O que pode afetar o leite materno?

Saiba quais alimentos e substâncias devem ser evitadas pela mãe no período da amamentação

Isabelle Manzini

Isabelle Manzini é jornalista e analista de redes sociais. Interessa-se por assuntos relacionados à saúde mental, saúde da população negra e saúde LGBTQIA+.

Saiba quais alimentos e substâncias devem ser evitadas pela mãe no período da amamentação

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Publicado em: 7 de julho de 2022

Revisado em: 7 de julho de 2022

Saiba quais alimentos e substâncias devem ser evitadas pela mãe no período da amamentação

 

O leite materno é o primeiro alimento do bebê e é essencial para o seu desenvolvimento. O líquido é produzido logo após o nascimento da criança, quando a hipófise, uma glândula no cérebro da mãe, “ativa” a produção de leite ao liberar o hormônio prolactina no organismo. Ele é composto por cerca de 200 elementos, como água, proteínas, carboidratos, lipídios, vitaminas, minerais, anticorpos e hormônios.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam que os bebês sejam amamentados exclusivamente com o leite materno até os seis meses de idade. Depois desse período, o bebê deve começar a receber alimentação complementar juntamente com o aleitamento materno, que deve ser mantido até os 2 anos ou mais.

Entre os benefícios do aleitamento estão a redução de casos de alergias e problemas respiratórios, do risco de desenvolver cânceres infantis (como leucemias e linfomas) e diabetes tipo 1 e 2, e menos problemas de fala e ortodontia. Além disso, o leite materno melhora a maturação cerebral e a imunidade a infecções. 

Porém, alguns hábitos da mãe também podem interferir no leite. Por isso, é importante saber quais alimentos e substâncias devem ser consumidos ou evitados. Veja o que diz Fátima Iyetunde Oladejo, ginecologista e obstetra. 

 

Devem ser evitados:

  • Cafeína – podem ser consumidos até no máximo 300 mg por dia (equivalentes a cerca de 3 xícaras de café);
  • Álcool – não há doses mínimas seguras, portanto não deve ser consumido durante a gravidez;
  • Peixes grandes de água salgada (ex: peixe-espada, cação) – por causa da taxa de mercúrio encontrada neles.

 

Devem ser incentivados:

  • Frutas e vegetais – frescos, congelados, enlatados, secos ou espremidos; evite qualquer coisa com adição de sal ou açúcar;
  • Alimentos ricos em carboidratos são uma importante fonte de energia, certas vitaminas e fibras. Isso inclui pão, batatas, cereais matinais, arroz e massas;
  • Sempre que possível, opte por farinhas integrais, em vez de refinadas (brancas);
  • Proteínas – carne, peixes, aves, ovos, feijão, leguminosas e nozes. Procure comer 2 porções de peixe por semana;
  • Laticínios – leite, queijo e iogurte contêm cálcio e outros nutrientes essenciais. Quando possível, escolha variedades com baixo teor de gordura, como semidesnatado, 1% de gordura ou desnatado. 

De acordo com a ginecologista, alguns alimentos consumidos pela mãe podem afetar as próprias características do leite, como o cheiro e o sabor. “Alimentos com sabor forte, como alho, pimenta ou molho de soja, podem alterar o sabor do leite materno. Os bebês já terão começado a se acostumar com esses sabores durante a gravidez quando engolem o líquido amniótico, e quando nascem isso pode ajudá-los a se acostumar também com a dieta da família antes de iniciar os sólidos”, explica a dra. Fátima. 

Veja também: Por Que Dói? #32 | Amamentação

 

Medicamentos

O uso de medicamentos deve ser feito somente com a prescrição e o acompanhamento médico, pois algumas drogas podem ser passadas para o bebê através do leite. 

“Quase toda droga presente no sangue será transferida para o leite materno até certo ponto. A maioria dos medicamentos o faz em níveis baixos e não representa risco real para a maioria dos bebês. Há exceções, porém, em que as drogas podem se concentrar no leite materno. Como resultado, cada medicamento deve ser considerado separadamente”, destaca. 

Como exemplo de medicamentos que exigem maior atenção no uso, ela cita codeína, descongestionantes em comprimidos, líquidos ou pós para engolir, alguns descongestionantes nasais em sprays nasais ou gotas, aspirina para alívio da dor e remédios de ervas.

 

Álcool e outras drogas

Não há dose segura recomendada quando falamos de álcool, principalmente porque ele pode afetar a própria produção de leite. “O álcool pode entrar no leite materno e fazer com que se produza menos leite. Se optar por beber, pode-se tomar uma dose de vez em quando, se a rotina de amamentação do seu bebê estiver bem estabelecida – e seu bebê tiver pelo menos 3 meses de idade. Depois [de beber], espere pelo menos 4 horas antes de amamentar”, recomenda a ginecologista. 

O tabaco também deve ser evitado, pois, além de diminuir a produção de leite, pode provocar cólicas no bebê e influenciar no sabor do leite. “O ideal é parar, mas, se não conseguir, sempre fume longe da criança e troque de roupa antes de amamentar, além de lavar bem as mãos depois”, ressalta Oladejo.

Já quando o assunto são drogas ilícitas, como maconha e cocaína, o consumo é completamente desencorajado. Clay Brites, pediatra e neurologista infantil, doutor em Ciências Médicas pela Unicamp e membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP),  explica os riscos do uso.  

“O uso de drogas lícitas e ilícitas é perigoso porque elas podem passar no leite. O resultado pode ser uma criança sedada, agitada, com dificuldade em aspectos do desenvolvimento motor ou inibição de habilidades específicas”, destaca.  

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