Segundo a Organização Mundial de Saúde, hábitos que protegem o coração protegem também o cérebro. Entre as medidas, órgão destaca que o exercício físico reduz risco de demência.

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou novas recomendações em relação à prevenção da demência. Mais de 50 milhões de pessoas no mundo vivem com o problema, e de acordo com o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, esse número deve triplicar nos próximos 30 anos. Por isso, é preciso fazer o que for possível para diminuir os riscos. Ele afirmou que as evidências científicas reunidas para as novas orientações mostram o que eles já suspeitavam há algum tempo: o que faz bem para o coração, faz bem também para o cérebro.

Segundo informações do órgão, a relação entre exercício físico e demência segue a lógica das recomendações para a saúde cardiovascular. A prática regular protege contra quadros demenciais. Outras medidas, como não fumar, não abusar do álcool, controlar o peso e manter os níveis de colesterol, pressão arterial e açúcar no sangue dentro da normalidade também ajudam a reduzir o risco de desenvolver a condição. Entre os hábitos listados, alguns são mais fortemente recomendados, entre eles:

  • A prática de atividade física regular para pessoas com cognição normal;
  • Parar de fumar;
  • Controle da hipertensão e do diabetes.

 

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A criação de políticas nacionais para a demência é uma das principais recomendações da OMS aos países. Nesse contexto, uma das ações fundamentais é o apoio aos cuidadores, que muitas vezes são os próprios familiares do paciente. Para isso, a organização criou o iSupport, programa de treinamento online que fornece aos cuidadores orientações sobre como gerenciar cuidados, lidar com mudanças de comportamento e cuidar da própria saúde. Oito países já utilizam a ferramenta, que pode ser acessada aqui (somente em inglês).

Acesse aqui o arquivo completo com as recomendações da OMS (em inglês).

 

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O que é demência?

 

A demência é caracterizada pelo declínio gradativo da capacidade intelectual. Há deterioração da cognição, que controla a nossa inteligência e a capacidade de nos relacionarmos com o ambiente, compreender informações e tomar decisões a partir delas. Conforme a condição progride, os processos cognitivos vão se embaralhando e a realidade começa a ficar deturpada.

 

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O principal grupo de risco é o de idosos acima dos 70 anos. Existem casos em que pessoas mais novas, na casa dos 50 anos, desenvolvem o problema, principalmente em razão de histórico familiar, mas são casos mais raros. Vários problemas podem provocar demência, como Acidente Vascular Cerebral (AVC), déficit de vitamina B12 ou hipotireoidismo, por exemplo.

Existem vários tipos de demência, sendo que a mais comum é a doença de Alzheimer. No início, a pessoa começar a ter lapsos de memórias recentes, mantendo as memórias antigas por mais tempo. A deficiência cognitiva vai se instalando aos poucos e, eventualmente, as lembranças do passado também serão atingidas.

A demência é uma das principais causas de dependência e incapacidade entre idosos, alterando significativamente também a vida de familiares e pessoas do entorno. Outro grande impacto ocorre na economia. Até 2030, estima-se que os custos de atendimentos a pessoas com demência cheguem a 2 trilhões de dólares por ano. A cada ano, são quase 10 milhões de novos casos diagnosticados.

 

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