Desequilíbrio na composição dos micro-organismos que habitam nosso intestino pode levar à disbiose, condição que pode predispor a quadros inflamatórios. Manter uma flora intestinal saudável é fundamental.

 

Em geral, fungos e bactérias são vistos como inimigos. Quando se trata dos nossos intestinos a história é outra. Neles habitam uma verdadeira população de micro-organismos, constituída principalmente de bactérias, que formam a chamada microbiota intestinal. São trilhões de seres que compõem um conjunto em simbiose com nosso organismo. Nós lhes fornecemos abrigo e alimento, e em troca nos beneficiamos da manutenção da integridade da mucosa intestinal, melhor absorção de nutrientes e controle da proliferação de bactérias que poderiam causar doenças.

A composição da nossa microbiota começa desde muito cedo e sofre influência de vários fatores ao longo de toda a vida. Logo após o nascimento, ao passar pelo canal do parto, o bebê se infecta com as bactérias presentes na vagina e no aparelho urinário da mãe. Nos partos cesarianos, a microbiota é adquirida principalmente pelo contato com as bactérias da pele materna e das pessoas que convivem com ela. Alguns estudos indicam que a colonização pode começar até mesmo antes do parto, ainda no útero.

Durante os primeiros anos de vida, a diversidade de bactérias se modifica bastante. Elas também passam via amamentação, uma importante fonte para formação de uma flora saudável, e conforme a alimentação do bebê começa a incluir alimentos sólidos, a microbiota vai se alterando. A partir daí, uma série de fatores irá influenciar a sua composição. O uso de antibióticos e mudanças na dieta, por exemplo, podem interferir diretamente na configuração da população intestinal.

Por volta dos dois ou três anos, a microbiota da criança é semelhante à do adulto e se torna mais estável, mas ainda assim está sujeita a alterações. Diferentes pessoas com quem mantemos contato, fumo, depressão e até mudanças na localização geográfica podem modificar a flora, de modo que a microbiota de cada pessoa tem características únicas que as distingue dos demais seres humanos tanto quanto a aparência física.

Os hábitos alimentares constituem um dos fatores mais diretamente ligados à microbiota. Assim, é fundamental estar atento ao que comemos. Indivíduos que consomem quantidade elevada de alimentos processados têm maior predisposição para a disbiose, uma alteração na quantidade de microrganismos e na composição da flora intestinal. Com esse desequilíbrio, as funções antes conduzidas harmonicamente passam a ser comandadas por reações desreguladas que podem estar ligadas a quadros inflamatórios, como colite ulcerativa e até doença de Crohn.

O segredo para combater a disbiose é o que sempre lembramos: mantenha uma dieta saudável, que priorize verduras, legumes, frutas, alimentos integrais e gorduras saudáveis, com ingestão mínima de alimentos processados, como salgadinhos e biscoitos recheados.