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01/12: Dia mundial de combate à aids | Coluna



No Dia Mundial de Combate à aids, dr. Drauzio fala sobre os avanços no tratamento da doença, mas destaca que ainda não há cura. Previna-se.

 

Olha, eu tratei os primeiros casos de aids de São Paulo e outros que vinham de outras partes do país. Naquela época era uma doença fatal, uniformemente. As pessoas adquiriam o vírus, tinham uma infecção aguda, cresciam os linfonodos do corpo, às vezes febre, emagrecimento, candidíase, sapinho na língua, e depois ficavam bem. Acabava tudo, e isso ficava como uma virose. Era a aids na fase aguda, a infecção pelo HIV na fase aguda.

E aí, passados sete, oito, dez anos, às vezes até mais, começavam as infecções de repetição. E aí era uma tragédia. Porque vinha uma infecção atrás da outra, e a doença era uniformemente fatal. Todos morriam. E morriam depois de um grande sofrimento, de estarem emagrecidos, muitas vezes com diarreias crônicas, perdendo peso, uma infecção atrás da outra até chegarem na fase terminal.

Em 1995 surgiram os chamados inibidores da protease, uma classe de medicamentos que revolucionou o tratamento. A aids deixou de ser uma doença fatal e passou a ser uma doença controlável com medicamentos. Os tratamentos evoluíram muito, foram ficando mais simples, menos medicamentos, menos tomadas por dia, e a doença hoje é controlada para aqueles que se dispõem a fazer o tratamento com regularidade. 

Nós avançamos muito. Mas nós não curamos a aids. Você não pode correr o risco de pegar o vírus, porque vai ser um transtorno na sua vida. Vai ter que fazer exames de laboratório periódicos, tomar medicamentos todos os dias. Os medicamentos hoje têm menos efeitos colaterais do que tinham no passado, mas têm! A sua vida não vai ser igual, de jeito nenhum.

Então nós temos que continuar tomando todas as precauções. Hoje nós temos até tratamentos para impedir a gente de pegar o vírus, procure se informar. A aids é uma doença controlável, não é mais uma sentença de morte. Eu tenho doentes tomando esses medicamentos há 20 anos ou mais e bem, levando vida normal com um ou outro efeito colateral mais desagradável. Mas a doença ainda não é curável. Nós tivemos um grande avanço. Vamos aproveitar esse avanço. Mas aqueles que não têm o vírus ainda não podem pegar. E você sabe como faz para não pegar o vírus de jeito nenhum. 

Veja também: DrauzioCast #156 | Tratamento de prevenção e de pós-exposição ao HIV