Surto de ebola na República Democrática do Congo: qual o risco para o Brasil? - Portal Drauzio Varella
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Surto de ebola na República Democrática do Congo: qual o risco para o Brasil?

Surto de ebola na República Democrática do Congo e em Uganda preocupada autoridades sanitárias, mas risco de disseminação global é baixo, segundo a OMS. Leia na coluna de Mariana Varella

Cientista com EPI segura tubo com sangue para exame de Ebola em laboratório

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda uma emergência de saúde pública de interesse internacional (ESPII), agora em maio de 2026. Uma ESPII é o nível de alerta global mais alto emitido pela OMS. O estatus vale para eventos extraordinários que representam risco de propagação internacional de doenças e exigem uma resposta coordenada imediata

É importante ressaltar que a decisão não significa que o surto tenha atendido aos critérios de pandemia, mas que seu intuito é facilitar a adoção de medidas nacionais e internacionais coordenadas para contê-lo.

Veja também: A saída dos EUA da OMS e os riscos para a saúde pública mundial

Surtos de ebola já atingiram países da África em 1995, 2000, 2007 e 2014, mas foram controlados.

Quanto ao surto atual, a OMS informou, no último dia 20, que há 600 casos suspeitos de ebola e 139 mortes suspeitas na RDC e em Uganda.

Ao contrário da maioria dos surtos de ebola anteriores na RDC, este é provocado pelo vírus Bundibugyo, que tem uma taxa de letalidade alta, estimada entre 25% e 40%. 

 

Ebola: formas de contágio

O ebola não passa pelo ar, pela água ou por alimentos cozidos de forma geral. Uma pessoa infectada só pode transmitir a doença depois do início dos sintomas, que costumam surgir entre 2 a 21 dias após o contágio.

A doença, uma febre hemorrágica infecciosa, é considerada uma zoonose, e pode ser transmitida tanto por animais quanto por pessoas.

De animais para humanos, o contágio acontece pelo contato direto com o sangue, fluidos ou tecidos de animais infectados. Os reservatórios naturais mais prováveis são os morcegos frugívoros, mas o vírus também afeta primatas (como chimpanzés e gorilas) e outros mamíferos silvestres. 

A transmissão de pessoa para pessoa se dá principalmente pelo contato direto, através de pele lesionada ou membranas mucosas dos olhos, nariz e boca com fluidos corporais, como sêmen, fezes, vômito, urina e saliva da pessoa infectada; objetos e superfícies contaminadas com esses fluidos; e práticas de sepultamento que envolvam o contato com o corpo de uma pessoa que faleceu pela doença, o que torna o risco de uma pandemia pelo vírus muito baixo.

 

Sintomas do ebola

Os sinais e sintomas variam de um paciente para outro. Os primeiros sintomas estão:

  • Febre;
  • Dor de cabeça muito forte;
  • Fraqueza muscular;
  • Dor de garganta e nas articulações;
  • Calafrios.

 

Com o agravamento do quadro, outros sintomas aparecem:

  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Diarreia (com sangue);
  • Garganta inflamada;
  • Erupção cutânea;
  • Olhos vermelhos;
  • Tosse;
  • Dor no peito e no estômago;
  • Insuficiência renal e hepática.

 

Tratamento do ebola

Atualmente, não existe uma vacina ou um tratamento aprovados para a doença do ebola causada pelo vírus Bundibugyo. 

O único recurso terapêutico contra a infecção pelo ebola é oferecer medidas de suporte, como reposição de fluidos e eletrólitos, hidratação, controle da pressão arterial e dos níveis de oxigenação do sangue, além do tratamento das complicações infecciosas que possam surgir.

A prevenção do ebola depende de medidas de saúde pública e da participação das comunidades.  

 

Risco para o Brasil

Segundo a OMS, até o momento, o risco de o surto chegar ao Brasil é considerado baixo. Até hoje, nunca houve o registro de caso  da doença no país.

 No entanto, a situação nos países africanos citados preocupa as autoridades sanitárias, visto que o vírus tem se espalhado com rapidez pela região, que é marcada por crises humanitárias que dificultam o monitoramento e a contenção da doença. 

O diretor-geral da Organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou no último dia 20 que o risco de propagação do surto de Ebola na RDC e em Uganda é alto nos níveis nacional e regional, mas baixo em escala global.

O fato de o contágio entre seres humanos se dar apenas depois do surgimento dos sintomas e de estes serem geralmente intensos e graves, dificultando a circulação de pacientes, reduz o risco de disseminação em nível global. Além disso, o vírus, como dito anteriormente, não se propaga pelo ar, o que ajuda a conter a trasmsissão.

De acordo com o Ministério da Saúde, casos suspeitos de ebola são aqueles indivíduos procedentes, nos últimos 21 dias, de país com transmissão ativa da doença pelo vírus ebola (DVE) e que apresentem febre, podendo esta ser acompanhada de diarreia, vômitos ou sinais de hemorragia, como: diarreia sanguinolenta, gengivorragia (hemorragia nas gengivas), enterorragia (eliminação de sangue pelas vezes, como sinal de hemorragia digestiva baixa), sinais purpúricos (manchas vermelhas ou arroxeadas na pele e mucosas causadas por sangramentos sob a pele) e hematúria (presença de sangue na urina).

Veja também: Haverá uma nova epidemia, só não sabemos como virá e de onde

 

Fontes: OMS; Ministério da Saúde; Médicos sem Fronteiras; Portal Drauzio.

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