Gengiva escura: quando ela é considerada normal?

A gengiva escura não é necessariamente sinônimo de má higienização ou de algum tipo de doença ou lesão. Na verdade, ela pode ser apenas resultado de uma concentração maior de melanina.

Beatriz Zolin

Beatriz Zolin é estudante de Jornalismo e estagiária no Portal Drauzio Varella. Tem interesse por assuntos relacionados à saúde e sociedade, sexualidade e psicologia.

A gengiva escura não é necessariamente sinônimo de má higienização ou de algum tipo de doença ou lesão. Na verdade, ela pode ser apenas resultado de uma concentração maior de melanina.

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Publicado em: 27 de maio de 2022

Revisado em: 27 de maio de 2022

A gengiva escura não é necessariamente sinônimo de má higienização ou de algum tipo de doença ou lesão. Na verdade, ela pode ser apenas resultado de uma concentração maior de melanina.

 

A melanina é uma proteína natural do organismo, produzida em maior quantidade nas pessoas negras. É ela quem dá cor à pele e ao cabelo, além de proteger contra a radiação ultravioleta. Formada por células especializadas chamadas melanócitos, ela está presente em diferentes níveis e em várias partes do corpo, incluindo a boca.

“Considerando que a pigmentação que dá cor à gengiva tem origem na ação dos melanócitos, é comum que as pessoas negras tenham a gengiva mais escurecida”, explica Alana Oliveira, cirurgiã-dentista pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Apesar de ser um processo fisiológico completamente espontâneo, essas manchas podem ser motivo de incômodo, principalmente por conta das pressões estéticas colocadas sobre a população negra.

 

Origem

A pigmentação mais escura da gengiva acontece em várias etnias, sendo facilmente encontrada em pessoas hispânicas ou do Leste da Ásia, por exemplo. No entanto, ela é mais frequente entre os negros, em especial aqueles que vivem no continente africano.

“As pessoas de pele clara possuem a mesma quantidade de melanócitos, mas, no caso delas, as células são menos ativas. Como consequência, a gengiva não apresenta a mesma pigmentação”, detalha a dentista.

Clinicamente falando, a gengiva escura não é um problema. Ela é apenas uma característica hereditária que não representa nenhum risco ao paciente. “É algo exclusivo e belo”, pontua Alana.

 

Gengiva escura por melanina: como identificar?

A concentração maior de melanina no tecido gengival provoca características bem definidas. São manchas com coloração mais enegrecida ou amarronzada, simétricas e persistentes por toda a região. As bordas costumam ser irregulares, mas com limites bem definidos.

Elas não surgem acompanhadas de dor ou qualquer outro tipo de queixa. “Não aumentam de tamanho e também não alteram o estado que se espera da gengiva, que é o aspecto de casca de laranja”, destaca Alana. 

Por ser uma característica natural, a biópsia só é indicada se as manchas saírem desse padrão, a fim de descartar ou confirmar outras possíveis lesões.

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Técnicas de clareamento

Ainda assim, segundo a especialista, tudo que difere do padrão estético comum a pessoas brancas costuma ser considerado “anormal” em nossa sociedade. Como consequência, muitas pessoas negras se sentem envergonhadas pela aparência escura da gengiva.

“A partir do momento em que o paciente entende que é uma característica fisiológica e não patológica e, ainda assim, queira fazer alguma mudança, é uma decisão que cabe somente a ele”, afirma Alana.

Se estiver descontente com o aspecto estético da gengiva, o paciente pode recorrer ao clareamento, também chamado de peeling ou melanoplastia. No entanto, a dentista ressalta a importância de entender a raiz desse incômodo e amadurecer a ideia antes de tomar a decisão.

A técnica consiste em aplicação de uma anestesia local e raspagem da camada pigmentada. No pós-operatório, é preciso esperar a gengiva cicatrizar naturalmente, tomando alguns cuidados em relação à higiene e à alimentação. 

 

Outras causas de gengiva escura

Diferentemente do depósito de melanina, existem outras condições que causam manchas enegrecidas na gengiva e devem ser investigadas. São elas:

  • Mácula melanótica: A lesão geralmente aparece de forma solitária na boca, apresentando formato oval ou arredondado com coloração amarronzada. Não costuma provocar complicações, mas pode se parecer com as fases iniciais de um melanoma, daí a importância de realizar a biópsia.
  • Melanoma: O tumor, por sua vez, ocorre quando os melanócitos se tornam cancerígenos. Muitas vezes, está associado ao tabagismo e ao consumo exagerado de álcool. 
  • Tabagismo: O próprio hábito de fumar também pode provocar manchas enegrecidas ou acastanhadas na parte de dentro das bochechas e dos lábios. Em geral, ao largar o cigarro, elas somem um tempo depois. 
  • Tatuagem de amálgama: Há ainda a possibilidade de um objeto estranho ter ficado alojado sob o tecido da gengiva, como no caso de uma restauração de amálgama feita anteriormente. A chamada “tatuagem de amálgama” surge como um ponto preto ou azul-escuro na boca.
  • Síndrome de Peutz-Jeghers: Esse distúrbio gastrointestinal é marcado pela formação de tumores benignos no aparelho digestivo, além do manchamento dos lábios e da mucosa da boca.
  • Doença de Addison: Doença rara, é caracterizada por uma desregulação no sistema endócrino, provocando fadiga, náuseas e escurecimento da pele, incluindo a gengiva.
  • Hemangioma: Surge quando há uma malformação dos vasos sanguíneos nos tecidos do corpo, podendo também afetar a gengiva.

 

Conteúdo desenvolvido em parceria com a Afrosaúde https://afrosaude.com.br/

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