Condiloma acuminado é uma infecção sexualmente transmissível causada pelo HPV 

 

O condiloma acuminado é uma infecção sexualmente transmissível causada pelo HPV (papilomavírus humano da família Papilloma viridae), que infecta pele e mucosas dos seres humanos e provoca o aparecimento de verrugas (únicas ou múltiplas) nos órgãos genitais, ânus e região oral.  De tamanho, número e forma variados, essas lesões tendem a agrupar-se e acabam formando um bloco grande com aspecto semelhante ao de uma couve-flor. Daí os nomes populares crista de galo, cavalo de crista, figueira, verrugas venéreas e verrugas genitais, pelos quais também é conhecido o condiloma acuminado, a mais comum das ISTs que acomete os humanos.

Existem mais de 200 tipos diferentes de HPV; 40% deles infectam o trato genital de homens e mulheres. Estudos já mostraram que mais da metade das pessoas sexualmente ativas, em algum momento da vida, entrou em contato com esse vírus. Os tipos variam muito. Alguns infectam primariamente a pele; outros têm preferência pelas mucosas da região genital e há aqueles associados ao desenvolvimento de tumores malignos no colo do útero, vagina, pênis e ânus. Os subtipos 6 e 11, considerados de baixo risco, costumam ser identificados em 90% dos diagnósticos de verrugas genitais.

Não é incomum encontrar pessoas infectadas por diferentes tipos de HPV ao mesmo tempo. Na maior parte dos casos, o sistema imune se encarrega de eliminar o vírus e, muitas vezes, as pessoas nem sequer ficam sabendo que já entraram em contato com o HPV. Em geral, as manifestações clínicas (lesões aparentes) ou subclínicas (microscópicas só percebidas por meio de exames laboratoriais ou de imagem) ocorrem quando os mecanismos de defesa do organismo estão enfraquecidos.

As verrugas genitais são quase sempre benignas. Mesmo assim, ninguém está livre de ser infectado por certos tipos de HPV de alto risco para o câncer do colo uterino, pênis e ânus, especialmente durante as relações sexuais desprotegidas. Por isso, especialmente para quem tem vida sexualmente ativa, a recomendação é “use camisinha sempre”. Embora no caso específico do HPV ela não garanta 100% de eficácia, aumenta consideravelmente as chances de prevenção da doença.

 

Causas

 

Como já dissemos, o condiloma acuminado é uma lesão de pele em forma de verrugas causada por vários subtipos diferentes do vírus HPV. Importante destacar que essa lesão difere da que ocorre no condiloma plano (manchas vermelhas ou rosadas na pele da boca, sola dos pés e palmas das mãos), comum na fase secundária da sífilis, doença infectocontagiosa transmitida pela bactéria Treponema pallidum, que requer tratamento com antibióticos específicos.

 

Período de incubação

 

O período de incubação varia bastante. O HPV pode ficar em estado latente dentro de uma célula por semanas, meses e anos como se estivesse adormecido, sem que haja qualquer sinal ou sintoma da doença. Em média, as verrugas genitais começam a surgir somente de 2 a 8 meses depois do contato com o vírus.

 

Transmissão

 

A principal forma de transmissão do HPV ocorre durante a relação sexual desprotegida, seja por via vaginal, anal ou oral, com ou sem penetração, especialmente se as verrugas forem visíveis. Mulheres infectadas pelo HPV podem transmitir o vírus para o feto durante a gestação e no momento do parto.

A infecção pode, ainda, ser transmitida através da pele íntegra em contato com a pele de parceiro/a infectado/a e, embora com menos frequência, pelo uso compartilhado de roupas íntimas, toalhas, do vaso sanitário e de banheiras. Portanto, mesmo sem apresentar sinais da infecção pelo HPV, a pessoa pode transmitir o agente viral do condiloma acuminado.

 

Sintomas

 

Na maioria dos casos, a infecção pelo HPV é assintomática e regride espontaneamente. Quando se manifesta, o faz sob a forma de verrugas úmidas e macias. De tamanhos variados, elas possuem uma pequena crista e se alojam especialmente na glande (cabeça do pênis) e na vulva, vagina e colo do útero das mulheres. Nos dois gêneros, a região anal, boca, garganta, pés e mãos são outras partes do corpo que podem ser afetadas pelo condiloma acuminado. É raro eles surgirem em outro  local.

Essas lesões não doem, mas podem espalhar-se rapidamente e virem acompanhadas de sangramento, ardência e muita coceira. Em geral, é a própria pessoa quem primeiro percebe a presença dos condilomas no corpo.

 

Fatores de risco

 

São considerados fatores de risco associados ao condiloma acuminado:

  • Idade: pessoas sexualmente ativas entre 15 e 30 anos, com múltiplos parceiros e que habitualmente não fazem uso do preservativo;
  • Sistema imunológico deprimido: gestantes, portadores de HIV/Aids, transplantados, pacientes recebendo químio ou radioterapia, por exemplo, são mais vulneráveis à infecção pelo HPV e ao aparecimento das verrugas genitais;
  • Tabagismo.

 

Diagnóstico

 

O diagnóstico do condiloma acuminado leva em conta os fatores de risco para a doença, o histórico do paciente e o aspecto e localização das lesões clínicas, se existirem. Alguns exames laboratoriais – exames de sangue, peniscopia, colposcopia, captura híbrida, colonoscopia e biópsia– são importantes para esclarecer a presença e as características das lesões subclínicas.

Do mesmo modo, estabelecer o diagnóstico diferencial entre o condiloma acuminado, o condiloma plano da sífilis e alguns tipos de carcinomas, é requisito básico para conduzir o tratamento adequado dessas enfermidades. Nunca será demais repetir ainda que, quanto mais precoce for o diagnóstico, melhor será a resposta ao tratamento e menor a probabilidade de desenvolver complicações graves.

 

Tratamento

 

A verruga genital pode regredir espontaneamente, já que, em grande parte dos casos, o sistema imunológico é capaz de destruir o HPV responsável pelo aparecimento da lesão. No entanto, há situações em que as características do condiloma exigem cuidados médicos. O objetivo sempre é remover o tecido doente e impedir a transmissão do vírus para outras pessoas. Todavia, é importante lembrar que curar as lesões do HPV não significa que o vírus tenha sido definitivamente eliminado do organismo. Em condições especiais, a diminuição da resistência do organismo pode facilitar a multiplicação do vírus que permanecia em estado latente e as lesões clínicas e subclínicas reaparecem.

As opções do tratamento, que variam de acordo com as necessidades de cada paciente, incluem:

  • uso tópico ou sistêmico de medicamentos para fortalecer o sistema imune, conter o crescimento das verrugas e a proliferação do vírus HPV (antivirais);
  • procedimentos cirúrgicos, como a crioterapia utilizando nitrogênio líquido, a cauterização e a aplicação de laser.

 

Prevenção

 

Não existe um método absolutamente seguro contra a infecção pelo HPV. Nem mesmo o preservativo, que deve ser usado em todas a relações sexuais, garante proteção absoluta. Sabe por quê?  Porque o HPV também pode estar alojado na pele de regiões do corpo que não são protegidas pela camisinha, masculina ou feminina, como o ânus e a região genital Isso está longe de dizer que seu uso é desnecessário. Ao contrário, o preservativo deve ser sempre utilizado, porque diminui o risco de contágio não só do papilomavírus humano, mas de muitas outras ISTs.

Embora o exame de Papanicolaou não esteja correlacionado com a prevenção do condiloma acuminado, ele costuma ser rotineiramente solicitado, porque detecta alterações celulares microscópicas sugestivas de tumores no colo do útero, principal complicação causada pelo HPV. Por isso, mulheres sexualmente ativas, mesmo sem sintomas, devem repetir esse exame com regularidade.

 

Vacinas

 

Atualmente, as vacinas representam a medida mais eficaz para a prevenção contra a infecção pelos tipos mais frequentes do grupo HPV. A bivalente imuniza contra os tipos 16 e 18; a quadrivalente, contra os tipos 6, 11, 16 e 18. São necessárias duas doses da vacina, em intervalos pré-determinados para proteger contra a infecção pelo HPV.

 

Veja também: Vacina contra o HPV: eficácia e segurança

 

A vacina quadrivalente é distribuída gratuitamente pelo SUS para meninas de 9 a 14 anos, para meninos de 11 a 14 anos, para pessoas de 9 a 26 anos com HIV/Aids e para pacientes oncológicos ou transplantados (este último grupo precisa de prescrição médica para vacinar-se e teve tomar três doses da vacina).