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Principais dúvidas sobre amamentação

Mãe amamentando bebê sentada em sofá com luz suave. sempre há dúvidas sobre amamentação

Quantas vezes o bebê mama por dia? Como saber se a pega está correta? E as fórmulas infantis? Veja as principais dúvidas sobre amamentação.

 

A Organização Mundial de Saúde e o Ministério da Saúde recomendam que os bebês sejam amamentados exclusivamente com o leite materno até os seis meses de idade. Depois desse período, o bebê deve começar a receber alimentação complementar juntamente com o aleitamento materno, que deve ser mantido até os 2 anos ou mais.

Veja abaixo as respostas para algumas das dúvidas mais frequentes sobre aleitamento materno.

 

Quando devo dar a primeira mamada?

 

A primeira hora de vida do bebê com a mãe, logo após o nascimento, é chamada por especialistas de “golden hour” (hora de ouro). Nessa primeira hora, é importante que a mãe estabeleça contato pele com pele, sem camisola e sem tecidos que estejam envolvendo o bebê, para estimular o reflexo que fará com que a criança mame.

 

Veja também: Assista à série em 3 episódios “Amamentação Sem Culpa”

 

Já nesse momento o bebê pode mamar. Contudo, nessa primeira mamada ele não irá sugar exatamente leite, mas sim um líquido chamado colostro, que tem uma cor amarelo-dourado e é de suma importância para a saúde do bebê, pois é rico em anticorpos e nutrientes. Não se assuste com a pequena quantidade que irá sair nas primeiras vezes, algo em torno de 3 a 5 ml. Fique tranquila, pois essa quantidade é suficiente para satisfazer as necessidades nutricionais da criança nos primeiros dias de vida. Em até 5 dias após o parto deve acontecer a apojadura, como é chamada a fase de preparação das mamas para a produção de leite maduro.

 

Quando oferecer o peito ao bebê?

 

O bebê deve ser alimentado por livre demanda, ou seja, sempre que ele der sinais de que quer mamar. Você pode suspeitar desse momento quando ele começar a mexer bastante os braços, colocar a mão na boca, buscar o peito quando está no colo e, claro, chorar.

 

Quantas vezes um bebê mama por dia?

 

Não se prenda tanto a números, pois cada criança tem seu ritmo e frequência. Mas para ter uma referência, é esperado que um bebê saudável mame de 8 a 12 vezes por dia por, pelo menos, 15 a 20 minutos por mamada.

 

Silicone interfere na amamentação?

 

Os implantes de silicone não interferem na amamentação, pois a cirurgia não corta a inervação e não alteram as glândulas mamárias nem o mamilo.

 

Como evitar o empedramento do leite?

 

Quando o bebê não está conseguindo sugar ou quando ele consome menos leite do que é produzido, o leite acumula nas mamas e endurece. O problema ocorre principalmente nos primeiros dias, fase em que muitas vezes a mãe produz mais leite que o necessário. Quando você perceber que o seu peito está muito cheio (ele fica bastante dolorido e com um aspecto duro), faça massagens em movimentos circulares e, em seguida, realize a ordenha para armazenar ou doar o leite para bancos de leite humano. Esse processo é importante porque o peito endurecido pode dificultar a pega do bebê e prejudicar a mamada.

 

É normal ter feridas e rachaduras nos seios?

 

Não. Lembre que NÃO é normal a mulher sentir dor durante a amamentação, nem mesmo no início. As fissuras e rachaduras estão entre as principais causas de desistência de amamentar. Os problemas podem surgir quando o bebê não está conseguindo pegar o peito da maneira correta, ou seja, quando não consegue abocanhar muito bem a aréola.

 

Como perceber se a pega está correta?

 

Na pega correta, o bebê abre bem a boca, envolve todo o mamilo e o queixo da criança encosta na mama. A aréola fica mais visível acima do que abaixo da boca do bebê, e o lábio inferior dele fica voltado para fora. A sucção é lenta, profunda e ritmada. A bochecha do bebê mantém sua forma normal e ele para de mamar quando está satisfeito.

 

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Quando a pega está incorreta, por outro lado, a boca do bebê abre pouco e abocanha somente o mamilo. Dessa forma, o queixo não encosta na mama e a maior porção visível da aréola fica abaixo da boca do bebê. Ele faz sucções rápidas e curtas e como não consegue se alimentar adequadamente, a mamada dura mais tempo, de forma que às vezes a mãe precisa interromper. Nesses casos, apesar de ficar muito tempo no seio, o bebê tem dificuldade para ganhar peso.

Vale abrir mais a boca do bebê e deixá-lo bem próximo ao seio, se notar que ele não está abocanhando toda a região.

 

O que fazer se surgirem feridas ou rachaduras?

 

Dicas simples ajudam a tratá-las. Passe o próprio leite no mamilo e na aréola para hidratá-los e deixe secar ao ar livre. Aproveite para tomar sol nos mamilos diariamente por cerca de 15 minutos. No banho, passe apenas água e sabonete nas mamas e seque com uma toalha macia.

 

Existem formas de deixar os mamilos mais resistentes?

 

A dica acima, de tomar sol diariamente por cerca de 15 minutos, vale também para ajudar na resistência dos mamilos. Você também pode começar a se preparar alguns meses antes de o bebê chegar. Pegue um sutiã velho e faça uma abertura com uma tesoura bem no meio. Vista esse sutiã e fique com ele algumas horas. O mamilo vai ficar raspando na roupa, o que irá criar uma resistência maior na região com o passar do tempo. Use esse sutiã à noite para poder trocá-lo, caso sinta muito desconforto.

 

Quando os complementos (fórmulas infantis) são necessários?

 

Quando o pediatra avalia as curvas de crescimento e desenvolvimento esperado do bebê e os valores não estão satisfatórios. Talvez o bebê não esteja conseguindo pegar o peito de modo correto e por isso não ganhe peso. Corrigindo a pega, pode-se utilizar a complementação do leite materno com fórmulas por um período pré-determinado pelo especialista.

 

Existe leite “fraco”?

 

Não. Nenhum leite materno é fraco. Até em casos em que a mãe sofre de desnutrição, a qualidade do leite é tão boa quanto a de uma mulher nutrida. Há também a ideia de que o leite industrializado é mais “forte” porque o bebê dorme por períodos mais longos e engorda mais. Entretanto, o bebê acorda mais rápido quando toma o leite materno porque sua digestão é mais rápida do que a do leite de vaca, mas isso não quer dizer que o leite materno seja mais fraco.

 

Medicamentos, tabaco e bebida alcóolica. O que fazer?

 

Se você faz uso de medicamentos de uso contínuo, não se esqueça de conversar com seu médico. Às vezes, é necessário realizar algumas trocas.

Fumar é sempre contraindicado, e na fase de amamentação não é diferente. O tabaco reduz o volume de leite produzido e afeta a produção dos nutrientes. Além disso, as substâncias do cigarro passam para o bebê por meio do leite materno. Para as mães que ainda não largaram o cigarro, é importante diminuir a quantidade. Não ultrapasse a marca de 10 cigarros por dia.

Quanto ao álcool, o ideal é não beber até que a criança complete pelo menos 6 meses de idade. Após esse período, caso consuma a substância, deve-se aguardar até que ela seja eliminada do organismo antes de amamentar. Estima-se que esse tempo seja de cerca de 2 horas para cada dose de álcool (o equivalente a uma lata de cerveja, uma taça de 100 ml de vinho ou 30 ml de destilado).

 

Vou voltar a trabalhar. O que devo fazer?

 

O bebê não precisa ser desmamado quando você voltar a trabalhar. A orientação é que a mãe amamente pela manhã, no fim da tarde ou no meio da noite diretamente no seio e, quando não estiver com o bebê, que o leite seja administrado através de copinhos (evite mamadeira para que o bebê não se confunda com diferentes maneiras de sugar). Você pode criar um pequeno estoque, mas lembre que o leite pode ser armazenado no congelador por no máximo 15 dias.

Recado importante: Além da licença-maternidade de 120 dias (cerca de 4 meses), as mães que trabalham e amamentam têm direito, por lei, a 2 pausas de ½ hora cada uma para o aleitamento durante o expediente, ou a sair 1 hora mais cedo do trabalho até que a criança complete 6 meses de idade.

 

* Consultoria: Cinthia Calsinski, enfermeira obstetra pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Fontes

Cartilha Amamentação Santa Casa de São Paulo
Instituto Fiocruz

Sobre o autor: Juliana Conte

Juliana Conte é jornalista, repórter do Portal Drauzio Varella desde 2012. Interessa-se por questões relacionadas a manejo de dores, atividade física e alimentação saudável.