Quando as manchas na pele são perigosas?

Aprenda a diferenciar manchas e pintas comuns daquelas que podem representar um problema mais grave.

Beatriz Zolin

Beatriz Zolin é estudante de Jornalismo e estagiária no Portal Drauzio Varella. Tem interesse por assuntos relacionados à saúde e sociedade, sexualidade e psicologia.

Aprenda a diferenciar manchas e pintas comuns daquelas que podem representar um problema mais grave.

Compartilhar

Publicado em: 1 de julho de 2022

Revisado em: 1 de julho de 2022

Aprenda a diferenciar manchas e pintas comuns daquelas que podem representar um problema mais grave.

 

Com o tempo, é normal que apareçam manchas e pintas, independentemente do tom da pele. Muitas horas debaixo do sol durante uma viagem, acnes mal cicatrizadas, machucados que deixaram marca, etc. A verdade é que são muitos os fatores que podem fazer surgir esse tipo de alteração estética.

Isso porque a melanina, pigmento que dá cor à pele e protege contra os raios solares, não é distribuída de forma igualitária em todo o corpo. Dessa forma, existem áreas em que há mais células ricas em melanina do que outras, o que provoca o aparecimento de manchas e pintas. 

Mas ainda que a maior parte dessas lesões seja benigna, isto é, não faça mal, algumas delas merecem a nossa atenção. Dependendo das características, as manchas podem indicar alergias, infecções, problemas vasculares, doenças autoimunes e até mesmo câncer de pele.

 

Que tipo de mancha na pele deve me preocupar?

Segundo a dra. Sheila Ferreira, oncologista da Oncoclínicas São Paulo, existe uma maneira bem fácil de identificar quando uma mancha ou pinta pode representar perigo. É a regra do ABCDE:

  • A de assimetria: “Se eu observar uma lesão, dividi-la mentalmente em quatro partes como se fosse uma pizza e perceber que cada parte é diferente uma da outra, é um sinal de alerta”, afirma a dra. Sheila. Diferentemente de quando ela é redonda, apresentar discrepâncias pode querer dizer que há células se proliferando além do normal naquela região.
  • B de borda: No mesmo sentido, a especialista explica que, se a mancha ou pinta tem bordas irregulares, ela pode estar evoluindo ou já se configurar como uma lesão maligna.
  • C de cor: “Uma lesão que é formada por várias tonalidades e colorações diferentes também pode ser um indicativo de que há algo errado”, comenta a oncologista. Nesse caso, as pintas, por exemplo, costumam ser azuladas, marrons ou pretas, mas as cores não se misturam nem se sobrepõem.
  • D de diâmetro: Ainda de acordo com a dra. Sheila, o tamanho normal de uma mancha ou pinta vai até 6 milímetros de diâmetro. Passando disso, é bem provável que seja uma lesão maligna.
  • E de evolução: “Por fim, se você tem uma lesão que mudou muito de forma ou cor ao longo do tempo, coça, dói ou sangra, e não cicatriza, então algo não vai bem. Busque atendimento médico especializado”, alerta. Após avaliação, o dermatologista poderá fazer o diagnóstico adequado ou, ainda, verificar a necessidade de uma biópsia.

Veja também: Câncer da pele em 6 perguntas | Jade Cury Martins

 

Quais manchas podem ser cancerígenas?

Apenas o especialista, com a utilização dos equipamentos adequados, será capaz de identificar se a mancha ou pinta em questão representa um câncer de pele. 

“Algumas lesões benignas são muito parecidas com as do tumor, então, a olho nu, a gente não consegue fazer essa diferenciação”, explica a dra. Sheila.

A dica é estar sempre atento aos sinais do próprio corpo. Se desconfiar, é importante buscar atendimento rapidamente, pois, quanto antes feito o diagnóstico, maior a chance de cura.

O câncer de pele é o mais comum em todo o mundo e atinge mais de 2 milhões de pessoas por ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), ele representa 30% dos tumores malignos registrados. 

Por outro lado, quando diagnosticado no início, apresenta 90% de chance de cura. 

 

Quem precisa estar mais atento?

Ainda que o câncer de pele possa acometer qualquer pessoa, algumas delas precisam ficar mais atentas.

“Pessoas que têm pele, olhos e cabelos claros têm uma menor quantidade de melanina, o que dificulta a proteção contra a radiação solar. Então, aqueles indivíduos mais branquinhos que se queimam com facilidade estão mais sujeitos a desenvolver uma lesão induzida pelos raios solares”, explica a oncologista.

Veja também: Fatores de risco do câncer de pele | Entrevista

 

Cuidados para o dia a dia

Para se proteger, as recomendações são:

  • Utilizar diariamente o protetor solar com fator de proteção, no mínimo, 30;
  • Quando for se expor ao sol, apostar também em barreiras físicas, como roupas de mangas compridas ou com proteção UV, chapéus de aba larga e guarda-sol;
  • Evitar ficar várias horas debaixo da luz solar sem proteção;
  • Não se expor de forma prolongada ao sol no período em que a incidência dos raios ultravioleta é maior, entre 10h e 16h;
  • Observar o próprio corpo e estar atento aos sinais que ele oferece.

Outra dica é realizar uma avaliação médica de forma completa pelo menos uma vez ao ano. No caso de pessoas de pele clara, que apresentam muitas pintas ou têm um risco superior de desenvolver câncer de pele, a regularidade deve ser maior.

“O ideal é fazer uma avaliação inicial com o dermatologista para que ele realize um mapeamento e avalie as lesões que precisam de um olhar especial. A partir daí, ele determinará a frequência do acompanhamento”, pontua a dra. Sheila.

Veja também: Cuidados com a pele no verão | Ao Vivão #16

Veja mais