DPOC exige tratamento precoce, mas diagnóstico muitas vezes é tardio

Dr. Daniel Deheinzelin é médico pneumologista. Faz parte do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês (SP) postou em Drogas Lícitas e Ilícitas

Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é muito prevalente, mas diagnóstico tardio impede tratamento precoce.

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Publicado em: 14 de março de 2013

Revisado em: 29 de julho de 2021

Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é muito prevalente, mas diagnóstico tardio impede tratamento precoce.

 

A sigla DPOC corresponde às iniciais de doença pulmonar obstrutiva crônica, um quadro muito comum na população. Pesquisas em diferentes partes do mundo mostram que um em cada quatro adultos com mais de 40 anos tem uma diminuição do fluxo de ar que sai dos pulmões, caracterizando a obstrução indicada pelo nome da doença. Enquanto a mortalidade por doenças cardiovasculares caiu nas ultimas três décadas, a mortalidade por DPOC dobrou.

A obstrução respiratória é causada por uma reação inflamatória anormal a gases e partículas que entram nos pulmões. Assim, é fácil entender por que o fumo e a poluição estão diretamente associados à DPOC.

Sabemos, hoje, que a DPOC é uma doença sistêmica, e que a reação inflamatória não fica só nos pulmões. DPOC está também associada à doença isquêmica do coração, osteoporose, diabetes, perda de massa muscular, caquexia (emagrecimento exagerado), depressão e câncer de pulmão. Essa associação se explica pela reação inflamatória sistêmica e por esses quadros terem fatores de risco em comum.

O mais importante na definição atual de DPOC é que ela pode ser prevenida e tratada. A estratégia de prevenção mais evidente está na redução do tabagismo. Em países desenvolvidos, verifica-se uma redução na incidência de DPOC que acompanha a redução do hábito de fumar.

Mas não é só o cigarro. Existem outros fatores de risco associados à DPOC, como a queima de madeira e carvão para cozinhar nos países subdesenvolvidos e a poluição, principalmente aquela associada à emissão de gases pelos veículos automotivos, um problema comum nas grandes cidades. Uma boa notícia é que todos esses fatores podem ser modificados, visando à prevenção da doença. A outra é que a DPOC pode ser tratada eficientemente.

Nos últimos anos, grandes estudos mostraram ser possível reduzir a progressão da doença com diferentes combinações de medicamentos. Hoje. a DPOC é classificada em quatro estágios de acordo com o grau de obstrução e, quanto mais precoce o tratamento, mais  chance de desacelerar a progressão da enfermidade, o que acontece com a maioria das doenças com que lidamos.

Aí, então, ressurge um antigo problema. A DPOC é muito pouco diagnosticada. Por exemplo, embora presente em 10% da população da Espanha entre 40 e 80 anos, menos de um terço dos portadores havia sido diagnosticado. O diagnóstico se baseia no quadro clínico, na identificação de fatores de risco e na medida de função pulmonar para verificar a presença de obstrução. Esse exame bastante simples é conhecido por diferentes nomes: prova de função pulmonar, espirometria ou, ainda, como “exame do sopro”.

Em resumo, apesar do nome comprido e feio, DPOC é uma doença muito comum, que pode ser tratada e prevenida. Infelizmente, ela é menos diagnosticada do que deveria.

 

Referência

 Marc Decramer, Wim Janssens, Marc Miravitllesn  Chronic obstructive pulmonary disease Lancet 2012; 379: 1341–51

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