Geralmente, só é necessário cirurgia quando a função respiratória é muito comprometida. Saiba quando operar o desvio de septo.

 

O septo é uma estrutura constituída por osso e cartilagem que separa uma narina da outra, como uma espécie de “parede”. O desvio de septo é uma condição muito comum, caracterizada pelo desalinhamento dessa parede: em vez de a estrutura ser reta, ela apresenta uma tortuosidade. O desvio atinge cerca de 25% da população mundial, mas só é de fato um problema que precisa de intervenção quando há manifestações clínicas envolvidas, principalmente dificuldade para respirar. Felizmente, somente 1/4 dos indivíduos precisa de correções cirúrgicas.

Segundo o dr. José Eduardo Lutaif Dolci, professor titular de otorrinolaringologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, as causas do desvio de septo são variadas:

  • Má-formações durante o crescimento intrauterino do feto;
  • Problemas durante o trabalho de parto ou pelo uso de fórceps;
  • Traumas ocorridos na infância;
  • Quando as estruturas do septo crescem mais do que o espaço disponível para elas no nariz e acabam desviando para “caber” no interior do órgão.

 

Veja também: Obstrução nasal



“O desvio pode estar presente desde o nascimento e começar a se manifestar clinicamente ainda na infância ou na puberdade. Uma das maneiras de identificá-lo é notar se você tem dificuldade para respirar (sensação de estar sempre com o nariz entupido) ou se respira apenas com uma narina. Isso pode ocorrer quando o septo nasal desviado obstrui a passagem de ar. Outros problemas associados são sinusite, dor de cabeçaronco e apneia do sono“, explica.

O diagnóstico, na maioria das vezes, é feito pelo médico otorrinolaringologista, que utiliza instrumentos para abrir as narinas e, assim, conseguir visualizar o interior do nariz. Também pode ser solicitado um exame chamado nasofibroscopia, que funciona como uma endoscopia nasal e permite analisar todo o interior da cavidade nasal para verificar a presença de secreções, tumores e pólipos.

 

Com que idade fazer a cirurgia

 

Em relação à idade, o ideal é que a cirurgia ocorra após os 16 anos de idade, quando está encerrada a fase de crescimento do septo; porém, em casos especiais, o procedimento pode ser indicado mais cedo, conforme alerta Dolci. “Se uma criança com quatro ou cinco anos de idade (ou até menos) tiver um desvio de septo acentuado que provoque  dificuldade para respirar intensa e que esteja, inclusive, entortando o nariz, é primordial que se realize a cirurgia corretiva, pois o desvio pode acabar prejudicando o desenvolvimento da face e do tórax, o que será muito mais complexo de reparar. Uma intervenção precoce, em alguns casos, pode causar pequenas alterações no formato do nariz, mas elas são mais fáceis de serem corrigidas aos 15, 16 anos.

A cirurgia é feita com anestesia geral e tem duração de no máximo duas horas. Em geral, o paciente ingressa no hospital, faz a cirurgia, volta para o quarto e tem alta na manhã seguinte. O pós-operatório é indolor, mas pode haver sangramento nasal discreto nos dois primeiros dias. Apesar de ser uma operação simples, é necessário repouso durante duas semanas, devido à obstrução que ocorre por conta de edema (inchaço) e do tecido de cicatrização.