Existem muitos tipos de alterações no ritmo do coração. Entenda a fibrilação atrial em 8 perguntas.

 

O cardiologista Rodrigo Noronha, membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia e Pesquisador do Hospital BP (Beneficência Portuguesa de São Paulo), esclarece as principais dúvidas sobre a fibrilação atrial, um distúrbio dos batimentos cardíacos que pode provocar AVC e outros problemas graves.

 

O que é fibrilação atrial?

O coração é dividido entre ventrículos e átrios; os átrios são a parte de cima do coração. Fibrilação atrial é uma arritmia que acontece nessa região, quando existe uma perda da estimulação elétrica normal do órgão, ou seja, existe uma irregularidade nesses estímulos estímulos e o coração para de contrair na parte atrial de forma adequada e começa apenas a fibrilar (temer) e, com isso, ele perde o fluxo normal de pulsação do fluxo sanguíneo.

 

Fibrilação atrial é o mesmo que arritmia?

É um tipo de arritmia.

São vários os tipos de arritmia, que é a perda do ritmo normal do coração. Este ritmo pode ser apenas pelo aumento da frequência de batimentos ou por uma batida mais lenta ou apenas a perda desse compasso.

 

O que diferencia a fibrilação atrial de outros tipos de arritmias?

A fibrilação atrial causa uma alteração no fluxo de sangue da passagem dos átrios para o ventrículo. Como o átrio não contrai (apenas fica fibrilando), existe uma probabilidade maior de formação de coágulos nessa região, que se formam neste tipo de arritmia mais frequentemente.

 

Quais são os principais sintomas e fatores de risco da fibrilação atrial?

É muito importante a presença do sintoma na fibrilação atrial, mas também pode ser apresentada de forma assintomática, assim como a hipertensão ou a diabetes. Às vezes, o paciente só descobre que tem arritmia depois de um evento sério causado por ela. Outros pacientes apresentam sintomas, como cansaço, fadiga e palpitação, que, por vezes, pode ser arrítmica e não sincronizada.

Os principais fatores de risco são a idade, hipertensão arterial, obesidade e a apneia do sono, abuso de bebidas alcóolicas e cirurgias cardíacas com manipulação no coração.

 

Fibrilação atrial é grave? Quais são as principais consequências da doença?

É extremamente grave. Apesar de pouco conhecida, a fibrilação atrial é prevalente na população. Ela causa uma parada do sangue dentro dos átrios e, dessa forma, o sangue pode formar coágulos. Estes coágulos, quando passam pelos ventrículos, são ejetados para toda a circulação e podem causar AVCs, embolias arterias e isquemias.

 

Como é realizado o diagnóstico?

Um eletrocardiograma simples, no consultório do médico, pode fazer o diagnóstico de uma arritmia tão importante. Porém, vários pacientes apresentam esse quadro de forma “vaivém”, então outras ferramentas, como o holter, por exemplo, ou até mesmo o looper, que são eletrocardiogramas que permanecem durante um tempo com o paciente, são utilizadas para que esse diagnóstico seja feito de maneira adequada.

 

Veja também: Dr. Drauzio explica como são feitos diagnóstico e tratamento da fibrilação atrial

 

Tem cura? Qual o tratamento mais indicado?

Parte dos pacientes permanecerão com a fibrilação até o resto de suas vidas. Ela pode ser revertida com agentes antiarrítmicos em alguns casos, mas o mais importante é saber que a presença da arritmia implica num risco aumentado de eventos embólicos (AVC, isquemia).

Atualmente, existem novos anticoagulantes. Estes são mais modernos, pois não precisam ser monitorizados, mensal ou semanalmente, e apresentam chances menor de sangramento de até 70%. Há, pelo menos, destes 5 novos anticoagulantes.

Sabendo que a fibrilação atrial é uma arritmia importante e pode ser a principal causa de um AVC, é importante o check-up anual.

 

Se eu tiver fibrilação atrial, preciso mudar algo na minha rotina?

O portador da doença pode praticar atividade física de forma normal, desde que com recomendação médica. Existem várias formas de fibrilação atrial e o mais importante é que a frequência cardíaca deste paciente esteja controlada, que ele tenha recebido o agente anticoagulante (desde que bem indicado) e não pratique esportes radicais.