Doenças e sintomas

SARS/SRAG – síndrome respiratória aguda grave

desenho do Sars-CoV, vírus da Sars, síndrome respiratória aguda grave, sobre mapa da Ásia

A Sars, síndrome respiratória aguda grave, também conhecida como Srag, é causada por um coronavírus e é altamente contagiosa.

 

Os coronavírus (CoV) pertencem a uma grande família viral que causam infecções respiratórias em humanos e animais. Os coronavírus humanos foram isolados, pela primeira vez, em 1937. No entanto, só em meados da década de 1960, eles foram descritos como coronavírus, em função das estruturas proteicas (espículas) em forma de ponta que possuem ao redor e que lhes confere a aparência da coroa solar.

Existem sete espécies de coronavírus que infectam seres humanos. Três delas podem ocasionar doenças respiratórias bastante graves.

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Esse é o caso da síndrome respiratória aguda grave (Srag), conhecida também pela sigla Sars (Severe Acute Respiratory Syndrome), enfermidade altamente contagiosa, transmitida por uma variante de coronavírus, o Sars-CoV (ou Sars-CoV-1); identificado no final de 2002 e que afeta, sobretudo, os sistemas respiratório e pulmonar.

A presença desse coronavírus foi registrada em amostras de sangue de diversos portadores da doença. Outros estudos mostraram que o vírus da Sars recém-identificado cumpria perfeitamente os postulados de Koch (critérios que ajudam a estabelecer a relação direta entre o agente causador de determinada doença e suas manifestações clínicas).

As pesquisas apontam que o Sars-CoV infectou a população de diversos países nos cinco continentes, com extrema rapidez. Os primeiros 300 casos da enfermidade, denominada “pneumonia atípica grave” pela OMS, com cinco mortes catalogadas, foram identificados na província chinesa de Guangdong. A essa altura, chamou a atenção dos especialistas o número expressivo de profissionais da área da saúde e seus contactantes que haviam sido infectados por esse vírus.

Em poucos meses, porém, episódios semelhantes foram reconhecidos em diversas regiões da Ásia, da Europa e das Américas, entre elas Hong Kong, Vietnã, Cingapura, Tailândia, Reino Unido, Estados Unidos e Canadá. Nesses casos, era comum encontrar pessoas em que a doença tinha se manifestado quando retornavam de Guangdong, viajado para Hong Kong, ou mantido contato com os doentes.

A hipótese apresentada era que o coronavírus da Sars, até então desconhecido, tenha sido levado para Hong Kong por uma única pessoa, um médico de Guangdong, que ignorava estar infectado. Como resultado, as pessoas que conviveram com ele nessa oportunidade foram expostas à infecção e espalharam a doença ao voltar para o local em que viviam.

Diante desse achado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e os Centros dos Estados Unidos para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC) emitiram um alerta global advertindo os sistemas de saúde sobre a necessidade de implementar medidas de prevenção e controle para impedir a propagação do coronavírus responsável pela síndrome respiratória aguda grave (Sars), uma vez que o sistema imunológico humano não parecia estar preparado para combater esse micro-organismo.

Apesar de o último caso de Sars de que se tem notícia ter ocorrido em 2004, a doença continua considerada de notificação compulsória às autoridades sanitárias, que não desprezam a possibilidade de ocorrerem novos surtos, se os fatores de risco novamente prevalecerem.

Por precaução, a OMS mantém amostras do Sars-CoV (e de vários outros vírus ainda desconhecidos) contendo informações sobre doenças infecciosas transmissíveis de animais para seres humanos em laboratórios de biossegurança espalhados pelo mundo. O objetivo é tornar possível identificar, o mais depressa possível, os agentes causadores de zoonoses que possam tornar-se uma ameaça global à saúde.

 

Doença zoonótica

 

Sars/Srag é uma doença zoonótica, ou seja, uma doença que tem origem em animais infectados e deles é transmitida para os humanos. A taxa de letalidade é alta, próxima dos 10%. A principal complicação costuma ser uma forma grave de pneumonia atípica, que produz um quadro de insuficiência respiratória aguda, muitas vezes mortal.

Tudo leva a crer que os primeiros episódios ocorreram na província chinesa de Guangdong, em novembro de 2002. Entretanto foi só em fevereiro de 2003 que a China informou oficialmente à OMS a ocorrência de novos casos da doença.

Em poucos meses, porém, quadros semelhantes foram observados em pessoas que haviam realizado viagens aéreas para regiões do sudeste asiático, ou entrado em contato com doentes, que tinham sido infectados nesses lugares.

Estudos sugerem que uma das principais fontes de contaminação era um tipo de gato selvagem – as civetas ou gatos de algália – mamíferos noturnos, de carne exótica muito valorizada pela gastronomia chinesa. Esses animais que, com certa frequência, eram trocados vivos por alimentos nos mercados de Guangdong, foram infectados por morcegos, provavelmente por morcegos-ferradura. A partir de então, por toda a vida, as civetas passaram a funcionar como reservatórios intermediários do vírus para os humanos.

 

 Medidas de contenção

 

Diante da velocidade com que a infecção se espalhou pelo mundo, graças ao processo de globalização favorecido pelos avanços tecnológicos na comunicação e no transporte, os esforços das autoridades de saúde se concentraram na busca de um procedimento capaz de conter a propagação do vírus e de controlar a evolução da enfermidade. Sob esse aspecto, o surto de 2002/2003 teve muito o que ensinar. A começar pela importância da ação conjunta e centralizada dos diferentes países envolvidos, que possibilitou conter esses quadros em seus estágios iniciais.

O diagnóstico precoce, o isolamento compulsório dos doentes, a quarentena obrigatória para as pessoas que, de alguma forma, tinham entrado em contato com portadores do vírus, a interrupção do trânsito pessoal e coletivo para as áreas infectadas, a suspensão das aulas e das atividades de muitas empresas, são exemplos das medidas de contenção utilizadas na tentativa de inibir novas manifestações da doença.

Também foram conquistas importantes para o controle dos surtos da Sars de 2002/2003, que causaram um número elevado de mortes, a rapidez com que os cientistas canadenses conseguiram sequenciar o genoma desse coronavírus, pré-requisito fundamental para a produção de novos testes para diagnóstico e para a criação de vacinas.

A Sars abalou a economia, o comércio, esvaziou as ruas, principalmente em cidades grandes da China, como Pequim e Xangai. Em 2003, no auge do surto mundial, foram registrados 8.096 episódios da infecção, 774 mortes, e a taxa de letalidade alcançou 9,6%.

Diante de tais evidências, os esforços dos pesquisadores de vários países se concentraram na busca de uma estratégia comum capaz de impedir a propagação do vírus por meio do diagnóstico precoce, do isolamento imediato dos infectados e da triagem dos viajantes provenientes de lugares conhecidos pela presença do Sars-CoV.

Para garantir esse resultado, a OMS (Organização Mundial da Saúde) e o CDC (Centros dos Estados Unidos para Controle e Prevenção de Doenças) continuam recomendando que todo e qualquer episódio que possa sugerir a infecção pelo coronavírus da Sars, deve ser notificado compulsoriamente às autoridades sanitárias. Essa medida se faz necessária, porque pequenos surtos da doença foram documentados, quando se imaginava que a epidemia tinha sido completamente debelada.

Em 2012, por exemplo, foi isolado o Mers-CoV (Middle East Respiratory Syndrome), outro tipo de coronavírus, responsável pelo aparecimento da Síndrome Respiratória do Oriente Médio, na Arábia Saudita, que se espalhou rapidamente por países dessa região, da Europa, África, Coreia e Estados Unidos. O agente infeccioso foi identificado primeiramente em camelos, mas a forma de contágio ainda não está totalmente esclarecida.

Tempos depois, em 2019, foi a vez do Sars-CoV-2, identificado em Wuhan na China e responsável pela atual pandemia da Covid-19.

A higiene as mãos, o distanciamento social e a quarentena continuam sendo os meios mais eficazes para impedir a disseminação do coronavírus da Sars, em caso de surto.

 

 Causas da Sars

 

O agente causal da Sars/Srag (síndrome respiratória aguda grave) é o Sars-CoV, um subtipo de coronavírus que, até então, não havia representado perigo maior para os seres humanos.

 

Sintomas da Sars

 

O período de incubação varia de 2 a 14 dias contados a partir da data do contágio. Em geral, a grande maioria dos pacientes apresenta os primeiros sintomas por volta do décimo dia.

Como já foi dito, os sinais do Sars-CoV podem variar muito e, no início, são semelhantes aos da gripe e resfriados comuns: febre acima de 38º que se manifesta de repente, tosse seca, falta de ar, diarreia. Com a evolução do quadro, dores musculares, de cabeça e na garganta, cansaço extremo, suores noturnos, calafrios, manchas avermelhadas na pele (exantemas), perda de apetite e confusão mental são outros sinais que podem se fazer presentes.

Veja também: Artigo do dr. Drauzio sobre as epidemias do futuro

Há casos em que muito depressa, o doente pode desenvolver complicações renais e hepáticas, bem como apresentar um quadro repentino de “pneumonia atípica”, causada por micro-organismos pouco prevalentes, que afetam um ou os dois pulmões e respondem mal ao uso dos medicamentos conhecidos.

Ao contrário do que acontece nas formas clássicas de pneumonia até então descritas, mais comum em crianças, idosos e imunodeprimidos, o Sars-CoV também afeta adultos jovens, saudáveis, não fumantes e com sistema imunológico fortalecido.

Pacientes com Sars podem apresentar, ainda, queda expressiva no número de linfócitos, um tipo de glóbulos brancos do sangue envolvido na defesa organismo.

Não foram relatados casos fatais de Sars na infância. Crianças com menos  de 12 anos, em geral, são assintomáticas ou apresentam sinais leves da doença, o que representa risco aumentado de transmissão do vírus. A partir dessa idade, os sintomas são parecidos com os dos adultos.

 

Transmissão da Sars

 

A principal via de transmissão inter-humana do Sars-CoV são as gotículas respiratórias ou de saliva com carga viral que a pessoa expele pela boca ou pelo nariz, quando fala, tosse ou espirra.

Os especialistas defendem que a transmissão também pode ocorrer pelo contato físico próximo, seja ao cuidar dos doentes, pelo aperto de mãos, por abraços, beijos ou, ainda, pelo toque em superfícies ou objetos contaminados (fômites), como maçanetas, controles remotos, telefones, botões de elevadores, celulares, tampos de mesa, lençóis e cobertores, por exemplo.

É importante considerar, ainda, a possibilidade de a transmissão da SARS ocorrer por via fecal-oral, haja vista ter sido encontrada essa classe de coronavírus nas fezes de pessoas infectadas e entre os profissionais de saúde e seus contatos.

 

 Grupos de risco

 

  • Profissionais da saúde e contactantes próximos, com ligeira predominância do sexo masculino sobre o feminino;
  • Idosos acima dos 60 anos (quanto mais velha a pessoa, mais grave e letal costuma ser a doença);
  • Portadores de comorbidades, como diabetes, hipertensão, alterações cardiovasculares, cardiopatias, imunossupressão, obesidade e asma;
  • Funcionários de laboratórios direta ou indiretamente envolvidos em atividades que pressupõem a exposição ao vírus da Sars.

 

Diagnóstico da Sars

 

Quando a Sars apareceu, não havia nenhum exame específico para diagnóstico da doença. No início, o profissional considerava apenas os sintomas e o histórico de vida do paciente (se conviveu com doentes, ou viajou para lugares com registro da doença). Com o tempo, porém, foi possível utilizar o resultado de exames laboratoriais, especialmente o RT-PCR que possibilita detectar a presença direta do vírus na secreção nasal e na orofaringe.

Exames de imagem, como os de raios X e a tomografia computadorizada, podem ser úteis para confirmar o diagnóstico e, sobretudo, para avaliar em que medida os pulmões estão afetados.

 

 Prevenção da Sars

 

Entre todas as medidas de prevenção e controle da infecção pelo Sars-CoV, lavar as mãos com água e sabão sempre que chegar em casa, após usar o banheiro, antes das refeições é o recurso mais eficaz para impedir a propagação dos coronavírus. Aplicar álcool gel a 70% para realizar a higiene das mãos, quando não for possível lavá-las convenientemente com água e sabão é outro recurso indispensável para a prevenção da doença.

Evitar aglomerações e o contato próximo entre as pessoas, usar máscaras, manter o distanciamento social, cobrir a boca e o nariz com o antebraço, quando for tossir ou espirrar e utilizar lenços descartáveis são outras medidas eficientes para evitar o contágio e, consequentemente, a propagação do vírus.

 

Tratamento da Sars

 

Não existem medicamentos específicos nem vacinas contra a Sars. Nas formas leves e moderadas da doença, o tratamento é de suporte e deve ser realizado sob orientação médica. De modo geral, nessas situações, a recomendação é permanecer em repouso na própria casa, alimentar-se bem e ingerir bastante líquido.

Antitérmicos e analgésicos podem ser úteis para aliviar a dor, o mal-estar e baixar a febre. Sob nenhum pretexto, a pessoa deve recorrer à automedicação sem ouvir a opinião do médico que acompanha o caso.

Episódios mais graves podem exigir internação hospitalar em UTI, porque o doente necessita de oxigenoterapia complementar e ventilação mecânica.

Grande parte dos pacientes infectados costuma reagir bem ao tratamento e fica curado.

 

Perguntas frequentes sobre Sars

 

Quais os sintomas mais frequentes da Sars?

No início, são semelhantes aos da gripe e resfriados comuns: febre acima de 38º C que se manifesta de repente, tosse seca, falta de ar, diarreia. Dores musculares, de cabeça e na garganta, cansaço extremo, suores noturnos, calafrios, manchas avermelhadas na pele (exantemas), perda de apetite e confusão mental são outros sinais que podem se fazer presentes.

Há casos em que muito depressa, o doente pode desenvolver complicações renais e hepáticas e apresentar, ainda, queda expressiva no número de linfócitos, um tipo de glóbulos brancos do sangue envolvido na defesa organismo.

 

Como surgiu a Sars?

Acredita-se que o coronavírus da Sars, até então desconhecido, tenha sido levado para Hong Kong em 2002 por uma única pessoa, um médico de Guangdong, que ignorava estar infectado. Como resultado, as pessoas que conviveram com ele nessa oportunidade foram expostas à infecção e espalharam a doença ao voltar para o local em que viviam.

 

Sobre o autor: Maria Helena Varella Bruna

Maria Helena Varella Bruna é redatora e revisora, trabalha desde o início do Site Drauzio Varella, ainda nos anos 1990. Escreve sobre doenças e sintomas, além de atualizar os conteúdos do Portal conforme as constantes novidades do universo de ciência e saúde.