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Saúde pública

Pacientes do SUS têm até cinco vezes menos acesso a UTI, aponta AMIB

Dados revelam diferença expressiva na chance de internação em terapia intensiva conforme o tipo de cobertura de saúde

Em uma emergência grave, cada minuto pode fazer diferença no cuidado de um paciente. No Brasil, o acesso a um leito de UTI ainda varia de forma significativa conforme o tipo de cobertura de saúde. Um levantamento da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) mostra que pacientes atendidos exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) têm até cinco vezes menos chances de conseguir uma vaga em terapia intensiva do que usuários de planos de saúde.

“O desafio atual não está apenas no número total de leitos, mas principalmente na distribuição dos recursos e na capacidade de garantir acesso proporcional às necessidades da população”, afirma Cristiano Franke, médico intensivista e presidente da AMIB. 

Segundo ele, mesmo com a expansão da rede hospitalar na última década, ainda persistem desigualdades estruturais importantes no acesso à terapia intensiva no país.

 

Brasil amplia oferta de leitos, mas desigualdades permanecem

Entre 2016 e 2025, o número de leitos de UTI para adultos passou de cerca de 28 mil para mais de 47 mil em todo o país. Com isso, o Brasil alcançou uma taxa de 22,3 leitos por 100 mil habitantes, acima da média global, estimada em 8,7.

A expansão ocorreu principalmente durante a pandemia de covid-19, quando hospitais públicos e privados ampliaram sua capacidade para atender pacientes críticos. Após a fase aguda da crise sanitária, parte desses leitos foi mantida, o que contribuiu para a consolidação do aumento da oferta.

 

O que apontou o levantamento da AMIB

Em 2025, o país contabilizava 47.644 leitos de UTI adulto, um crescimento de 67% em relação a 2016. Entre os principais dados do levantamento estão:

  • 69 leitos por 100 mil habitantes na saúde suplementar;
  • 13 leitos por 100 mil habitantes no SUS;
  • cerca de cinco vezes mais chance de acesso à UTI para quem tem plano de saúde;
  • 6 vezes mais chance de acesso no Espírito Santo em comparação ao Amapá.

Na distribuição regional, o Sudeste concentra 10.616 leitos de UTI pelo SUS, seguido por Nordeste (5.361), Sul (3.908), Centro-Oeste (1.886) e Norte (1.447).

Em oferta proporcional, o Sudeste lidera com 15 leitos por 100 mil habitantes, seguido por Sul (14), Centro-Oeste (13), Nordeste (11) e Norte (8).

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SUS atende a maioria da população, mas oferece menos leitos de UTI

Em 2025, o Brasil tinha cerca de 213,4 milhões de habitantes. Desse total, 177,9 milhões eram atendidos exclusivamente pelo SUS, enquanto 35,5 milhões eram beneficiários de planos de saúde. Mesmo atendendo mais de 80% da população, o SUS concentrava 23.218 leitos de UTI adulto. Já a saúde suplementar reunia 24.426 leitos para uma parcela menor de usuários.

Na comparação proporcional, a diferença permanece: 69 leitos por 100 mil habitantes na saúde suplementar contra 13 no SUS.

“Em medicina intensiva, o tempo é um fator crítico. Qualquer atraso na admissão em uma UTI pode aumentar o risco de complicações, sequelas e mortalidade”, complementa Franke.

 

Diferenças regionais agravam o acesso ao tratamento intensivo

As desigualdades também se repetem entre estados e regiões. A região Norte conta com apenas 8 leitos de UTI por 100 mil habitantes no SUS. Em comparação, um paciente atendido pelo SUS no Espírito Santo tem cerca de seis vezes mais chance de conseguir uma vaga em terapia intensiva do que um paciente no Amapá.

Em muitas regiões, a distância entre a demanda por atendimento e a oferta de leitos leva à necessidade de transferência de pacientes para outras cidades ou estados, o que pode atrasar o início do tratamento em terapia intensiva.

Para Franke, o enfrentamento do problema passa pela reorganização da rede e pela redução das desigualdades regionais. “Processos mais eficientes de regulação, sistemas de transferência mais estruturados e redes regionais articuladas podem ampliar o acesso e reduzir desigualdades”, finaliza.

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