientes pouco ventilados para infectar pessoas em grande número.

Virose” é um termo que não designa uma doença específica, e sim doenças virais genéricas que se manifestam com mais frequência nos bebês em fase de amamentação, crianças e adolescentes. Isso porque o organismo e o sistema imunológico desse grupo ainda estão em fase de desenvolvimento. Diante dessa vulnerabilidade, os milhares de vírus oportunistas provocam infecções que atingem principalmente o aparelho respiratório e o trato gastrointestinal.

Oferecer líquidos em abundância deve ser uma prática sempre estimulada em quaisquer formas de infecção, assim como os episódios de febre devem ser conduzidos com antitérmicos.

As viroses mais recorrentes são as que afetam as vias aéreas superiores (fossas nasais, laringe e faringe) e causam doenças como amidalite, otite, faringite, sinusite e resfriados. Já bronquiolite e pneumonia atingem as vias aéreas inferiores (traqueia, brônquios e pulmões). Geralmente, o tratamento busca aliviar sintomas, com uso de soro fisiológico para a limpeza nasal, medicamentos para baixar a febre, anti-inflamatórios, ingestão frequente de líquidos e, se indicado pelo médico, antibióticos, para os casos de infeções virais associadas a bacterianas.

“Oferecer líquidos em abundância deve ser uma prática sempre estimulada em quaisquer formas de infecção, assim como os episódios de febre devem ser conduzidos com antitérmicos. Entretanto, uma vez que as manifestações clínicas são extremamente variadas e eventuais complicações podem ocorrer, a avaliação precoce pelo pediatra é obrigatória para um diagnóstico correto e um tratamento adequado para cada situação descrita”, orienta o dr. Daniel Jarovsky, infectologista do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo.

Medidas de higiene simples, como lavar as mãos com água e sabão antes e após as refeições e usar álcool em gel sempre que possível podem ajudar na prevenção. Saiba como as principais doenças virais respiratórias se manifestam:

Amidalite: Amídalas são estruturas de defesa do organismo. Quando infectadas, ocorrem dor de garganta, febre e mau hálito. Com a dificuldade para engolir, é possível suspeitar da doença porque bebês podem mamar menos. Durante o período da inflamação, dê bastante líquido para hidratar as mucosas. Evite expor a criança à fumaça do cigarro, que é altamente irritante e pode piorar o quadro.

Faringite: Os sintomas são semelhantes aos da amidalite, incluindo dor de garganta, febre e aumento do volume das amídalas.

Otite: Infecção comum na infância, causa dor intensa, febre, falta de apetite, às vezes com diminuição da audição e secreções. Como a dor é forte, é frequente que bebês atingidos chorem bastante. O vírus causador muitas vezes é o mesmo da gripe, portanto não esqueça de vacinar as crianças contra a doença. Caso suspeite dessa infecção, procure assistência médica para evitar complicações mais graves.

Resfriado: Há mais de 200 vírus responsáveis pelo resfriado. Eles atingem mais as crianças, especialmente em fase pré-escolar. Coriza, tosse e espirro são os sintomas mais fáceis de identificar. Procure um médico o mais rápido possível caso o bebê ou a criança apresente dificuldades para respirar, febre acima dos 39,5° C, calafrios e suor intenso por mais de três dias. Também procure ajuda em caso de vômito, dor de ouvido, choro constante, sonolência excessiva e dores abdominais.

Sinusite: É a inflamação do tecido que recobre os seios da face, cavidades internas próximas à região do nariz. O inchaço provoca o entupimento nasal e dificulta a saída das secreções, gerando mal-estar, febre e dificuldade para respirar. Evite expor o bebê ou a criança ao ar-condicionado, que resseca as mucosas. No ambiente doméstico, faça a limpeza periódica dos aparelhos de ar-condicionado, pois eles acumulam micro-organismos. Tomar bastante água e lavar o nariz com soro fisiológico várias vezes ao dia ajudam a aliviar o desconforto.

 

Veja também: Viroses infantis

 

Viroses gastrointestinais

 

Além das respiratórias, as viroses gastrointestinais estão entre as mais comuns. Os sintomas mais frequentes são dor abdominal, náuseas, vômitos e diarreia. Elas podem ser transmitidas por meio do contato da boca ou nariz com objetos, alimentos ou líquidos contaminados com fezes que contenham os vírus ou pelo ar. O tratamento geralmente é baseado em medicamentos para aliviar dores e febre, além da reposição de água, fundamental em caso de diarreia.

Lembre-se de que a higienização das mãos é uma das principais ações para evitar infecções por vírus. Desde cedo ensine as crianças a, antes das refeições, lavar bem as mãos com água e sabão. Se você for preparar um alimento, fique atento ao estado de conservação e higienização de cada ingrediente.

 

Outras recomendações em casos de infecções virais

 

  • Como explicamos anteriormente, as infecções virais são transmitidas principalmente por meio das mãos e por gotículas e secreções respiratórias, expelidas principalmente após tosse e espirros, mas lançadas ao ar até quando simplesmente falamos. É fundamental termos em mente algumas recomendações básicas para não transmitir e nem contrair os vírus:
  • Mantenha-se em repouso em casa quando estiver doente;
  • Limpe e desinfete as superfícies de contato mais comuns, como maçanetas e mesas, seja em casa, no trabalho ou na escola;
  • Se estiver doente com manifestação de tosses e espirros, use máscaras para evitar espalhar o vírus;
  • Cubra a boca e nariz com lenço de papel ao tossir ou espirrar, ou faça-o na manga do braço, para não contaminar as mãos com o vírus;
  • Lave as mãos frequentemente com água e sabão ou utilize um produto de limpeza à base de álcool a 70%. Faça isso não somente antes das refeições, mas sempre que houver contato com alguma secreção respiratória ou superfícies tocadas por muitas pessoas, como no transporte público.