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Drauzio Dichava #2 | A brisa

Fundo azul com uma folha de maconha e texto "a brisa".

Como a maconha age no cérebro? Quais são seus efeitos? Quais os riscos de criar dependência e de causar danos aos usuários? Quem pode e quem não pode usar a droga? 

 

Este episódio de Drauzio Dichava traz opiniões de estudiosos que defendem diferentes pontos de vista: Renato Filev, pesquisador do Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), e doutor Valentim Gentil, professor titular da cadeira de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Entre os vários efeitos da maconha, um dos mais estudados é o impacto no desenvolvimento cognitivo, principalmente relacionado a transtornos psicóticos. “Na fase da puberdade até os 25 anos, quando você interfere no sistema endocanabinoide, você tem alterações cognitivas, de aprendizado, memória, e também dos processos de tomada de decisão, tempo de reação. […] O mais grave desses efeitos, do ponto de vista psiquiátrico, é a deflagração de um quadro de esquizofrenia. Claro que a maconha sozinha não causa esquizofrenia, mas ao juntar com outros componentes — como genético e outras vulnerabilidades –, você tem a antecipação do início do primeiro surto psicótico em cinco a seis anos, dependendo da concentração de THC” afirma o doutor Valentim.

Para Renato Filev, por outro lado, a falta de uma relação causal permite outra abordagem. “Nove em cada 100 usuários de maconha se tornam dependentes, e os psiquiatras têm contato com pessoas que estão procurando ajuda. O nível de THC vem aumentando desde a década de 70, o número de usuários, também. Então, se essa relação de causa e efeito fosse direta, o número de esquizofrênicos também deveria aumentar, mas esse número permanece estável ao longo do tempo. Isso mostra que a maconha não é um fator causador, mas para uma pessoa que tem predisposição, ela pode ser um deflagrador de uma crise ou de um cenário mais crônico.”

Os especialistas também discordam quanto à possibilidade de descriminalização. “Penso que, ao regulamentar, a gente vai poder, através da informação e da fiscalização dos postos de venda, orientar para que jovens não façam uso. Porque, de fato, não sabemos o que a maconha pode causar em um cérebro em desenvolvimento no longo prazo”, opina Filev. A falta de conhecimento sobre tais efeitos coloca o ponto de vista do dr. Valentim na direção oposta. “A gente não sabe o que vai acontecer, e os caras querem legalizar por aí? Eu prefiro que legalize a cocaína. Vai dar psicose aguda, os caras vão ficar muito loucos e fazer muita besteira […], mas talvez eles não fiquem irreversivelmente lesados.”

 

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