Nimesulida: benefícios, riscos e recomendações médicas - Portal Drauzio Varella
Página Inicial
Medicamentos

Nimesulida: benefícios, riscos e recomendações médicas

Publicado em 07/03/2025
Revisado em 10/03/2025

Com ação rápida e seletiva, a nimesulida alivia dores e inflamações, mas seu uso deve ser monitorado para evitar danos ao fígado.

 

A nimesulida é um medicamento amplamente utilizado para o alívio da dor e inflamação, mas seu uso levanta debates devido aos riscos associados, especialmente à saúde do fígado

“A nimesulida é um medicamento da classe dos anti-inflamatórios. O seu mecanismo de ação é a inibição da ação de uma enzima chamada ciclooxigenase, atuando no controle da dor e de inflamações”, explica a dra. Juliana Pereira, especialista em medicina de emergência e gerente médica do Hospital Santa Paula, em São Paulo. 

A dra. Larissa Baracho Macena, endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês, também na capital paulista, complementa dizendo que ela é reconhecida por suas propriedades analgésicas, anti-inflamatórias e antipiréticas. “Seu mecanismo de ação principal envolve a inibição seletiva da chamada enzima ciclooxigenase-2 (COX-2), responsável pela síntese de prostaglandinas – que são substâncias que mediam processos inflamatórios e a percepção da dor no organismo. Ao bloquear a COX-2, a nimesulida reduz a produção dessas prostaglandinas, aliviando, dessa forma, a inflamação e a dor”, esclarece a médica. 

 

Benefícios da nimesulida em comparação com outros anti-inflamatórios

Em primeiro lugar, a nimesulida possui algumas características que a diferenciam de outros anti-inflamatórios não esteroides. A dra. Juliana destaca que “em comparação com outros da mesma classe (como ibuprofeno, naproxeno e diclofenaco), a nimesulida tem uma ação mais seletiva sobre enzimas específicas, o que reduz o risco dos efeitos colaterais gastrintestinais dessas medicações, mais comumente sintomas de intolerância gástrica como dores e azia, até eventos mais sérios, como gastrite e úlceras”.

A dra. Larissa reforça esse ponto e explica que a nimesulida possui inibição seletiva da COX-2, o que tende, sobretudo, a preservar a COX-1, que é a enzima envolvida na proteção da mucosa gastrointestinal. “Essa seletividade pode resultar em menor incidência de efeitos adversos gastrointestinais, como úlceras e sangramentos, em comparação com outros medicamentos”, afirma. 

Além disso, a especialista menciona que “estudos indicam que a nimesulida possui uma absorção eficiente, proporcionando alívio dos sintomas em um período relativamente curto após a administração”. No entanto, ela alerta que embora todos os anti-inflamatórios dessa classe possam apresentar riscos, a nimesulida, quando utilizada conforme as orientações médicas e por períodos curtos, demonstra um perfil de segurança aceitável.

        Veja também: Nimesulida é tóxica para o fígado e sua venda está proibida em diversos países

 

Efeitos colaterais e riscos

Apesar dos benefícios, a nimesulida pode causar efeitos colaterais. A dra. Juliana aponta que as reações mais comuns incluem sobretudo sintomas como diarreia, náuseas e vômitos. “Outros menos comuns, mas que podem ser mais sérios, são reações da pele e alérgicas. Há também relatos de reações raras, porém graves, de toxicidade ao fígado, com lesão aguda grave e até insuficiência hepática. Estas últimas inclusive levam alguns países a optarem por não comercializar [o medicamento], como os Estados Unidos.”

A dra. Larissa acrescenta que reações cutâneas, como prurido (coceira) e erupções, também podem ocorrer. “Efeitos adversos mais graves, embora menos frequentes, envolvem hepatotoxicidade, manifestando-se por elevações das enzimas hepáticas, icterícia e, em casos raros, insuficiência hepática aguda. Além disso, podem ocorrer reações de hipersensibilidade, e complicações gastrointestinais severas, incluindo úlceras e hemorragias.”

 

Contraindicações e grupos de risco

Desse modo, por conta dos possíveis efeitos colaterais, o uso da nimesulida não é recomendado para todos os pacientes. “O uso de nimesulida por pacientes com problemas hepáticos não é recomendável. Pacientes que usam medicamentos orais para tratamento de hipertensão, diabetes e insuficiência cardíaca também merecem atenção especial devido à interação dela com outros medicamentos de uso contínuo, devendo o risco-benefício do seu uso ser sempre discutido entre médico e paciente”, alerta a dra. Juliana. 

“A nimesulida possui contraindicações específicas. É desaconselhada para pacientes com histórico de reações adversas a esse tipo de antiinflamatório, além de úlceras pépticas ativas ou recorrentes, insuficiência renal ou hepática grave e distúrbios de coagulação”, completa a dra. Larissa. 

 

Dosagem e tempo de tratamento

Por fim, a dosagem e o tempo de uso da nimesulida também devem ser rigorosamente seguidos. Segundo a dra. Juliana, a dose máxima diária é de 200 mg e o seu uso deve ser restrito a um período curto e pontual de tratamento, de acordo com a necessidade de cada paciente.

“Devido ao potencial risco de hepatotoxicidade, é aconselhável que o tratamento seja o mais breve possível, geralmente não excedendo 15 dias. Porém, nos casos de dor/inflamação aguda, o uso do medicamento entre 3 a 7 dias geralmente é suficiente para controle dos sintomas. Entretanto, a duração exata deve ser determinada pelo médico, com base na avaliação clínica individual de cada paciente”, explica a dra. Larissa.

        Veja também: É possível se automedicar com segurança?

Compartilhe