A intoxicação alimentar é um problema de saúde causado pela ingestão de água ou alimentos contaminados. Nas crianças e idosos, pode ser uma doença grave.

 

Intoxicação alimentar, ou gastrintestinal (gastroenterocolite aguda), é um problema de saúde causado pela ingestão de água ou alimentos contaminados por bactérias (Salmonella, Shigella, E.coli, Staphilococus, Clostridium), vírus (Rotavírus), ou por suas respectivas toxinas, ou ainda por fungos ou por componentes tóxicos encontrados em certos vegetais (comigo-ninguém-pode, mandioca brava) e produtos químicos. A contaminação pode ocorrer durante a manipulação, preparo, conservação e/ou armazenamento dos alimentos.
Nas crianças e idosos, a intoxicação alimentar pode ser uma doença grave.

 

Veja também: Maior parte das infecções alimentares ocorre em residências

 

Causas de intoxicação alimentar

 

Na maioria dos casos, uma infecção bacteriana é a principal causa de intoxicação alimentar. Veja quais as principais bactérias repsonsáveis por esse quadro.

 

Salmonella sp

Geralmente as intoxicações são causadas pela bactéria Salmonella sp. Este tipo de microrganismo é encontrado principalmente em alimentos de origem animal, como ovos, leite e carnes que foram contaminados ao entrar em contato com as fezes de animais infectados.

Entretanto, alimentos de origem vegetal, como frutas, legumes e verduras, podem carregar a Salmonella após uma contaminação cruzada, que ocorre quando as bactérias são transferidas de um alimento para outro por meio de utensílios ou da própria pessoa que os está manuseando.

As reações podem aparecer em um intervalo de 6 a 72 horas após o consumo do alimento contaminado.

 

Escherichia coli

Assim como a Salmonella, a Escherichia coli, ou apenas E-Coli, integra a lista das principais espécies bacterianas responsáveis por contaminar seres humanos. Presente no intestino de alguns animais, a infecção por E-Coli se dá pela ingestão de alimentos contaminados com resíduos fecais que contêm a bactéria.

As principais fontes de transmissão são as carnes de boi e de porco, água não filtrada, contato com fezes contaminadas, leite não pasteurizado ou por contaminação cruzada (geralmente por moscas que levam as bactérias de um alimento para outro).

Os sintomas aparecem entre 6 e 36 horas após a ingestão do alimento contaminado.

 

Staphilococus aureus

Os Staphilococus aureus são comumente encontrado nas fossas nasais e na pele das pessoas sem causar danos. A intoxicação alimentar provocada por essa bactéria se dá na verdade por toxinas que ela produz e que acabam contaminando alimentos no momento de seu preparo ou manuseio.

As toxinas são mais frequentemente encontradas em ovos, massa folhada, leite, peixe e carnes processadas, como presunto.

O início dos sintomas é rápido, entre 2 e 8 horas após a ingestão do alimento.

 

Clostridium botulinum

Esta bactéria é responsável pelo botulismo, um tipo grave de intoxicação alimentar que pode causar perturbações neuroparalíticas e até levar à morte. Os alimentos mais sujeitos à contaminação são os que sofrem tratamentos térmicos para conservação, como os enlatados, defumados e em conserva.

Geralmente, os sintomas iniciam-se entre 8 a 20 horas após a ingestão do alimento contaminado.

Outra causa possível, embora menos comum, de intoxicação alimentar é a infecção por um dos tipos da bactéria Clostridium que, em vez do intestino, ataca o sistema nervoso.

 

Sintomas de intoxicação alimentar

 

Muitas pessoas tentam descobrir o que as fez passar mal revendo o que ingeriram naquele dia ou no dia anterior. No entanto, ao consultar um médico por suspeita de intoxicação alimentar, é importante lembrar mais do que o cardápio de apenas um dia antes: os primeiros sintomas provocados por algumas bactérias podem aparecer só 3 dias depois da ingestão do alimento contaminado.

Independentemente do micro-organismo determinante, os efeitos da intoxicação alimentar aguda são todos parecidos: náuseas, vômitos, diarreia, febre, dor abdominal, cólicas, mal-estar. Nos quadros mais graves, podem ocorrer desidratação, perda de peso e queda da pressão arterial.

Nos casos específicos de alimentos contaminados pelo Clostridium, quando a intoxicação é causada por uma das variedades da bactéria responsável pela doença chamada botulismo, além dos distúrbios gastrintestinais que nem sempre aparecem, os sintomas podem ser indicativos de alterações neurológicas, como visão dupla e dificuldade para focalizar objetos, falar e engolir.

 

Diagnóstico de intoxicação alimentar

 

Normalmente, o diagnóstico é clínico e leva em conta os sintomas da doença. É sempre importante verificar a existência de pessoas próximas com os mesmos sinais da infecção e identificar o tipo de micro-organismo presente no alimento suspeito de contaminação.

Os exames mais comuns para confirmar a suspeita de intoxicação alimentar são o hemograma e os exames microscópicos de fezes, que permitem visualizar anormalidades nos dejetos do paciente. Entre eles, há o exame a fresco de fezes, para detectar a presença de leucócitos que indicam inflamação (infecciosa ou não) decorrente do combate do organismo aos microrganismos. Há também o exame de cultura de fezes, realizado para verificar se existem bactérias enteropatogênicas nos resíduos fecais, e o exame protoparasitológico de fezes, que visa identificar a presença de protozoários.

O maior risco para o paciente com intoxicação alimentar é a desidratação decorrente de forte diarreia. Por isso, é importante ingerir líquidos, especialmente água e sucos. Atenção: não se deve tomar leite, pois nos quadros de intoxicação o organismo pode ficar carente de enzimas que digerem a lactose.

No caso de a diarreia persistir por mais de 7 dias ou se houver desidratação aguda, é necessário realizar exame de função renal. Por meio de uma amostra de sangue, é feita a avaliação do funcionamento dos rins, para verificar os níveis de sódio, potássio, ureia e creatinina, que acabam alterados quando há perda intensa de água.

 

Prevenção da intoxicação alimentar

 

A prevenção das intoxicações alimentares está diretamente associada ao saneamento básico, aos cuidados no preparo dos alimentos e a medidas básicas de higiene, como lavar as mãos antes das refeições e depois de usar o banheiro.

A grande dificuldade da prevenção é o fato de os alimentos contaminados não apresentarem sinais da presença do micro-organismo. Ao contrário, em geral, sua aparência, gosto e cheiro costumam ser absolutamente normais.

 

Tratamento da intoxicação alimentar

 

Paciente com intoxicação alimentar deve fazer repouso e ingerir muito líquido. Nos casos de perda maior de líquidos e risco de desidratação, devem ser indicados medicamentos para controlar as náuseas e os vômitos, assim como administrar a reposição de líquidos e sais por via endovenosa.

O tratamento das infecções alimentares bacterianas inclui o uso de antibióticos específicos.

 

Recomendações para evitar intoxicação alimentar

 

Como os alimentos contaminados por certos parasitas são os grandes responsáveis das intoxicações alimentares, é indispensável estar atento na hora da compra, transporte, armazenamento e preparo das refeições. Portanto:

  • Lave bem as mãos antes das refeições ou de lidar com alimentos;
  • Embale adequadamente os alimentos antes de colocá-los na geladeira ou no freeser;
  • Lave os utensílios de cozinha, especialmente depois de ter lidado com alimentos crus;
  • Evite comer carne crua e mal passada qualquer que seja sua procedência; especialmente a carne e os miúdos de frango, assim como os ovos devem ser bem cozidos porque são os transmissores mais comuns da bactéria Salmonella;
  • Não se esqueça de que ovos crus são ingredientes de pratos como a maionese e certos doces;
  • Só tome leite fervido ou pasteurizado;
  • Mergulhe verduras e hortaliças que serão ingeridas cruas numa solução de água com hipoclorito de sódio ou preparada com uma colher de água sanitária para cada litro de água;
  • Não ingira alimentos em conserva cujas embalagens estejam estufadas ou amassadas;
  • Mesmo que estejam dentro do prazo de validade, não consuma alimentos que pareçam deteriorados, com aroma, cor ou sabor. alterados.