O piolho do couro cabeludo é um inseto que se instala na base do cabelo, onde se alimenta do sangue e deposita seus ovos, de fácil reprodução. Aprenda a evitá-lo.

 

O piolho do couro cabeludo (Pediculus humanus capitis) é um inseto que se alimenta do sangue das pessoas e reproduz-se com rapidez. Transmitido de uma pessoa para outra, ele se instala no folículo piloso, ou seja, na base do cabelo, onde deposita seus ovos – as lêndeas -, fáceis de serem reconhecidos e que diferem da caspa porque ficam grudadas no pelo.

O piolho adulto tem cerca de 2 a 3 mm (tamanho de um grão de gergelim), seis patas e sua cor varia de marrom a branco-acinzentado. A fêmea vive de três a quatro semanas e, quando adulta, coloca até dez ovos por dia. Os ovos se fixam na raiz dos cabelos por meio de uma substância parecida com uma cola, produzida pelo próprio piolho. Os ovos viáveis se camuflam no cabelo da pessoa infectada; o invólucro dos ovos vazios, as lêndeas, são mais visíveis porque são brancas. Muitos chamam de lêndeas tanto os ovos viáveis quanto os invólucros dos ovos vazios.

 

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Os ovos são incubados pelo calor do corpo humano e eclodem em oito a dez dias, em geral. A ninfa deixa o ovo e passa por três estágios até se tornar adulta (entre nove a 12 dias). Depois de cerca de 1,5 dia após se tornar adulta, a fêmea pode se reproduzir. Se a infestação não for tratada, o ciclo se repetirá a cada três semanas. Não tratar a pediculose capilar infantil pode acarretar mau desempenho escolar por causa da coceira, noites mal dormidas e, nos casos mais graves, anemia provocada pela hematofagia desses insetos.

 

Sintomas

 

Os piolhos se alimentam injetando no couro-cabeludo um pouco de saliva, que tem propriedades vasodilatadoras e anticoagulantes, permitindo que o piolho sugue uma pequena quantidade de sangue a cada poucas horas. As picadas provocam:

  • Coceira intensa no couro cabeludo;
  • Feridas causadas pelo ato de coçar;
  • Marcas visíveis deixadas pelas picadas de inseto;
  • Aparecimento de ínguas e infecções secundárias nos casos mais graves de infestação.

 

Transmissão

 

O piolho não pula nem salta, ele se arrasta, por isso só é transmitido por meio de contato direto entre a pessoa infectada e a não infectada. A transmissão devida a compartilhamento de objetos pessoais, como escova de cabelo e roupa de cama, é mais rara.

Porém, ao pentear o cabelo seco é possível produzir eletricidade estática que pode lançar os insetos a até um metro de distância.

 

Diagnóstico

 

O diagnóstico pode ser feito por meio da identificação de lêndeas e piolhos a olho nu ou com auxílio de um pente-fino.

Tratamento

 

É feito à base de inseticidas piretroides de uso local. Depois da aplicação, o medicamento deve permanecer na cabeça protegida por uma touca durante algumas horas. Evite usar sacos plásticos para tampar a cabeça, principalmente em crianças pequenas, que podem se sufocar.

A aplicação deve ser realizada durante cinco dias consecutivos e repetida de sete a dez dias depois para atacar os ovos que ainda não haviam eclodido na fase inicial do tratamento, que deve ser estendido para toda a família e/ou parceiros, mesmo que assintomáticos. É importante que, nas escolas, sem exceção, os alunos que estiveram em contato com a criança afetada sejam tratados concomitantemente.

O kit de tratamento tópico já vem com pente fino para remover as lêndeas mortas. Já existem também medicamentos por via oral contra a pediculose. Depois do tratamento, continue examinando a cabeça das crianças por 2 ou 3 semanas para se certificar que a infestação foi de fato controlada.

 

Recomendações

 

  • Examine com frequência a cabeça das crianças;
  • Não siga receitas caseiras, que além de ineficazes podem fazer mal à saúde. Também não use pesticidas ou substâncias como querosene: além de tóxicos, não matam os ovos;
  • É mais fácil identificar e tratar os piolhos quando o cabelo é curto, mas o comprimento do cabelo não influi no risco de infestação nem em seu tratamento;
  • A família toda deve ser examinada. Se parentes dividirem a cama, devem ser tratados mesmo que não tenham piolhos. Apesar da transmissão por objetos ser mais rara, limpe todos os itens de uso pessoal que tenham entrado em contato com a cabeça da pessoa infectada em 24 a 48 horas antes do início da tratamento (os piolhos morrem em menos de 48 horas sem se alimentar de sangue);
  • As crianças infectadas não precisam faltar na escola, pois a contaminação entre colegas de classe, apenas por coabitarem o mesmo ambiente, não é comum. No entanto, os responsáveis na escola devem ser avisados para que orientem quanto a impedir a transmissão;
  • Instrua as crianças para não usarem escovas de cabelo ou bonés dos colegas de escola;
  • Verifique se cílios e sobrancelhas também não estão afetados pelo inseto.