Cólica: conheça os problemas associados à dor abdominal

Condições intestinais e renais também podem provocar dores na região. Aprenda a identificar qual tipo de cólica você está sentindo.

Isabelle Manzini

Isabelle Manzini é jornalista e analista de redes sociais. Interessa-se por assuntos relacionados à saúde mental, saúde da população negra e saúde LGBTQIA+.

Condições intestinais e renais também podem provocar dores na região. Aprenda a identificar qual tipo de cólica você está sentindo.

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Publicado em: 13 de maio de 2022

Revisado em: 13 de maio de 2022

Condições intestinais e renais também podem provocar dores na região. Aprenda a identificar qual tipo de cólica você está sentindo.

 

Quando falamos em cólica, logo pensamos na cólica menstrual. De fato, a dismenorreia – nome científico da cólica menstrual – atinge de 50% a 90% das mulheres em idade fértil. Mas, em geral, cólica é o nome dado para qualquer dor que causa espasmos repetitivos e está ligada à distensão do tubo digestivo, dos canais glandulares ou das vias urinárias. 

Os tipos mais comuns de cólica são a dismenorreia, a cólica intestinal, a renal e a biliar. Entenda cada uma delas, os principais sintomas e possíveis tratamentos. 

 

Cólica menstrual (dismenorreia)

A dismenorreia pode ser primária ou secundária. Primária, quando a causa é o aumento na produção de prostaglandina pelo endométrio (comum durante a menstruação em si), e secundária, quando resultante de alterações patológicas no aparelho reprodutivo (endometriose, miomas, tumores pélvicos, fibromas, estenose cervical etc.). 

 

Sintomas

O principal sintoma é a dor em cólica no baixo ventre, de intensidade variável, que se irradia para as costas e os membros inferiores, durante a menstruação. É uma dor aguda e intermitente, às vezes incapacitante, com curtos períodos de calmaria. Quando muito forte, pode estar associada a outros sintomas, como náuseas, vômitos, inchaço, dores de cabeça e nas mamas. 

 

Tratamento 

No caso da dismenorreia primária, ligada apenas ao ciclo menstrual comum, é possível aliviar a dor com algumas mudanças de hábitos, como incluir na rotina prática de exercícios aeróbicos que ajudam a liberar endorfina, utilizar bolsas quentes no abdômen, ter uma dieta rica em fibras e beber bastante água. 

Quando a dismenorreia é secundária, o tratamento vai ser recomendado pelo médico especialista, e intervenções cirúrgicas podem ser necessárias. 

Nos dois casos, há o recurso do uso de medicamentos anti-inflamatórios não esteroides para alívio da dor, o que deve ser feito sempre com acompanhamento médico. 

Veja também: O que a menstruação diz sobre a sua saúde

 

Cólica intestinal

Inflamações do intestino, gases, obstruções e aderências pós-operatórias são alguns dos motivos que provocam cólicas intestinais. Como a condição pode estar associada a doenças como doença de Crohn, colite pseudomembranosa, colite ulcerativa, entre outras condições, o ideal é procurar um médico para uma investigação mais aprofundada. 

 

Sintomas

As cólicas intestinais também podem estar acompanhadas de sintomas como diarreia, muco ou sangue nas fezes, náuseas e até mesmo febre (nos quadros inflamatórios).

 

Tratamento

O tratamento vai depender do diagnóstico realizado por um profissional. Em geral, podem ser receitados antibióticos, analgésicos e antiespasmódicos para aliviar os sintomas, além de medidas para tratamento do problema a longo prazo. 

Veja também: Como usar antibióticos racionalmente

 

Cólica renal

Cálculos renais ou pedras nos rins são formações endurecidas nos rins ou nas vias urinárias, resultantes do acúmulo de cristais existentes na urina. As cólicas renais são caracterizadas por uma dor muito forte que começa nas costas e se irradia para o abdômen em direção à região inguinal.

 

Sintomas

As cólicas renais podem vir acompanhadas de sangue na urina, suspensão ou diminuição do fluxo urinário, necessidade mais frequente de urinar (embora em pequena quantidade), vômitos, febre e infecções urinárias.

 

Tratamento

Pedra nos rins é uma condição que exige atendimento médico. Durante as crises, a principal recomendação é evitar a ingestão exagerada de líquidos. Líquido em excesso pode aumentar a pressão da urina no rim e, consequentemente, aumentar as dores. 

Os tratamentos podem ser de vários tipos, a depender da causa da formação dos cálculos e da avaliação médica. Podem ser prescritos analgésicos e anti-inflamatórios mais potentes, já que a dor costuma ser intensa.

Além do tratamento medicamentoso, outras formas de intervenção podem ser recomendadas:

  • Litotripsia: é bombardeamento das pedras por ondas de choque visando à fragmentação do cálculo, o que torna sua eliminação pela urina mais fácil;
  • Cirurgia percutânea ou endoscópica: por meio do endoscópio e através de pequenos orifícios, o cálculo pode ser retirado dos rins após sua fragmentação;
  • Ureteroscopia: por via endoscópica, permite retirar os cálculos localizados no ureter.

Veja também: Pedras que se formam no corpo humano

 

Cólica biliar

As cólicas biliares são provocadas pela formação de cálculos – ou pedras – na vesícula. A vesícula biliar é um órgão localizado no lobo inferior direito do fígado, onde a bile se concentra e de onde é lançada sob a influência de um hormônio intestinal.

A bile produzida no fígado consiste na mistura de várias substâncias, entre elas o colesterol, responsável por cerca de 75% dos casos de formação de cálculos. Alguns deles ficam presos no duto biliar, bloqueiam o fluxo da bile para o intestino e provocam as cólicas.

 

Sintomas

A cólica biliar é caracterizada por uma dor intensa do lado direito superior do abdômen que se irradia para a parte de cima da caixa torácica ou para as costelas. A dor normalmente aparece meia hora após uma refeição, atinge um pico de intensidade e diminui depois. Pode vir ou não acompanhada de febre, náuseas e vômitos.

 

Tratamento

O tratamento para pedra na vesícula pode ser feito à base de medicamentos que diluem o cálculo se ele for constituído apenas por colesterol. Nos outros casos, a cirurgia por laparoscopia, que requer poucos dias de internação hospitalar, é a conduta mais indicada. Tratamento por ondas de choque para fragmentar o cálculo representa também uma possibilidade terapêutica.

Veja também: Como manter seu colesterol sob controle | Artigo

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