O reumatismo não piora no frio; na verdade, a sensação de que a dor piora nesta época está relacionada aos músculos, que sofrem retração. Alongamento pode ajudar. Saiba mais.

 

Pessoas com doenças nas articulações, como artrite reumatoide e artrose, frequentemente sentem que a dor piora no frio. Não é impressão, a queda da temperatura de fato pode intensificar a dor. Entretanto, esse efeito nada tem a ver com desencadeamento nem com agravamento da doença, pois não é a articulação que dói. “No frio, a musculatura se retrai, fica mais rígida, menos elástica. Então, na hora em que o paciente precisa alongar o músculo, ele sente desconforto, mas isso não tem nada a ver com a doença”, explica o reumatologista Rubens Bonfiglioli, presidente da Sociedade Paulista de Reumatologia e professor da Faculdade de Medicina da PUC-Campinas. Ou seja, não é o reumatismo que piora com o frio, e sim os músculos que doem devido à inatividade.

 

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Outro fator que contribui para a percepção de que o reumatismo piora no frio é a alteração na circulação sanguínea. Para poder reter o calor no organismo, os vasos se contraem, o que faz com que determinadas regiões, principalmente as periféricas (mãos e pés), sejam menos irrigadas e fiquem mais sensíveis. Às vezes, essa resposta à baixa temperatura é exagerada, constituindo o chamado Fenômeno de Raynaud, que provoca até o arroxeamento das pontas dos dedos por falta de oxigenação adequada, o que intensifica a sensação de dor. Ainda assim, tais efeitos não significam que a doença reumática tenha piorado.

 

Atividade física ajuda a diminuir a dor

 

Embora a atividade física seja cada vez mais estimulada entre pessoas de qualquer idade, de maneira geral o sedentarismo ainda é mais frequente conforme a idade avança. Em épocas frias, em que mesmo pessoas ativas tendem a se movimentar menos, o quadro piora. Acrescente uma doença reumática a esse cenário e tem-se todas as condições para que idosos fiquem muito retraídos. Embora a intuição aponte que ficar imóvel seja a melhor forma de combater a dor, ocorre justamente o oposto: manter-se ativo é o melhor modo de amenizar o desconforto. “A gente ouve direto no consultório: ‘Com esse tempo, só levantar da cadeira já dói’. Esse é justamente um indicativo para que a pessoa vá fazer atividade física”, afirma Bonfiglioli.

Qualquer pessoa com queixas relacionadas à locomoção deve procurar um reumatologista. Muita gente toma um remédio ao menor sinal de dor, quando muitas vezes um exercício ou aquecimento local, resolveria. O reumato é o clínico do aparelho locomotor.

O ideal é procurar atividades que alonguem os músculos próximos da articulação afetada, mas tomando precauções para não submeter a região a impactos. Muitas pessoas acima dos 60 anos têm artrose nos joelhos, por exemplo. Agachamentos, nesse caso, não são indicados, pois apesar de exercitarem a musculatura das coxas — ligadas aos joelhos –, eles impactam a articulação. “Alongamentos são a forma mais simples de combater a dor do frio. Hidroterapia com água quente também pode ajudar muito, às vezes até mais que medicamentos”, explica o reumatologista. Vale ressaltar que hidroterapia e hidroginástica são diferentes. A hidroginástica consiste em exercícios aeróbicos feitos dentro da piscina. A hidroterapia também é feita em piscinas, mas utiliza movimentos mais próximos da fisioterapia, com acompanhamento de um profissional dessa área. Ambas ajudam a fortalecer a musculatura e atuam contra a dor no frio.

 

Em certos casos, o frio pode diminuir a dor

 

A dor por rigidez muscular não deve ser confundida com a dor de inflamação da articulação, essa sim uma dor que tem origem na doença reumática. Nesses casos, a crioterapia (uso do frio para melhora do quadro) é mais indicada. “Em um caso de artrite, por exemplo, em que a região esteja quente e vermelha, ao aplicar temperatura fria você ameniza o processo de inflamação aguda”, explica o dr. Rubens. Pode ser feita uma compressa simples, com bolsas térmicas vendidas em drogarias, ou simplesmente gelo envolto em um pano para evitar queimaduras.

Ainda que as dores sejam contornáveis com medidas caseiras — sejam exercícios, sejam bolsas de gelo –, é fundamental manter acompanhamento médico. Segundo o especialista, mesmo quem já tem uma doença diagnosticada e segue um tratamento prescrito deve contar com um especialista em caso de dores recorrentes. “Qualquer pessoa com queixas relacionadas à locomoção deve procurar um reumatologista. Muita gente toma um remédio ao menor sinal de dor, quando muitas vezes um exercício ou aquecimento local, resolveria. O reumato é o clínico do aparelho locomotor”, afirma.