10 perguntas e respostas sobre a primeira consulta com ginecologista

A primeira consulta com o ginecologista não precisa ser um “bicho de sete cabeças”. Tire suas dúvidas e vá tranquila.

Beatriz Zolin

Beatriz Zolin é estudante de Jornalismo e estagiária no Portal Drauzio Varella. Tem interesse por assuntos relacionados à saúde e sociedade, sexualidade e psicologia.

A primeira consulta com o ginecologista não precisa ser um “bicho de sete cabeças”. Tire suas dúvidas e vá tranquila.

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Publicado em: 20 de julho de 2022

Revisado em: 20 de julho de 2022

A primeira consulta com o ginecologista não precisa ser um “bicho de sete cabeças”. Tire suas dúvidas e vá tranquila.

 

É comum ouvir que o ginecologista é o médico mais importante na vida da mulher, pois a acompanha desde a puberdade. O contato inicial é visto quase como um rito de passagem, que põe fim à infância e dá início à adolescência. 

Tanta expectativa faz com que a primeira consulta com esse profissional seja cercada de tensão. Algumas meninas, tentando lidar com as diversas transformações no corpo, ficam nervosas com a possibilidade de ter que falar sobre isso com um médico. Outras, sem a oportunidade de se consultar com um ginecologista tão cedo, se sentem envergonhadas de procurá-lo mais tarde.

Para amenizar a ansiedade e mostrar que o primeiro atendimento pode ser uma experiência agradável, a dra. Jamille Barreto, ginecologista da Bahia, responde às principais perguntas sobre o assunto: 

 

1. Com quantos anos é preciso ir ao ginecologista?

Diferentemente do que a maioria das pessoas pensa, a primeira consulta com o ginecologista não precisa ser depois da menarca (primeira menstruação). Na verdade, o indicado é que ela aconteça por volta dos 10 anos, quando surgem os sinais iniciais da puberdade.

“É importante avaliar se a jovem está tendo um desenvolvimento adequado para a idade. Nessa fase, ela pode começar a apresentar queixas específicas que o pediatra não necessariamente vai saber acompanhar”, explica a dra. Jamille.

 

2. Tem problema ir pela primeira vez ao ginecologista depois de adulta?

“Já atendi paciente com 28 anos que estava indo ao ginecologista pela primeira vez. Tinha vergonha de dizer que nunca havia ido e deixava a consulta para depois”, conta a dra. Jamille.

Ainda que a recomendação seja aos 10 anos, não há idade certa para procurar o especialista. Mesmo que a mulher já tenha iniciado a vida sexual, não é preciso esperar o surgimento de um problema para procurá-lo. Nas consultas de rotina, o ginecologista é capacitado para esclarecer dúvidas sobre anatomia, higiene e outros cuidados íntimos.

Veja também: Da primeira menstruação à primeira relação sexual | Entrevista

 

3. Como escolher o profissional mais adequado?

E, falando em intimidade, é normal sentir certo nervosismo sobre a possibilidade de compartilhar hábitos e informações tão pessoais com alguém, ainda que seja um médico. Por isso, a confiança no ginecologista é fundamental. Para esse primeiro contato, a dra. Jamille indica:

“É interessante buscar um profissional que já tenha atendido alguém da família ou uma pessoa conhecida. Assim, fica mais fácil ter uma ideia de como será a abordagem”.

 

4. O que o ginecologista vai me perguntar?

É claro que a própria paciente também precisa fazer a sua parte. Para que o ginecologista possa instruí-la da melhor maneira, é importante separar algumas informações básicas antes da consulta, tais como:

  • Datas e particularidades do ciclo menstrual;
  • Características da alimentação;
  • Frequência e prática de exercícios físicos;
  • Atualizações sobre a caderneta de vacinação;
  • Casos de alergias;
  • Medicamentos de rotina;
  • E histórico familiar de doenças.

 

5. O que eu preciso saber sobre a minha menstruação?

Em relação à menstruação, valem algumas anotações especiais:

“Se já tiver menstruado, é essencial que a paciente saiba dizer as características do ciclo: com quantos anos menstruou pela primeira vez? Essa menstruação durou quantos dias? Quando foi a última menstruação? O ciclo é regular ou irregular? Tem cólica, dor de cabeça, enjoo ou outros sintomas?”, exemplifica a dra. Jamille.

Atualmente, existem diversos aplicativos e calendários online que podem ser utilizados para organizar esse tipo de informação.

Veja também: Coisas que acontecem no corpo durante a menstruação: o que é normal?

 

6. Como é a primeira consulta?

O primeiro encontro da paciente com o ginecologista é baseado, na maioria das vezes, na conversa. Segundo a dra. Jamille, esse momento é crucial para estabelecer o vínculo com a mulher a fim de que ela se sinta à vontade para trazer suas dúvidas e questionamentos.

Em geral, a conversa se desenrola a fim de avaliar três aspectos principais: 

  1. Se está tudo bem com o desenvolvimento do corpo, em especial as mamas, a região genital e o aparelho reprodutor; 
  2. Se a menstruação está acontecendo de forma regulada e sem nenhum prejuízo à qualidade de vida da mulher; e 
  3. Se ela conhece os métodos de contracepção e prevenção de ISTs, caso já tenha iniciado a vida sexual.

A própria paciente pode aproveitar para tirar suas dúvidas, como por exemplo:

  • Meu fluxo menstrual está normal?
  • Como fazer a higiene correta durante a menstruação?
  • Como aliviar as cólicas e as mudanças de humor causadas pela menstruação?
  • Meus seios ainda vão crescer?
  • Como fazer o autoexame?
  • Posso usar absorvente interno?
  • O “molhadinho” que fica na minha calcinha é normal?
  • Como me proteger de uma IST?
  • Como prevenir uma gravidez?
  • O que é e o que não é normal sentir durante o sexo?
  • Eu preciso tomar pílula anticoncepcional?

 

7. O ginecologista vai perguntar sobre a minha vida sexual?

Nesse bate-papo, é esperado que o ginecologista pergunte se a paciente já teve relações sexuais. Isso não é uma forma de incentivar a vida sexual precoce, pelo contrário: o objetivo é orientá-la para que o faça apenas quando se sentir confortável e de forma segura. 

“Sempre com muito cuidado, a gente conversa para mostrar a ela todas as possibilidades de contracepção e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis. Às vezes, elas conversam com amigas e primas, mas não têm um profissional do lado para tirar essas dúvidas”, detalha a dra. Jamille.

 

8. Já vou ter que fazer exame físico logo de cara?

Na primeira consulta, além da conversa, há a possibilidade de serem realizados exames físicos. Eles servem para garantir que tudo está de acordo com o esperado para a idade. “Mas, se a paciente não se sentir à vontade, eles podem ser adiados para uma consulta futura”, tranquiliza a ginecologista.

O exame ginecológico costuma ser feito a partir do toque do profissional, não dói e serve para avaliar se os órgãos internos e externos estão todos saudáveis. 

O teste de Papanicolaou, por sua vez, faz uso de um espéculo (instrumento parecido com um bico de pato) e serve para detectar o câncer de colo de útero. Este exame só é indicado para as mulheres que já têm vida sexual ativa, em especial entre os 25 e os 59 anos.  

Veja também: Importância do Papanicolaou | Dicas de Saúde

 

9. Posso entrar na sala de consulta sozinha?

Para as adolescentes, fazer exames como esses ou falar sobre a vida sexual na frente dos pais pode ser motivo de vergonha. Por isso, é importante lembrar que, pela lei, elas têm o direito de entrar ou até agendar a consulta sozinhas, mesmo sendo menores de idade.

O ginecologista, por sua vez, é obrigado a manter sigilo do que for conversado dentro do consultório, a não ser em casos de complicações graves que exijam o conhecimento do responsável. Sendo assim, a menina pode falar sobre o que quiser sem medo de que o profissional vá contar para os pais.

 

10. O que os pais podem fazer para ajudar?

“Os pais devem conversar com as filhas e explicar o motivo da marcação do atendimento, a fim de mostrar a importância de conhecer um profissional que vai ajudá-la futuramente”, recomenda a dra. Jamille. A menina nunca deve ser levada contra a sua vontade, pois ela precisa entender que o ginecologista está ali para apoiá-la.

Se os pais optarem por permanecer na sala durante a consulta, o ideal é deixar que a adolescente se expresse e diga o que sente, sem ficar falando em seu lugar. 

No dia a dia, a dica é ensinar a filha a conhecer o próprio corpo para melhorar a forma com a qual ela irá se relacionar com a menstruação, com os órgãos genitais e até mesmo com a sexualidade futuramente.

Veja também: Primeira consulta com ginecologista | Entrevista

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