O perigo dos chás emagrecedores

O uso indiscriminado de fórmulas e chás emagrecedores pode fazer mal à saúde. Entenda. 

Isabelle Manzini

Isabelle Manzini é jornalista e analista de redes sociais. Interessa-se por assuntos relacionados à saúde mental, saúde da população negra e saúde LGBTQIA+.

O uso indiscriminado de fórmulas e chás emagrecedores pode fazer mal à saúde. Entenda. 

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Publicado em: 8 de abril de 2022

Revisado em: 8 de abril de 2022

O uso indiscriminado de fórmulas e chás emagrecedores pode fazer mal à saúde. Entenda. 

 

A promessa de emagrecimento rápido por meio do consumo de “produtos naturais” faz com que muitas pessoas comecem a utilizar fórmulas e chás para perder peso. Sem nenhuma prescrição médica ou acompanhamento, muitas pessoas acabam colocando a própria vida em risco.

Na realidade, nenhum medicamento ou substância tem o poder de acelerar o processo de emagrecimento, pois, para o corpo humano, não é natural perder gordura de forma rápida.

Hepatite, dependência química, efeito sanfona, alterações gastrointestinais, cardíacas e renais são alguns dos problemas relacionados ao uso desses artifícios em excesso, sem orientação médica ou supervisão profissional. 

As misturas preparadas para cápsulas e chás são muito perigosas. Uma fórmula típica de chá ou cápsulas para o emagrecimento contém de 5 a 15 componentes, o que pode causar interação medicamentosa. Além disso, não se sabe exatamente o conteúdo dos produtos vendidos, seu princípio ativo ou se a planta é tóxica para o organismo.

Sob a capa de serem produtos “naturais”, como se isso os isentasse de oferecer riscos à saúde, esses produtos misturam diversas substâncias que podem ser nocivas, tais como:

 

Drogas “tipo-anfetamina” e tranquilizantes

Essa classe de substâncias, como o femproporex e a dietilpropiona, age no sistema nervoso central para diminuir o apetite, mas também provoca agitação psicomotora, insônia, irritação, nervosismo, ansiedade, náuseas, entre outros sintomas desagradáveis. 

Para combatê-los, a fórmula contém tranquilizantes benzodiazepínicos, como diazepam ou clordiazepóxido, além de laxantes, antidepressivos, antiácidos etc.

 

Hormônios tireoidianos 

Esses hormônios ajudariam “tireoides preguiçosas” a trabalharem, mas o consumo pode causar hipertireoidismo, e também perda de massa muscular, osteoporose e queda de cabelo.

Veja também: Vamos falar sobre tireoide? | Ao Vivão #29

 

Diuréticos

Eles são utilizados com a finalidade de aumentar o volume de urina, dando a sensação de que o indivíduo está apenas perdendo líquidos retidos, quando também ocorre a perda de eletrólitos como potássio, sódio e magnésio, além de água. O excesso de diuréticos pode causar desidratação, redução da pressão arterial e arritmia cardíaca.

Há ainda traços de agentes gastrointestinais, como cimetidina, fenolftaleína, dimeticona etc; produtos vegetais (cáscara sagrada, cavalinha, Fucus vesiculosus, entre outros); antidepressivos como a fluoxetina e a sertralina; vitaminas; cloreto de potássio; propranolol etc. 

Todas essas prescrições misturadas se baseiam numa lógica apelidada ironicamente de “princípio da cascata”, segundo a qual sempre haverá um remédio para combater os efeitos colaterais de outro. 

 

O chá-verde

O chá-verde, encontrado encapsulado com as folhas e o talo – produto amplamente utilizado para emagrecimento, de maneira indiscriminada –, pode causar lesão grave no fígado, sobretudo em mulheres. Isso acontece porque a catequina, princípio ativo do chá, pode ser encontrada com concentração de 500 a mil vezes maior nas cápsulas. O problema é que o fígado não tem capacidade de metabolizar toda essa quantidade de catequina, e o excesso da substância agride o órgão.

Veja também: DrauzioCast #155 | Hepatite causada por suplementos e chás

 

Perigo para o fígado

Em geral, o fígado é o órgão que mais sofre com a toxicidade desses produtos. Ele é o responsável por metabolizar – ou seja, transformar e absorver – a maior parte dos medicamentos e suplementos em compostos que podem ser usados pelo nosso organismo, através de processos de depuração, fatoração, acetilação e micronização. 

É durante esse processo que ocorrem, também, as possíveis interações medicamentosas entre duas ou mais drogas ou entre drogas e fitoterápicos, que podem causar danos ao fígado. 

Cada pessoa metaboliza as substâncias de forma diferente. Isso quer dizer que uma pessoa pode metabolizar determinada droga mais rapidamente do que outra e, por isso, não sofrer nenhum dano, enquanto outra pessoa pode fazer uso do mesmo produto, na mesma quantidade, e desenvolver um problema grave. 

A toxicidade é individual. Por isso, toda prescrição médica é baseada em risco e benefício. E, ao contrário do que muitos dos fabricantes dessas misturas alegam, não há droga, suplemento ou chá que seja completamente inofensivo. 

 

Emagrecimento deve ser um processo saudável

Assim como qualquer outro medicamento, os remédios, chás e suplementos que prometem emagrecimento não devem ser tomados por conta própria. Primeiro, porque não há fórmula mágica para emagrecer. Segundo, porque o processo é complexo, e envolve mudanças de hábitos e no estilo de vida. O recomendado é que o processo de emagrecimento seja acompanhado por essas mudanças, além do orientado por endocrinologista e nutricionista.

Veja também: Exercícios e emagrecimento | Artigo

 

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