Como antigamente a imunização tinha somente uma dose, muitas pessoas não sabem que precisam de uma segunda dose da vacina contra o sarampo.

 

Têm sido constantes as notícias sobre o surto de sarampo nos Estados Unidos no primeiro semestre de 2019, com cerca de 75 casos registrados diariamente. No Brasil, até o momento, a situação está controlada, mas desde 2018 estão surgindo casos que até então não ocorriam com tanta frequência. Na cidade de São Paulo, o terceiro caso de sarampo, um paciente infectado em Israel, foi registrado em meados de maio. Ainda há surtos no Amazonas, no Pará e em Roraima, muito ligados a casos da doença na Venezuela.

 

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O dr. Munir Ayub, membro do Comitê de Imunizações da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explica que não há motivo para alarme, mas reforça que é de extrema importância estar com a vacinação em dia para evitar a circulação do vírus no país. O aviso precisa ser reforçado principalmente porque muitas pessoas mais velhas tomaram somente uma dose da vacina. “Uma boa parte das pessoas não tomou a segunda dose, que deve ser administrada ainda na infância. No passado, achava-se que a pessoa estava protegida com apenas uma dose. Tanto é que antigamente, na rede pública, a vacina era dose única. Mas hoje sabemos que não: é necessário uma segunda dose. Então, pessoas que estão na casa dos 30, 40 anos, podem não estar com a vacinação em dia”, esclarece.

 

Quando posso tomar a segunda dose da vacina contra o sarampo?

 

Somente a partir do ano 2000 o Ministério da Saúde estabeleceu uma segunda dose da vacina contra o sarampo. Atualmente, a vacina é trivalente (imuniza contra três doenças: sarampo, rubéola e caxumba). A primeira dose deve ser dada aos 12 meses de idade, e a segunda, três meses após a primeira dose.

Outro fator que contribui para que haja indivíduos vulneráveis é que, como o vírus do sarampo havia sido erradicado do país e a doença “deixou de ocorrer”, muitas pessoas acharam que estavam seguras e deixaram de se vacinar. É importante lembrar que caso a imunização não tenha sido realizada nas idades recomendadas, não há problema: é possível atualizar as vacinas em qualquer idade. “É importante dar uma olhada na carteira de vacinação para ver se está tudo em dia. Se não houver registro da vacina ou você não recordar se tomou as doses ou não, procure o posto para receber a vacina. Na dúvida, é melhor tomar”, orienta Ayub.

 

* Aqui é possível consultar o calendário nacional de vacinação do Ministério da Saúde.