Há atitudes que ajudam a enfrentar a dor e possibilitam a reinvenção da vida. Conheça o projeto de um grupo de mulheres que tentam desmistificar a morte.

 

A morte ainda é considerada um grande tabu pela sociedade. Pouco se fala (e se evita falar) sobre o assunto, e na maioria das vezes as pessoas não sabem como lidar com o enlutado.

A fim de abrir espaço para o debate e ajudar as pessoas a passar por essa situação de maneira mais harmoniosa, sete amigas de São Paulo que tiveram grandes perdas resolveram fazer alguma coisa por amigos e desconhecidos que ainda enfrentarão esse processo. Surgia, assim, o projeto “Vamos falar sobre o luto?”.

Na primeira etapa, elas dispuseram em um site um espaço em que as pessoas puderam escrever sobre o que estavam sentindo e contar como lidaram com as perdas, as angústias e medos, em quantos caracteres fosse necessário. Para espanto e alegria das organizadoras, após os primeiros minutos em que a plataforma entrou no ar, começaram a chegar respostas dos mais variados lugares. Na verdade, no início elas não acreditaram que alguém pudesse se sentar em frente ao computador e contar sua história pessoal para estranhos.

Ao final dessa primeira etapa, elas colheram depoimentos de mais de 170 pessoas, que falavam de lutos antigos (mais de 30 anos de perda) e recentes e mandavam e-mails longos, com detalhes ricos e sinceros.

Concomitantemente, as organizadoras produziram algumas rodas de conversa, que contaram com a presença de médicos e psicólogos especializados em luto.

Dessa experiência foi feito um minidocumentário com os depoimentos, lançado em junho de 2015, em São Paulo. Na ocasião, também houve uma mesa de conversa com as psicólogas especializadas em luto Adriana Thomaz e Gabriela Casellato e a médica especialista em cuidados paliativos Ana Cláudia Arantes.

O próximo passo do projeto, que visa a quebrar o silêncio e fazer as pessoas falarem sobre suas perdas, é conseguir colocar no ar uma plataforma mais completa que compartilhe experiências, contenha opiniões de especialistas e possa ser um local de reflexões. Para que isso seja possível, elas buscam financiamento coletivo (crowdfunding).

Para saber mais sobre a iniciativa, clique aqui.