Bruxismo: por que você precisa aprender a desencostar os dentes?

Quadros de bruxismo aumentaram durante a pandemia. Se não controlado, o transtorno pode causar dores e desgaste dos dentes.

Juliana Conte

Juliana Conte é jornalista, repórter do Portal Drauzio Varella desde 2012. Interessa-se por questões relacionadas a manejo de dores, atividade física e alimentação saudável.

Quadros de bruxismo, isto é, o ranger involuntário dos dentes, aumentam na pandemia. Se não controlado, o transtorno pode causar dores e desgaste dos dentes.

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Publicado em: 12 de novembro de 2021

Revisado em: 12 de novembro de 2021

Quadros de bruxismo aumentaram durante a pandemia. Se não controlado, o transtorno pode causar dores e desgaste dos dentes.

 

Aos poucos, os reflexos da pandemia do novo coronavírus começam a dar as caras. Nos últimos meses, os casos de bruxismo aumentaram entre os brasileiros e ligaram o sinal de alerta nos consultórios dos dentistas.

O bruxismo nada mais é que o ato involuntário de ranger ou apertar os dentes, seja durante o dia ou durante a noite, na hora do sono. Aproximadamente 40% da população brasileira tem esse transtorno. Como consequência desse ato parafuncional, ou seja, que não tem serventia mas que acarreta sérios prejuízos, o indivíduo pode acorda com dor no maxilar, ter dores de cabeça recorrente, além do desgaste dos dentes. 

“Às vezes o paciente fala que não tem o costume de apertar os dentes, mas a verdade é que ele nunca se deu conta. Quando a gente vai examinar, percebe a língua com marcas de dentes e a bochecha também marcada por uma linha esbranquiçada e elevada na parte interna da boca.”, explica o dentista João Paulo Tanganelli, membro da Câmara Técnica de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP). 

Estresse e ansiedade estão por trás desse ato involuntário, além de questões genéticas e má oclusão (desalinhamento dos dentes). Entretanto, o bruxismo também pode ser causa secundária de outras condições, como Parkinson, distonia, paralisia cerebral e até uso de medicações antidepressivas. Por isso a importância da investigação com um dentista especializado. 

“Por conta da pandemia, nós tivemos um agravamento dos transtornos mentais, como ansiedade e depressão. Portanto, mais pessoas foram diagnosticadas e medicadas. Acontece que o uso de antidepressivos inibidores seletivos da recaptação da serotonina, como a fluoxetina, sertralina e paroxetina tem como efeito colateral o bruxismo também. Nesses casos, é importante conversar com o médico prescritor”, alerta Tanganelli.

 

Pare de ranger os dentes

Ranger os dentes é uma resposta ao estresse e à ansiedade, mas como acrescenta o dr. João Paulo, essa atividade, para nós, seres humanos, não tem serventia nenhuma. “No mundo animal, quando um bicho está acuado, o que ele faz? Mostra os dentes. Não deixa de ser uma herança biológica que se reflete nos dias atuais. Temos mil prazos para cumprir, zero tempo livre e somos estimulados a todo instante, inclusive as crianças. Por isso estamos constantemente tensos e dá para perceber pelos dentes.” 

Agora que você está lendo este texto, possivelmente olhando para uma tela de computador ou celular, faça um teste rápido: seu maxilar está solto e seus dentes estão entreabertos ou pressionados? Se estiverem pressionados, é bom começar a prestar atenção para que isso não se torne recorrente e cause problemas na ATM, que são os músculos da mastigação. Atualmente, há aplicativos, como o “Desencoste seu Dente” que emite alertas recorrentes para que os dentes fiquem afastados. 

Não há cura para o bruxismo, o que o dentista vai fazer é atenuar os sintomas e brecar a progressão do desgaste dentário através do uso de placas estabilizadoras de acrílico e prescrever sessões de fisioterapia. Como os quadros emocionais provocam uma contração excessiva dos músculos da face, como recomendação de tratamento, também é importante procurar um psicoterapeuta.

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