Segundo a Lei 14.721/2023, toda mãe deve receber assistência psicológica no pré-natal e no puerpério. Esse acompanhamento pode ser feito por uma especialidade ainda pouco conhecida: a psicologia perinatal.
“Peri” significa “em torno de” e “natalidade”, “relativo ao nascimento”. Portanto, o psicólogo perinatal é o profissional responsável por todas as queixas emocionais relacionadas à gestação. A especialidade existe desde meados dos anos 1970, mas se tornou conhecida no Brasil apenas em 2018, com a ampliação do debate sobre saúde mental materna e o surgimento dos primeiros cursos dedicados à área.
Qual a diferença de um psicólogo perinatal para um psicólogo comum?
“O psicólogo perinatal atende questões relacionadas à transição para a parentalidade. Isso significa que ele pode atender não só gestantes, mulheres no parto e no pós-parto, mas também questões de planejamento familiar, reprodução humana assistida, adoção, luto perinatal, táticas educativas parentais e desenvolvimento do bebê”, explica Rafaela Schiavo, psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline.
O especialista possui o domínio teórico e técnico para acolher as queixas que pessoas nessa situação vivem, levando em consideração que o mundo da maternidade e da paternidade são, muitas vezes, idealizados.
Qual é a formação de um psicólogo perinatal?
Ainda que nenhum psicólogo perinatal precise de uma especialização para atender, é recomendável que ele tenha participado de formações focadas na gestação, parto e pós-parto. Esse conhecimento pode ser adquirido através de modalidades de extensão universitária, cursos de aperfeiçoamento e especializações, além da graduação em psicologia.
Quem deve procurar o psicólogo perinatal?
“Todos poderiam procurar. Não é necessário que a pessoa apresente algum transtorno mental ou queixa específica. O psicólogo perinatal pode fazer a avaliação de como está a saúde mental dessa mulher, desse homem ou do casal, muitas vezes antes mesmo da própria gestação”, indica Schiavo.
Em geral, a procura está relacionada à ansiedade: o medo de ser mãe, do parto, de não dar conta e a dúvida entre engravidar ou não.
Frustrações também são comuns, como quando os pais idealizam algo que não corresponde à realidade. Esse fenômeno é chamado de luto perinatal e não envolve, necessariamente, a morte do bebê. Se uma mulher desejava uma menina e descobre que está grávida de um menino, isso pode gerar um luto capaz de provocar adoecimento mental.
O psicólogo perinatal também é capaz de ajudar na orientação e preparação para o parto, além de questões relacionadas à amamentação, retorno da licença-maternidade e dificuldade de criar vínculo com o bebê.
Veja também: Depressão pós-parto afeta mãe e bebê e precisa de tratamento
Como funciona o atendimento com um psicólogo perinatal?
“As diferenças estão principalmente nas perguntas realizadas na entrevista inicial. Precisamos fazer as perguntas certas para entender todo o contexto da história de vida da pessoa, o planejamento ou não da gestação, como ela vivencia aquele momento e quais são as suas expectativas em relação à maternidade e à paternidade. É necessário, logo no início, fazer uma avaliação da saúde mental, já que a maioria apresenta ansiedade, estresse ou depressão”, detalha a psicóloga.
Outra mudança é o tempo de acompanhamento. Independentemente da abordagem teórica do profissional, a psicoterapia deve ser breve, porque as queixas devem ser trabalhadas em um período curto de tempo.
“Imagine o caso da pessoa com dificuldades para aceitar o sexo do bebê. Eu não posso prolongar esse atendimento até depois do nascimento. Preciso realizar esse trabalho rapidamente”, exemplifica.
Uma espécie de follow-up também costuma ser realizada. Se a paciente foi atendida durante a gestação, pode ser necessária uma consulta no pós-parto para verificar se as coisas continuam como o esperado após o fim do tratamento.
Pais e rede de apoio também podem ser atendidos
O psicólogo perinatal também está preparado para acolher o pai, que não está livre de alterações emocionais, frustrações e queixas psicológicas durante esse período. Familiares e amigos que compõem a rede de apoio também, pois podem ficar perdidos sem saber como ajudar.
Veja também: Os cuidados com a saúde mental das mães precisam acontecer desde a gestação




