Diante de um episódio de convulsão, saiba como ajudar alguém com crise epiléptica.

 

epilepsia é um distúrbio neurológico caracterizado por crises convulsivas recorrentes, geradas por uma atividade elétrica anormal das células cerebrais. As crises epilépticas podem ser de vários tipos, dependendo da área do cérebro afetada.

A maioria dos indivíduos que sofrem de crises epilépticas é capaz de trabalhar e levar uma vida normal. Apesar disso, a epilepsia ainda é muito estigmatizada e traz consequências para o dia a dia dos pacientes, tanto no aspecto profissional quanto social, principalmente para quem tem crises mais graves e frequentes.

Para impedir as crises de epilepsia, é extremamente importante seguir o tratamento e não abandoná-lo. Em geral, este inclui apenas uma medicação diária, que é fornecida pelo Ministério da Saúde ou pela Unidade Básica de Saúde, e acompanhamento médico regular.

Segundo a médica neurologista e neurofisiologista do Hospital Santa Paula (SP), Luciana Rodrigues De Marchi, uma vez diagnosticada a epilepsia, inicia-se o tratamento, que costuma trazer resultados satisfatórios em até 70% dos casos. “Os outros 30% são chamados de epilepsia refratária, que só são tratados por meio de cirurgia, dieta cetogênica (pouco carboidratos) e neuromodulação (com ondas eletromagnéticas)”, explica a médica.

 

 Orientações sobre como ajudar alguém com crise epiléptica

 

  • Coloque-a deitada e retire de perto objetos que possam lhe machucar. A área ao seu redor deve ficar livre;
  • Não impeça seus movimentos. Não a segure, não lhe dê tapas nem jogue água ou qualquer outra substância líquida;
  • Proteja-lhe a cabeça para que ela não bata no assoalho com os movimentos. Para isso, basta colocar um objeto macio embaixo da cabeça, como uma almofada, para impedir que a pessoa se machuque;
  • Não insira nenhum objeto na boca da pessoa, pois isso pode feri-la ou aumentar o risco de aspiração de líquidos, como saliva;
  • Levante seu queixo para facilitar a passagem de ar e vire-a de lado, para que ela não aspire saliva ou vômito. A região da boca deve permanecer seca para facilitar a entrada de ar e evitar a aspiração de líquidos pelas vias aéreas. A epilepsia não é transmissível, portanto não há problema em limpar a região oral;
  • Afrouxe-lhe as roupas;
  • Atenção: crises com duração maior que cinco minutos devem ser tratadas como emergência médica, assim como as que se repetem em um intervalo de cinco minutos sem que a pessoa recupere a consciência. Isso pode acontecer na primeira manifestação da doença, quando o paciente abandona o tratamento ou mesmo quando faz uso regular das medicações, ou ainda como complicação de alguma outra doença associada, como uma infecção, por exemplo. Nesses casos, chame uma ambulância;
  • Não tente proteger a língua da pessoa, pois ela poderá mordê-lo ou se machucar. A crença popular de que é possível enrolar e engolir a língua  durante a crise não tem fundamento. A língua é um músculo e, como os demais, também se contrai durante a crise. O máximo que poderá acontecer é o paciente mordê-la e feri-la, mas ela cicatrizará normalmente depois.