Doenças e sintomas

Diarreia

Suporte de papel higiênico preso a uma parede branca com um rolo vazio.

Quadros de diarreia podem ocorrer em algum momento da vida, mas é importante identificar quando é necessário intervenção médica, principalmente quando se trata de crianças e idosos, que podem desidratar muito depressa.

 

As principais características da diarreia são o aumento do número de evacuações e a perda de consistência das fezes, que se tornam aguadas. Uma das complicações mais perigosas é a desidratação. Adultos são mais resistentes, mas bebês, crianças e idosos desidratam-se com facilidade, até em menos de 1 dia.

Boca seca, lábios rachados, letargia, confusão mental e diminuição da quantidade de urina são sintomas de desidratação que, além de diminuir as reservas de água do corpo humano — constituído por cerca de 75% de água –, reduzem os níveis de dois importantes minerais: sódio e potássio.

 

Veja também: Listas de alimentos que devem ser consumidos e evitados em casos de diarreia

 

Causas de diarreia

 

Embora estejamos acostumados a relacionar diarreia à intoxicação alimentar (logo pensamos no que comemos antes do episódio, tentando identificar alguma comida diferente do habitual), há muitas causas possíveis:

  • Toxinas bacterianas como a do estafilococus;
  • Infecções por bactérias como a Salmonella e a Shighella;
  • Infecções virais;
  • Disfunção da motilidade do tubo digestivo;
  • Parasitas intestinais causadores de amebíase e giardíase;
  • Efeitos colaterais de algumas drogas, por exemplo, antibióticos, altas doses de vitamina C e alguns medicamentos para o coração e câncer;
  • Uso de antibióticos;
  • Abuso de laxantes;
  • Intolerância a derivados do leite pela dificuldade de digerir lactose (açúcar do leite);
  • Intolerância ao sorbitol, adoçante obtido a partir da glicose.

 

Tipos de diarreia

 

  • Diarreia comum: Caracteriza-se normalmente por provocar apenas fezes soltas e aguadas e durar no máximo 2 semanas. Ocorre mais em crianças. Pode estar associada a uma combinação de estresse, remédios e alimentos. Por exemplo, excesso de gorduras, de cafeína, mudança do tipo de água ingerida ou mesmo ansiedade diante de acontecimentos importantes podem provocar esse tipo de diarreia;
  • Diarreia infecciosa: Comum em crianças, provoca além dos sintomas da diarreia comum, febre, perda de energia e de apetite. É causada por vírus e bactérias. Se não for convenientemente tratada, pode demorar até 1 semana para os sintomas desaparecerem;
  • Diarreia crônica: Dura mais de 2 semanas seguidas, mesmo que os casos de evacuações típicas de diarreia sejam pontuais durante esse período. Nesses casos, é necessário investigar a causa. As mais frequentes são intolerâncias alimentares (como à lactose ou ao glúten) e a síndrome do intestino irritável.
  • Amebíase: Pode ocasionar desde leve dor de estômago e flatulência até febre, prisão de ventre, debilidade física e fezes aguadas com manchas de sangue. É causada por um protozoário que invade o sistema gastrintestinal transportado por água ou comida contaminada. Infecção típica dos trópicos, manifesta-se também nos habitantes de regiões de clima temperado;
  • Giardíase: Causada pela giárdia, um protozoário, seus sintomas variam da simples dor estomacal à diarreia persistente ou à presença de fezes pastosas. Outros sintomas também podem aparecer: desconforto abdominal, eructação (arroto), dor de cabeça e fadiga. A giárdia espalha-se no aparelho digestivo através da ingestão de água e alimentos contaminados. Também pode ser transmitida por relações sexuais ou por excrementos;
  • Intolerância à lactose: Algumas pessoas não conseguem digerir a lactose, açúcar encontrado no leite e seus derivados, porque não produzem uma enzima chamada lactase. Entre seus sintomas, destacam-se tanto diarreia quanto prisão de ventre, desarranjos estomacais e gases.

 

O que consumir e o que evitar se estiver com diarreia

 

  • Não deixe de comer. Em geral, pessoas com diarreia associam comida à disfunção gastrintestinal e suspendem toda a alimentação. Tal medida, além de agravar o quadro de desidratação, suspende o fornecimento dos nutrientes necessários para o organismo reagir. Prefira ingerir arroz, caldos de carne magra, bananas, maçãs e torradas. Esses alimentos dão mais consistência às fezes e a banana, especialmente, é rica em potássio;
  • Suspenda a ingestão de alimentos com resíduos: saladas, bagaço de frutas, sementes e outros que contenham fibras;
  • Beba muito líquido, de 2 a 3 litros por dia. Como a água não repõe a perda de sódio e potássio, procure suprir essa necessidade com soro caseiro ou outros líquidos que contenham tais substâncias. Chás de camomila, erva-doce e hortelã, por exemplo, podem ajudar;
  • Pessoas com pressão alta, diabetes, glaucoma, doenças cardíacas ou com histórico de derrames devem consultar o médico antes de ingerir bebidas que contenha sódio porque correm o risco de elevar a pressão;
  • Evite café, leite e sucos de frutas;
  • Evite consumir álcool, que é um desidratante poderoso;
  • Evite alimentos muito temperados ou com alto teor de gordura (frituras, alguns cortes de carne, embutidos etc.) até que as fezes voltem ao normal;
  • Não faça uso de adoçantes à base de sorbitol;
  • Evite consumir leite e derivados, principalmente se tiver intolerância à lactose. Lembre-se, porém, de suprir a necessidade de cálcio ingerindo alimentos como salmão, tofu etc.

 

Quando procurar ajuda médica

 

Diarreia pode ser sintoma inicial de várias doenças graves: úlcera gastrointestinal, alguns tipos de câncer, aids e de patologias que acarretam a má absorção dos nutrientes. Não se descuide e procure assistência médica imediatamente:

  • Se os sintomas não passarem em 1 ou 2 dias. Crianças e idosos desidratam muito depressa. É preciso estar alerta;
  • Em caso de crianças, se elas tiverem mais de 3 ou 4 episódios de diarreia e estiverem bebendo pouco líquido. Caso estejam bebendo líquidos e urinando normalmente, procurar um médico se a criança estiver com diarreia por 2 dias ou se tiver mais que 6 a 8 episódios em um único dia;
  • Se houver sinais de desidratação, como apatia, boca seca e choro sem lágrimas;
  • Se houver presença de sangue nas fezes que adquirem coloração preta ou avermelhada;
  • Se as fezes adquiriram aspecto volumoso e com traços evidentes de gordura indicativos de má absorção;
  • Se os episódios de diarreia forem repetidos e, principalmente, se eles se alternarem com crises de prisão de ventre (sintomas sugestivos de tumores intestinais).

 

Recomendações para evitar a diarreia

 

  • Não se esqueça de lavar bem as mãos várias vezes por dia e, especialmente, antes das refeições;
  • Não deixe de ferver a água de rios, lagos, riachos ou mesmo a de torneiras nos locais em que não seja tratada, se tiver necessidade de bebê-la;
  • Não beba refrigerantes ou outra bebida qualquer no próprio vasilhame. Use um copo limpo;
  • Faça gelo com água tratada ou fervida.

 

Perguntas frequentes sobre diarreia

 

Como saber se a diarreia é sintoma de uma infecção?

Geralmente, diarreias decorrentes de infecções começam repentinamente. Outros sinais incluem febre, náuseas e vômito.

 

Diarreia é o mesmo que disenteria?

Não. A disenteria é um quadro clínico caracterizado por inflamação do intestino, o que causa dor abdominal e diarreia com sangue, muco ou pus. A inflamação pode ter várias causas, geralmente infecções por bactérias e vírus ou verminoses. Uma das causas mais comuns é a ingestão de alimentos ou água contaminados pela bactéria Shigella. Embora o tratamento geralmente seja simples, é necessário procurar ajuda médica imediatamente, pois há risco de desidratação.

 

Como identificar diarreia em crianças?

Bebês que ainda não ingerem alimentos sólidos podem ter fezes mais líquidas, mas ainda assim, em geral elas não são totalmente líquidas. Nesses casos, fique atento ao número de evacuações e em mudanças na consistência. Também procure assistência se houver fezes aquosas por mais de 24 horas. Lembre-se que bebês e crianças desidratam muito rapidamente, possivelmente em menos de 1 dia, daí a importância de estar sempre atento.

 

Como preparar o soro caseiro?

O soro é extremamente importante porque repõe não só a água, mas eletrólitos essenciais para o organismo. Use 1 litro de água mineral, filtrada ou fervida. Misture uma colher pequena (café) de sal e uma grande (sopa) de açúcar. Se usar água fervida, espere esfriar para fazer a mistura. Tome em colheradas ao longo de todo o dia.

Sobre o autor: Maria Helena Varella Bruna

Maria Helena Varella Bruna é redatora e revisora, trabalha desde o início do Site Drauzio Varella, ainda nos anos 1990. Escreve sobre doenças e sintomas, além de atualizar os conteúdos do Portal conforme as constantes novidades do universo de ciência e saúde.

Leia mais