A trombose venosa profunda é caracterizada pela formação de coágulos sanguíneos (trombos) principalmente nas veias das pernas. Quando esses coágulos se desprendem pela corrente sanguínea e chegam até o pulmão, obstruindo uma artéria, ocorre a embolia pulmonar. Sem intervenção rápida, o problema pode ser fatal.
“A embolia pulmonar é uma das principais doenças associadas à morte súbita. Quando o coágulo que vai para a artéria do pulmão é muito grande, ou se são muitos coágulos, a área do pulmão que deixa de receber sangue fica muito extensa, como também a sobrecarga do coração, podendo ocorrer morte súbita”, afirma Antonio Eduardo Zerati, cirurgião vascular e presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP).
Fatores de risco e sinais de alerta
A incidência da embolia pulmonar aumenta com o envelhecimento, mas ela pode ocorrer em qualquer idade. Existem situações específicas que elevam o risco. Veja as principais:
- internação prolongada e imobilização;
- cirurgias de grande porte, especialmente ortopédicas e abdominais;
- fraturas em membros inferiores;
- câncer e quimioterapia;
- insuficiência cardíaca;
- gravidez;
- uso contínuo de anticoncepcionais hormonais;
- tabagismo;
- obesidade;
- longos trajetos (acima de duas horas) com pouca mobilidade;
- histórico familiar ou distúrbios hereditários da coagulação.
Segundo o especialista, os sinais de alerta que exigem avaliação médica imediata incluem falta de ar súbita, dor no peito que piora ao respirar, tosse com sangue, inchaço em uma perna (ou mais acentuado em uma das pernas), palpitações, tontura e desmaio. Em casos mais graves, a primeira manifestação pode ser um colapso cardiovascular.
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Como diagnosticar e tratar a embolia pulmonar?
A trombose venosa profunda pode ser identificada através de um ultrassom com doppler colorido. Já o diagnóstico da embolia pulmonar geralmente é realizado com tomografia computadorizada do tórax. Outros exames podem ser solicitados para auxiliar no diagnóstico diferencial de outras doenças que causam sintomas semelhantes.
“Quanto mais precoce a identificação da trombose ou da embolia pulmonar, maiores as chances de recuperação. Após o diagnóstico, o tratamento deve ser iniciado imediatamente com medicamentos anticoagulantes. Em alguns casos, procedimentos específicos podem ser necessários”, orienta Zerati.
Ele esclarece que a embolia pulmonar, via de regra, exige internação hospitalar, por vezes em unidades de terapia intensiva (UTI). Casos de tromboses menores em pacientes de baixo risco podem ser tratados com medicamentos em casa.
Prevenção é o melhor caminho
“A embolia pulmonar acontece quando um coágulo formado em veias de outro lugar do corpo se solta e migra para o pulmão. Em mais de 80% das vezes, esse coágulo é formado em veias das pernas. [Portanto], a redução da embolia passa por prevenir a trombose venosa profunda”, destaca o médico.
Para prevenir o quadro, recomenda-se medidas como:
- praticar exercícios físicos regularmente;
- controlar o peso;
- evitar longos períodos de imobilidade;
- manter uma boa hidratação.
Além disso, pessoas com familiares próximos que tenham sofrido trombose venosa ou embolia pulmonar devem buscar avaliação médica para investigar se estão sob maior risco.
No caso de pacientes hospitalizados, que têm risco elevado para o problema, as medidas de prevenção incluem:
- caminhar;
- uso de compressor pneumático intermitente (dispositivo que ajuda na circulação sanguínea), quando o paciente não pode caminhar;
- fisioterapia motora;
- uso de meias de compressão elástica;
- uso de medicamentos anticoagulantes (sempre sob orientação médica);
- implante de filtro de veia cava (dispositivo para reter coágulos, inserido em procedimento minimamente invasivo), para indivíduos que não podem receber tratamento anticoagulante.
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