Doenças respiratórias e cânceres estão entre as principais doenças relacionadas ao trabalho.

 

Em 2013, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou que mais de 2 milhões de pessoas morrem anualmente em todo mundo, vítimas de doenças relacionadas ao trabalho. Esse número é seis vezes maior que o de acidentes laborais (ocorridos no local e no tempo de trabalho). Os gastos globais com tratamento, reabilitação e perda de produtividade devido a acidentes e doenças relacionadas ao trabalho chegam a 2,8 trilhões de dólares, aponta estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU).

A maioria dos acidentes de trabalho ocorre pela falta de uso dos EPIs (equipamentos de proteção individual), desobediência às normas e procedimentos, imprudência pessoal e terceirização de serviços.

 

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Em entrevista ao Portal Drauzio Varella, Márcia Bandini, médica e diretora da Associação Nacional de Medicina do Trabalho, diz que as doenças que mais matam os trabalhadores atualmente são as doenças respiratórias (pneumoconioses), além dos cânceres ocupacionais (doenças que surgem devido ao contato diário com agentes químicos, como câncer de pulmão, de pele e de bexiga).

O cumprimento de metas inatingíveis, carga horária excessiva, pressão no ambiente de trabalho, déficits nos recursos necessários para alcançar os objetivos, baixo controle na execução das tarefas ou baixa autonomia, problemas nos relacionamentos interpessoais e situações de assédio são cada vez mais comuns e contribuem para o aparecimento desses problemas.

“Os dados disponíveis no Brasil são os da Previdência Social, que não cobre todos os trabalhadores, apenas os formais, que são cerca de 55 milhões. Entretanto, por não conhecermos dados sobre toda a população de trabalhadores, devemos analisar as estatísticas com cautela. De qualquer maneira, as três principais categorias de doenças e lesões que causam incapacidade apontadas pelo órgão são as de causas externas (mais ou menos 30%), os distúrbios musculoesqueléticos (cerca de 25%) e os transtornos mentais (aproximadamente 10%). Os dados consideram afastamentos superiores a 15 dias, nos últimos cinco anos”, diz a dra. Bandini.

Em alguns casos, a doença pode demorar mais de 20 anos para começar a se manifestar, como é o caso do câncer. Entretanto, um acidente perfuro-cortante que atinja um profissional de saúde pode causar uma doença infecciosa em dias. Um problema de coluna pode levar meses para afetar um trabalhador que trabalha com sobrecarga musculoesquelética. A surdez pode levar anos para se revelar em trabalhadores expostos a níveis elevados de ruído. “Por isso é de extrema importância que os ambientes de trabalho sejam saudáveis e com condições adequadas para os trabalhadores, pois aqueles que sobrevivem a esses infortúnios acabam sofrendo com cirurgias, medicamentos, fisioterapia, assistência psicológica e desemprego”, ressalta a dra. Bandini.

Ainda de acordo com a médica, nos últimos anos vem aumentando o número de trabalhadores que adquirem transtornos que geram incapacidade, como alcoolismo, transtornos depressivos e de ansiedade. 

“O cumprimento de metas inatingíveis, carga horária excessiva, pressão no ambiente de trabalho, déficits nos recursos necessários para alcançar os objetivos, baixo controle na execução das tarefas ou baixa autonomia, problemas nos relacionamentos interpessoais e situações de assédio são cada vez mais comuns e contribuem para o aparecimento desses problemas”, sinaliza a especialista.