Cardiovascular

Fibrilação Atrial é uma das principais causas de AVC

desenho do coracao destacado dentro do torax

Fibrilação atrial e AVC podem estar relacionados. Hipertensão, que também é um fator de risco para o derrame, é um dos gatilhos da doença. 

 

A Fibrilação Atrial (FA) é um tipo de arritmia bastante comum. Acomete cerca de dois milhões de brasileiros e atinge principalmente pessoas a partir dos 60 anos.

Nosso coração bate de maneira regular, entre 60 a 100 batimentos por minuto (bpm). Portadores de FA, por sua vez, sofrem de uma desorganização na atividade elétrica dos átrios do coração, fazendo com que eles se contraiam de maneira desordenada (em alguns casos o coração chega a 200 bpm), o que pode prejudicar o bombeamento de sangue para o restante do corpo.

As causas da fibrilação atrial ainda não são muito claras. O que se sabe é que algumas doenças cardiovasculares, sendo a hipertensão a mais comum, podem ser um gatilho para o desenvolvimento da doença. A relação é que a pressão alta nas artérias leva o coração a fazer um esforço maior do que o necessário para fazer o sangue circular no corpo, o que acaba afetando o modo como ele bate. Além de hipertensos, pacientes com diabetes, idosos, tabagistas e que consumem álcool frequentemente também estão entre os grupos de risco.

O batimento irregular não é o único efeito da doença. O fluxo irregular do sangue nos átrios pode provocar a formação de coágulos dentro do coração. O risco desse coágulo se desprender e ir parar no cérebro é elevado. Se isso ocorrer, há o entupimento de uma artéria na região, e o paciente sofre um AVC, também conhecido como derrame. “Os derrames provocados pela FA são considerados os mais graves, com as maiores taxas de mortalidade, podendo também acarretar sequelas incapacitantes”, alerta Bruno Heringer Dias, especialista em Arritmias Cardíacas do INC (Instituto Nacional de Cardiologia).

De acordo com o especialista, uma das maneiras mais eficazes de prevenir o surgimento da FA é evitar as doenças e hábitos que integram o quadro de fatores de risco. Caso a doença se desenvolva, há tratamentos disponíveis, como medicamentos antiarrítmicos e anticoagulantes orais, e a ablação por radiofrequência, um procedimento cirúrgico que usa um cateter para aplicar energia de radiofrequência e restaurar o ritmo cardíaco. Dependendo do caso, há opção de se fazer implante de marcapasso, um aparelho que emite estímulos elétricos para o coração voltar à frequência cardíaca regular.

Em pacientes com risco elevado para a formação de trombos, o uso de anticoagulante oral é essencial, pois inibe a formação de coágulos ao deixar o sangue mais “ralo”. São os medicamentos que, como se diz popularmente, “afinam” o sangue.

“A grande questão é que pacientes que utilizam esses medicamentos estão expostos a um risco relativamente baixo, mas não insignificante, de sangramentos”, explica Heringer. No caso de um acidente ou cirurgias de emergência, por exemplo, quem está sob tratamento fica mais sujeito a hemorragias, o que por muito tempo preocupou tanto médicos como pacientes.

A boa notícia é que já temos no Brasil um anticoagulante com agente reversor disponível, uma substância que pode ser utilizada para devolver momentaneamente ao paciente sua capacidade de coagulação caso seja necessário. Esse agente é de uso hospitalar e deve ser utilizado somente em emergências médicas. “O agente reverte o efeito da medicação com eficácia e segurança nos casos de sangramentos graves e emergências”.

O especialista reforça ainda que o agente reversor é específico para o seu par anticoagulante, de modo que não reverte o efeito de outros anticoagulantes e que pacientes devem sempre avaliar as melhores opções de tratamento junto aos seus médicos.

Sobre o autor: Juliana Conte

Juliana Conte é jornalista, repórter do Portal Drauzio Varella desde 2012. Interessa-se por questões relacionadas a manejo de dores, atividade física e alimentação saudável.

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