O esôfago é um órgão tubular oco, com aproximadamente 25 cm de comprimento, que faz parte do sistema digestório. Ele começa no pescoço como continuação da faringe, na altura da sexta vértebra cervical, e desce atrás do esterno e na frente da coluna vertebral, até alcançar o estômago depois de atravessar o hiato esofágico do diafragma.

É através do esôfago que alimentos sólidos, pastosos e líquidos chegam ao estômago, impulsionados por movimentos peristálticos involuntários e automáticos que promovem o avanço de seu conteúdo.

A parede do esôfago é formada por quatro diferentes camadas: mucosa (tecido que reveste o interior do esôfago), submucosa (formada por tecido conjuntivo, contém vasos sanguíneos, nervos e glândulas que produzem muco), muscular (constituída por músculos longitudinais e circulares) e adventícia (a mais externa, também formada por tecido conjuntivo).

Nas extremidades superior e inferior do esôfago, existe uma espécie de válvula – os esfíncteres esofágicos superior e inferior – que abre e fecha a fim de permitir ou interromper a passagem do bolo alimentar no seu percurso pelo sistema.

O câncer de esôfago é uma lesão maligna que, geralmente começa nas células que revestem o interior do órgão. Ele acomete mais os homens do que as mulheres, entre 50 e 70 anos de idade.

Tipos

O câncer de esôfago é classificado de acordo com as células que sofreram mutações e se multiplicaram desordenadamente. Os dois tipos mais frequentes são:

  1. Carcinoma epidermoide escamoso ou carcinoma das células escamosas – mais comum nos negros, é responsável por mais de 90% dos casos de câncer de esôfago. Em geral, o tumor se manifesta nas células escamosas que revestem o terço superior e médio do esôfago e está especialmente associado ao consumo de tabaco e álcool;
  2. Adenocarcinoma – mais comum nos brancos, o número de casos vem aumentando muito ultimamente. A lesão começa nas glândulas secretoras de muco, especialmente no terço inferior do esôfago. Na maioria das vezes, a doença está correlacionada com o estômago de Barrett, a esofagite de refluxo crônica, a obesidade e fumo.

Observação: carcinoma de pequenas células, sarcoma, linfomas, tumores adenoides-císticos são tipos mais raros do câncer de esôfago. Todos juntos correspondem a 5% dos casos da enfermidade.

Causas/fatores de risco

A irritação crônica do esôfago pode contribuir para mudanças no DNA das células que revestem o órgão, o que facilita o aparecimento de tumores malignos.

O fumo é o principal fator de risco para a doença. O outro é a ingestão sistemática de álcool. Em especial, a associação do tabaco (cigarro, charuto ou cachimbo) à bebida alcoólica funciona como agravante para o aparecimento do carcinoma epidermoide.

Além dos já citados, são considerados fatores de risco para o aparecimento do câncer de esôfago:

  1. Esôfago de Barrett e esofagite de refluxo – alteração na forma das células que revestem a parte inferior do esôfago, provocada pela acidez do refluxo gastroesofágico;
  2. Acalasia – alteração na cárdia (esfíncter esofágico inferior) que dificulta a passagem do alimento para o estômago e pode evoluir para a dilatação do esôfago;
  3. Tilose – hiperqueratose palmar e plantar (endurecimento da pele provocado pela produção excessiva de queratina);
  4. Megaesôfago causado pela doença de Chagas que leva à perda dos movimentos peristálticos;
  5. Homens com idade superior a 50 anos;
  6. Dieta pobre em frutas, legumes, verduras e vitaminas A, B e C;
  7. Consumo de alimentos (ex: picles e milho) contaminados por fungos, como Geotrichum candidum e Aspergillus sp) e de líquidos muito quentes;
  8. Obesidade;
  9. Ingestão acidental ou não de produtos cáusticos;
  10. Tumores de garganta, boca e pescoço.

Sintomas

Nas fases iniciais, os tumores de esôfago costumam ser assintomáticos e não é raro o diagnóstico ocorrer por acaso. Os sintomas costumam aparecer, e são progressivos, quando a doença já está nos estágios mais avançados.

Entre eles, destacam-se:

  1. Disfagia – dificuldade progressiva para engolir alimentos sólidos, no início, e líquidos com a evolução da doença;
  2. Odinofagia – dor ao engolir;
  3. Dor atrás do esterno, o osso do peito;
  4. Perda de peso provocada pela dificuldade deglutir os alimentos;
  5. Má digestão e azia;
  6. Rouquidão, tosse, falta de ar, náuseas, vômitos, hemorragia digestiva e pele amarelada são sintomas indicativos de metástases pulmonares e hepáticas.

Diagnóstico e estadiamento

O exame mais importante para diagnóstico dos tumores de esôfago é a endoscopia digestiva alta, que permite enxergar o órgão por dentro e retirar amostras de tecido para exame anatomopatológico, se houver lesões suspeitas.

Uma vez confirmado o diagnóstico, pode ser necessário realizar outros exames – tomografia computadorizada, PET-TC, broncoscopia, ultrassom, ecoendoscopia – para determinar o estadiamento do tumor maligno. Ou seja, é preciso saber se as células cancerosas estão confinadas na camada superficial que reveste o esôfago (estádio I), se já atingiram as camadas mais profundas do esôfago (estádio II), ou o sistema linfático e os órgãos vizinhos, como os brônquios, traqueia e estômago (estádio III) e se existem metástases em órgãos mais distantes, como pulmões, fígado e ossos (estádio IV).

Tratamento

Definir o estádio em que a doença se encontra e as condições clínicas do paciente são duas medidas fundamentais para definir o tratamento dos tumores de esôfago. A cirurgia é indicada em grande parte dos casos. Quando a doença está restrita às camadas superficiais do esôfago e o tumor é pequeno, ela pode ser realizada por via endoscópica, sem necessidade de cortes.

A cirurgia radical (esofagectomia) é uma opção para a retirada do tumor por via aberta e pode ser realizada de acordo com diferentes técnicas. Há situações, porém, em que é necessário diminuir o tamanho da lesão antes de intervir cirurgicamente.

Cirurgia, radioterapia e quimioterapia, associadas ou não, são recursos importantes no tratamento dos tumores de esôfago. No entanto, nos casos em que o tumor dificulta muito ou impede a alimentação, é possível desobstruir a passagem introduzindo um stent autoexpansivo semelhante ao usado em cardiologia, ou com aplicações de raios laser. Outra opção é colocar sementes radioativas em contato direto com o tumor (braquiterapia).

Quando esses procedimentos não são possíveis, para evitar que o paciente fique desnutrido, a alimentação pode ser mantida através de sondas nasoenterais que, introduzidas pelo nariz chegam até o intestino, ou através de sondas colocadas diretamente no estômago por via endoscópica.

Prevenção

A prevenção do câncer de esôfago está diretamente correlacionada com os bons hábitos de vida. Daí a importância de não fumar, beber com moderação, adotar uma dieta saudável, balanceada e rica em fibras, manter o peso saudável e praticar atividade física

Recomendações

Não se automedique. Se você é fumante, consumidor crônico de álcool, tem mais de 50 anos e crises frequentes de azia, procure um médico para saber em que condições está o seu esôfago e a necessidade de acompanhamento. Lembre que as chances de cura aumentam muito, quando o diagnóstico é realizado precocemente.

 

Fontes:

Vencer o câncer (ed. Dendrix) – Fernando Cotait Maluf, Antonio Carlos Buzaid, Drauzio Varella

Inca.gov.br

Associação Brasileira do Câncer (www.abcancer.org.br)

Mayo Clinic (www.mayoclinic.org/diseases)

Cleveland Clinic (www.clevelandclinic.org/health/diseases)

www.uptodate.com