Como fica a vida sexual após o câncer de próstata?

O primeiro passo é entender que o corpo sofre alterações e que serão necessárias adaptações após o tratamento da doença.

Juliana Conte

Juliana Conte é jornalista, repórter do Portal Drauzio Varella desde 2012. Interessa-se por questões relacionadas a manejo de dores, atividade física e alimentação saudável.

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Publicado em: 15 de julho de 2022

Revisado em: 2 de agosto de 2022

O primeiro passo é entender que o corpo sofre alterações e que serão necessárias adaptações após o tratamento da doença.

 

O câncer de próstata é um dos mais frequentes na população masculina, ficando atrás somente do câncer de pele não melanoma, em níveis de incidência. Cerca de 65 mil novos casos são registrados anualmente, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Felizmente, o Brasil tem uma política de rastreamento desse tipo de tumor que abrange homens a partir dos 45 e 50 anos. Essa prática, muitas vezes, facilita o diagnóstico precoce do câncer de próstata. Quando a doença é identificada em sua forma localizada, ou seja, somente no órgão de origem, as opções terapêuticas são maiores.

Sendo a próstata um órgão do trato reprodutor masculino, qualquer alteração, benigna ou maligna, reflete em questionamentos sobre sua influência na vida sexual. Isso porque estamos falando de cirurgias muitas vezes invasivas, radioterapia, terapia hormonal – tratamentos que, a princípio, irão afetar o desempenho sexual do paciente.

A boa notícia é que é reversível, e sua vida sexual não será deixada para escanteio.

        Veja também: Tratamento da hiperplasia e do câncer de próstata

 

Mas como fica a vida sexual depois dos procedimentos?

Segundo o dr. Diogo Rosa, oncologista clínico do Grupo Oncoclínicas (RJ), num primeiro momento, quando o paciente descobre que tem câncer, ele normalmente não liga muito para essa questão sexual.

“Ele só quer se curar e ficar bem, mas a gente é obrigado a falar, porque é algo que vai aparecer. Mesmo as terapias mais recentes afetam de certo modo a qualidade de vida do indivíduo”, enfatiza o médico.

Alguns efeitos colaterais comuns e esperados são a incontinência urinária e a disfunção erétil. Mesmo com todo o cuidado do cirurgião de isolar os feixes vasculares e nervosos a fim de diminuir a disfunção erétil e preservar o músculo do esfíncter urinário, este é um processo delicado que não está isento de risco.

Por mais que a próstata não esteja diretamente relacionada ao ato da ereção, como o órgão está próximo dos principais nervos que ajudam a promovê-la, o tratamento pode afetar a ereção.

        Veja também: Saúde do homem: Autocuidado vai além do exame de próstata

“Se tudo ocorrer bem, o paciente está apto para tentar iniciar a vida sexual depois de dois meses, mais ou menos. Desde o início, ele já é orientado a utilizar medicamentos orais (estimulantes sexuais). Ele vai conseguir ter uma ereção, mas o que demora a se acostumar é a questão dos orgasmos secos, pois não há mais a produção dos líquidos prostático e seminal. Ele vai deixar de ejacular, mas não de sentir prazer”, explica Diogo.

Dr. Antônio de Moraes Júnior, médico urologista, enfatiza: “Orientamos que ele comece aos poucos, após o período de cicatrização. Então, é importante que ele se masturbe para perceber como vai ser. O remédio vai agir diretamente na musculatura do pênis, como um exercício”.

O retorno da ereção, sem o uso de medicação, pode variar de três meses a um ano. Por isso, é inevitável e até esperado que o paciente se sinta ansioso e muitas vezes frustrado. A recomendação é conversar com o médico sobre o assunto, a fim de tirar todas as dúvidas e também rever expectativas. Buscar auxílio psicológico pode ser importante, além de envolver a parceira no assunto, pois isso vai ajudar a aliviar as tensões.

        Ouça: DrauzioCast #167 | Câncer de próstata

 

Reabilitação pélvica

A reabilitação pélvica por meio da fisioterapia também é peça fundamental pós-cirurgia e deve ser iniciada o quanto antes. O objetivo é fortalecer a musculatura do assoalho pélvico (estrutura que se localiza na pelve, entre o osso púbis e o cóccix), que tem como principal função sustentar os órgãos pélvicos, a fim de evitar os escapes involuntários de urina. Além disso, são empregadas técnicas modernas de eletroterapia e biofeedback, que ajudam na recuperação do paciente.

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