Onicomicose (micose de unha) é uma infecção causada por fungos que atingem as unhas.

 

Micose é o nome genérico que se dá a diferentes tipos de infecções causadas por fungos, formas bastante simples de vida, invisíveis a olho nu, que se valem da queratina existente em nossas unhas, pele e cabelos como fonte de nutrição. De diferentes tamanhos, os fungos habitam os mais diversos ambientes e proliferam especialmente quando encontram condições favoráveis de temperatura, umidade e ausência de luz.

 

Veja também: Frieira (Pé de atleta)

 

Onicomicose é o nome atribuído à mais comum das infecções causadas por fungos, que acometem as unhas e o tecido ao redor, as dobras periunguiais. A doença pode afetar tanto as unhas das mãos quanto as dos pés. Em geral, a unha do dedo grande do pé (hálux) é o ponto mais vulnerável à infecção fúngica, uma vez que o uso rotineiro de calçados fechados cria o ambiente adequado para a proliferação dos fungos, que penetram através de pequenas lesões na pele e se instalam debaixo das unhas.

Pé de atleta ou frieira, nomes populares pelos quais é conhecida a tinea pedis, é um exemplo de infecção fúngica muito comum e contagiosa que se desenvolve principalmente na pele entre os artelhos, mas que pode alcançar as laterais e a sola do pé para depois atingir as unhas, onde os fungos se alojam provocando um quadro de onicomicose.

 

Agentes da infecção

 

Vários tipos de fungos podem estar envolvidos no desenvolvimento da onicomicose. Entre eles, vale destacar:

  • O grupo dos dermatófitos – fungos filamentosos que se valem da queratina como fonte nutricional;
  • As leveduras – fungos unicelulares que se reproduzem rapidamente e atacam com maior frequência as unhas das mãos;
  • Os fungos filamentosos não dermatófitos, encontrados comumente na natureza como saprófitas do solo (organismos que se alimentam de matéria orgânica em decomposição e contribuem para a reciclagem de nutrientes) ou como patógenos capazes de provocar doenças nos hospedeiros.

Fatores de risco

 

São considerados fatores de risco para o desenvolvimento da onicomicose:

  • Idade –depois dos 40 anos, o risco da onicomicose aumenta, especialmente porque as unhas crescem mais devagar à medida que as pessoas envelhecem;
  • Microtraumas repetitivos sobre a lâmina ungueal relacionados à pratica de esportes, pois podem provocar lesões na pele que servem de porta de entrada para os fungos;
  • Sistema imunológico debilitado;
  • Uso prolongado de antibióticos;
  • Diabetes mellitus e suas complicações;
  • Histórico familiar da doença;
  • Má circulação do sangue periférico;
  • Contato constante com água e sabão.

 

Classificação clínica

 

De acordo com a área da unha afetada pela infecção, a onicomicose pode ser classificada nos seguintes tipos:

  • Subungueal (debaixo da unha) distal (periférico, na borda livre) lateral – é o tipo mais comum, que se manifesta principalmente nas unhas dos pés. O fungo se instala na borda livre e invade o leito ungueal, provocando o descolamento da unha, que fica oca e ganha aspecto leitoso, esbranquiçado;
  • Endonyx – variante da lateral distal com a diferença de que o fungo infecta as lâminas ungueais sem afetar o leito;
  • Subungueal proximal – tipo raro de onicomicose que se manifesta, em geral, nas pessoas imunossuprimidas. O fungo alcança a matriz da unha através da prega ungueal e provoca o aparecimento de manchas brancas (leuconia), que avançam para frente à medida que a unha cresce;
  • Subungueal superficial branca – afeta mais as unhas dos pés. O fungo ataca diretamente a superfície da lâmina ungueal, onde surgem manchas brancas, que podem corroer toda unha,
  • Distrófica total – qualquer um dos tipos pode provocar a destruição completa da unha, deixando apenas restos deformados de queratina no local.

 

Sintomas

 

Muitas vezes, a onicomicose tem origem numa afecção por fungos na pele ou no couro cabeludo, que passa para as unhas. Os sintomas variam de acordo com o agente da infecção. De maneira geral, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, os principais sinais da doença são:

  • Variação da cor da unha, que se torna esbranquiçada e/ou adquire tons amarelados ou escuros;
  • Onicólise – descolamento da borda livre que começa pelos cantos da unha e deixa um espaço oco sob a lâmina, onde se acumulam fungos, bactérias e restos de queratina;
  • Espessamento – as unhas ficam mais duras, mais grossas e opacas;
  • Leuconia – manchas brancas se instalam na superfície da unha (lâmina ungueal);
  • Destruição da lâmina e deformidades que se instalam porque as unhas se tornam mais frágeis e quebradiças;
  • Dor de intensidade variável e odor desagradável.

 

Observação importante: A infecção pelos fungos Candida albicans e Malassezia furfur causa uma reação inflamatória que acomete as dobras da pele ao redor da unha e é provocada pela perda da cutícula. A lesão se manifesta principalmente nas mãos de pessoas que lidam com água e produtos químicos (sabão, detergente, desinfetantes, por exemplo) ou naquelas que sofreram pequenos traumatismos ou ferimentos no local. Conhecida pelos nomes de paroníquia, unheiro ou panarício, os sintomas são inflamação, inchaço, dor, vermelhidão nas dobras de pele em torno da unha e, ocasionalmente, pus em sua base. O agravamento do quadro pode resultar em deformações na superfície da lâmina ungueal, que cresce ondulada por causa da inflamação na matriz da unha.

Diagnóstico

 

A aparência das unhas afetadas pela onicomicose é um elemento importante para definir o diagnóstico clínico da doença, mas não basta. É preciso identificar o agente infeccioso a fim de estabelecer o diagnóstico diferencial com outras doenças dermatológicas, como a psoríase, líquen plano, eczemas e o melanoma subungueal que, embora incomum, pode surgir embaixo da unha. Nesse sentido, o exame micológico direto e o de cultura são úteis para pesquisar a presença e as características do agente infectante em fragmentos obtidos pela raspagem das unhas doentes.

Fontes de contágio

 

Apesar de ser uma forma de contágio incomum, a onicomicose pode ser transmitida de uma pessoa para outra pelo contato direto. O mais frequente, porém, é a infecção ser transmitida pelo uso de objetos pessoais contaminados, como pentes, escovas de cabelos, lixas, cortadores, tesouras e alicates de unhas.

Compartilhar toalhas de banho, roupas de cama e de uso pessoal também pode facilitar a transmissão do fungo responsável pela doença. Há casos em que a própria pessoa pode passar o fungo para as unhas, quando coça o couro cabeludo ou uma área da pele já acometida pela infecção micótica.

Os fungos patogênicos associados à micose de unha podem estar, ainda, no solo, nas plantas, nos animais de estimação. Sempre é bom lembrar que esses organismos microscópicos têm predileção por ambientes escuros, quentes e úmidos. Por isso, banheiros, chuveiros, vestiários, piscinas de clube são considerados áreas de risco para as infecções micóticas nas unhas dos dedos dos pés, especialmente se a pessoa tiver o hábito de caminhar descalça nesses lugares.

 

Tratamento

 

Diagnóstico precoce, identificação do fungo infectante e do estágio em que se encontra a lesão são elementos fundamentais para nortear o tratamento da onicomicose. Para tanto, é possível contar com medicamentos antifúngicos de uso tópico na forma de cremes, soluções (tioconazol) e esmaltes (amorolfina), ou ministrados por via oral (itraconazol, terbinafina e fluconazol).

A experiência clínica tem mostrado que combinar os dois tipos de medicação – para uso externo e por via oral – induz melhor resposta nos casos mais graves da onicomicose. No entanto, nem sempre é possível utilizar esse esquema terapêutico, porque as drogas por via oral podem produzir efeitos colaterais indesejáveis e são contraindicadas para pessoas com função hepática alterada. A remoção cirúrgica da unha doente pode ser um recurso nos casos em que a resposta ao tratamento convencional é insatisfatória.

Embora já tenha sido reconhecida pelo FDA (Food and Drug Administration, agência norte-americana reguladora  de alimentos e medicamentos) dos Estados Unidos e pela Anvisa, no Brasil, ainda não há consenso quanto à aplicação de raios laser no tratamento das onicomicose.

 

Prevenção

 

A prevenção da onicomicose depende diretamente da adoção de cuidados básicos de higiene. Fungos estão por toda a parte. O desafio é impedir que estabeleçam colônias no nosso organismo.

Medida essencial é manter as unhas curtas e limpas, cuidando para que não haja condições para o acúmulo de resíduos que possam favorecer a proliferação dos fungos. A atenção deve ser redobrada com os dedos grandes dos pés, mais vulneráveis às infecções fúngicas.

A onicomicose é uma doença contagiosa que dá às unhas aspecto antiestético, de desleixo.  Se acaso você perceber que já foi infectado, não se automedique. Procure um especialista para orientar o tratamento e siga à risca suas instruções, a fim de evitar a propagação do fungo no ambiente que frequenta. É sempre importante manter as pessoas próximas informadas sobre os cuidados necessários para afastar o risco da infecção.

 

Fontes

 

Sociedade Brasileira de Dermatologia

www.mayoclinic.org/diseases-conditions

www.clevelandclinic.org/disease&conditions

www.uptodate.com

www.dermato.med.br/publicaçoes/artigos

www.msdmanual.com/pagina inicial Disturbios da pele/ Doenças ungueais

www.mdsaude.com/ Doençasinfectocontagiosas/

www.orientacaomedicaessencial.com.br/micose-de-unha-sinais-e-tipos-de-onicomicose/

www.micologia.com.br/onicomicose.shtml

www.sbd.org.br/dermatologia/unhas/doenças-e-problemas/onicomicose

www.galderma.com.br/Foco-na-Pele/Onicomicose