Hábitos do dia a dia que pioram a audição

Todo mundo vai ter perda auditiva durante a vida, mas algumas mudanças simples na rotina podem desacelerar esse processo. Saiba quais.

Beatriz Zolin

Beatriz Zolin é estudante de Jornalismo e estagiária no Portal Drauzio Varella. Tem interesse por assuntos relacionados à saúde e sociedade, sexualidade e psicologia.

Todo mundo vai ter perda auditiva durante a vida, mas algumas mudanças simples na rotina podem desacelerar esse processo. Saiba quais.

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Publicado em: 6 de maio de 2022

Revisado em: 6 de maio de 2022

Todo mundo vai ter perda auditiva durante a vida, mas algumas mudanças simples na rotina podem desacelerar esse processo. Saiba quais.

 

Assim como a pele, o cabelo e as outras partes do corpo, o ouvido também envelhece. Com o tempo, ele vai perdendo a capacidade de escutar plenamente os sons ao redor.

Os primeiros sinais desse comprometimento aparecem no dia a dia: a pessoa começa a falar mais alto, pede para que repitam mais de uma vez o que foi dito, assiste à televisão em volumes elevados ou não responde quando alguém chama. 

Essa é a realidade de 2,3 milhões de brasileiros, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1,5 bilhão de pessoas no mundo perdem a capacidade auditiva ao longo da vida e ao menos 430 milhões precisarão de cuidados.

“Geralmente, a redução auditiva acontece depois dos 60 anos. Em algumas pessoas, ela surge mais cedo; em outras, de forma mais acelerada. De qualquer maneira, é um processo que acontece naturalmente com todo mundo, ainda que em graus diferentes”, explica a dra. Michelle Oliveira, médica otorrinolaringologista pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Ainda assim, existem hábitos que aceleram esse declínio. A especialista explica quais são eles e o que fazer para evitar:

 

Trabalhos com exposição a ruídos

DJs, entregadores, cabeleireiros, profissionais do trânsito e da construção civil são alguns dos trabalhadores mais sujeitos à perda auditiva. Isso porque eles estão expostos a barulhos exagerados por um longo período de tempo. Parte deles conta com o apoio de equipamentos de proteção individual; outra parte, não.

“De qualquer forma, o profissional pode, por conta própria, comprar protetores auriculares. Eles são vendidos em casas médicas, lojas de produtos hospitalares e até pela internet. É importante utilizá-los para que se reduza a agressão ao ouvido no dia a dia”, recomenda a dra. Michelle.

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Usar fone de ouvido por longos períodos

A utilização exagerada de fones de ouvido também é um risco. Ainda que eles sejam grandes aliados no trabalho ou na rotina diária, o ideal é que o som não ultrapasse 70 decibéis.

A especialista explica: o volume do fone tem que ser o mínimo suficiente para escutar o som. Um bom medidor é perguntar para alguém próximo se ele está ouvindo o barulho do fone. Se estiver, é porque o volume está muito além do que deveria.

“Se realmente não tiver jeito de dispensá-los, o ideal é que se utilize pelo menor tempo possível. De preferência, trocando os fones intra-auriculares, isto é, aqueles que são inseridos no ouvido, pelos modelos do tipo concha”, destaca a otorrinolaringologista.

 

Ficar muito tempo em ligação no celular

Seguindo a mesma lógica, o uso abusivo do celular para fazer ligações, como no caso de quem trabalha com telemarketing, também pode provocar fadiga no ouvido. 

“Existe um músculo dentro do ouvido que protege a audição. Mas ele é um músculo como outro qualquer. Se for submetido a um estresse muito grande, vai acabar se desgastando”, explica a médica.

Para as pessoas que ficam muito tempo em chamadas, é importante fazer pausas para evitar o cansaço e variar o aparelho de um ouvido para o outro.

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Utilizar hastes flexíveis

Muitos não sabem, mas na própria caixa das hastes flexíveis há o alerta de que o produto não pode ser introduzido no ouvido. “Ao fazer isso, a pessoa está tirando a cera. Essa substância não é sujeira, mas, sim, proteção”, lembra a dra. Michelle.

Outro risco é empurrar toda a cera para dentro do ouvido, o que pode acabar perfurando a membrana timpânica. Se sentir que a produção do cerume está exagerada, procure um médico especialista para que ele remova o excesso de forma segura.

 

Descuidar das infecções e resfriados

Quando uma pessoa está gripada ou resfriada, é comum que ela se queixe também de dor de ouvido. “Isso acontece porque o nariz tem uma comunicação interna com o ouvido, o que faz com que a inflamação de um interfira no funcionamento do outro”, explica a especialista.

Segundo ela, a principal dica nesses casos é lavar o nariz com soro fisiológico. Assim, o ouvido fica mais bem ventilado e, consequentemente, mais protegido.

Já no que diz respeito às infecções externas do ouvido, o alerta tem a ver com a manipulação de objetos nessa região. “As pessoas tentam coçar com grampos de cabelo, tampa de caneta, palito de churrasco e vários outros itens e acabam machucando o ouvido. Isso vira uma porta de entrada para bactérias”, pontua dra. Michelle.

Inflamações também são comuns em atletas de esportes aquáticos que fazem uso, por exemplo, das hastes flexíveis. Isso porque a cera é uma espécie de gordura que, entre suas funções, expulsa a água do ouvido, impermeabilizando-o. No entanto, ao retirar essa proteção, o ouvido fica úmido e propício para o surgimento de fungos – as famosas “otites do nadador”

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Automedicar-se

Por conta dessas inflamações, podem surgir perfurações na região. Ao pingar um remédio na área sensível, ele cai diretamente na parte interna do ouvido, podendo causar complicações e até surdez.

Além disso, alguns medicamentos são tóxicos às células auditivas. Por isso, a dra. Michelle orienta a nunca utilizar nenhuma medicação sem a avaliação de um especialista.

 

Fumar

De acordo com uma pesquisa britânica de 2019, os fumantes apresentam um risco 1,2 a 1,6 maior de sofrerem declínios na audição.

Isso acontece porque as substâncias químicas presentes no cigarro, como a nicotina, atrapalham a oxigenação do organismo, inclusive a da cóclea, estrutura responsável por transformar estímulos sonoros em elétricos. Assim, há uma diminuição da potência de transmissão dos sinais, o que leva à perda auditiva.

 

Não se vacinar

Sarampo, rubéola, caxumba e meningite podem, além de levar à óbito, deixar graves sequelas. Entre elas, estão a perda auditiva e até a surdez completa. Mesmo que todas essas doenças sejam preveníveis através das vacinas, os baixos índices de imunização no Brasil fazem com que elas ainda sejam a causa de quase 60% dos problemas de audição em crianças. 

É importante seguir o calendário de vacinação infantil a fim de proteger não apenas as crianças, mas toda a população. Não caia em fake news, e leve seus filhos para se vacinar.

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