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TDAH pode surgir na infância e não some na vida adulta | Coluna



O TDAH é um transtorno psiquiátrico que exige tratamento multidisciplinar, seja na infância ou na vida adulta.

 

Olá. Nós fizemos uma série no Fantástico, da TV Globo, sobre TDAH  (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Esse transtorno é muito conhecido em crianças, né, é a criança que não para, o menino, a menina que corre pra cá, corre pra lá, o tempo inteiro, mexe nas coisas… na sala de aula não fica sentado, tá o tempo inteiro distraído… Essas crianças eram tidas, no passado, como crianças mal educadas. A culpa era dos pais — como sempre, né?! —, que não tinham sabido impor limites para essas crianças.

Hoje, nós sabemos que TDAH é um transtorno psiquiátrico. É um transtorno que acontece quando os neurotransmissores cerebrais não conseguem se articular de forma a ativar os neurônios correspondentes, especialmente no lobo frontal, que é este aqui, né, que é o responsável pela tomada de decisões, o responsável pela atenção, o responsável pela análise do universo que nos cerca e que nos obriga a tomar determinadas atitudes.

Então, estas crianças têm um transtorno que as torna crianças irrequietas, crianças que não têm limites, crianças que não sabem se controlar nos ambientes.

O que muita gente não sabe é que esse, esse transtorno se mantém na vida adulta. É lógico que o comportamento muda. Você pega uma menina, um homem, um rapaz de 19 anos, que tá na universidade, ele não vai ficar levantando da cadeira, pulando enquanto o professor ou a professora fala. Claro que não. Ele aprende a se comportar.

Mas essa incapacidade de focar a atenção persiste, e essas pessoas normalmente levam esse problema pro resto da vida, e aí isso causa problemas mais sérios. Por exemplo, na adolescência, essa impulsividade aumenta o número de acidentes de trânsito, aumenta o número de, de gestações na… de gravidez na adolescência — e causam problemas práticos na vida dessas pessoas.

O mais importante é lembrar que TDAH tem tratamento, e o tratamento é multidisciplinar: envolve psicólogas, fonoaudiólogas, envolvem terapias comportamentais e medicamentos, que devem ser utilizados com precisão nos casos em que eles são indicados, claro, não é?! Hoje existe um pouco de exagero nessa área, mas os medicamentos, quando bem indicados, ajudam bastante.

TDAH é um transtorno psiquiátrico, não é uma questão de a criança que foi mal educada, que os pais não souberam estabelecer limites… E não é o caso daqueles adultos que têm a atenção desviada o tempo inteiro, que têm dificuldade de focar sua atenção. Muitos deles são tidos como pessoas que não  aprendem as coisas, que se distraem, que são intelectualmente deficientes… Não é verdade. Nós temos que identificar o transtorno e tratá-lo — felizmente tem tratamento.

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