Para imunizar-se contra o sarampo, são necessárias duas doses da vacina contra a doença. São Paulo inicia campanha de vacinação.

 

Sarampo é uma doença infectocontagiosa grave causada por um vírus (Morbilivirus) que é transmitido pelas secreções respiratórias e provoca inflamação generalizada nos vasos sanguíneos.

“Lançada na década de 1960, [a vacina] começou a ser utilizada mais amplamente no Brasil, no final dessa década, começo da década de 1970”, contou o dr. Gabriel Oselka, professor de pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP,) em entrevista a este Portal. O Brasil conseguiu erradicar a doença do território nacional até 2019, quando houve casos de sarampo no que o levaram a perder o certificado de país livre da doença fornecido pela Organização Panamericana de Saúde (Opas), em março de 2019.

 

Veja também: Artigo do dr. Drauzio sobre o fracasso no combate ao sarampo na Europa

 

O vírus do sarampo já circula no Brasil de forma sustentada desde 2018, quando o país registrou 10.326 casos confirmados, a maioria no Amazonas e Roraima, com 12 óbitos. Até maio de 2019, o Ministério da Saúde confirmou 92 casos da doença em todo território nacional: 4 no Amazonas, 1 em Roraima, 48 no Pará, 30 em São Paulo, 3 em Santa Catarina, 2 no Rio de Janeiro e 4 em Minas Gerais.

A vacinação é a única forma de evitar o sarampo, doença altamente contagiosa, e o Brasil só voltará a erradicá-lo se conseguir vacinar 95% da população. Assim, a cidade de São Paulo inicia nesta segunda-feira (10/6/2019) uma campanha de vacinação contra o sarampo, cuja meta é imunizar 2,9 milhões de pessoas de 15 a 29 anos até o dia 12 de julho. O dia D da campanha será o próximo 29/6.

 

Orientações do Ministério da Saúde para a vacina contra o sarampo

 

  • Todos os indivíduos de 1 a 29 anos de idade devem ter duas doses de vacina sarampo para serem considerados protegidos;
  • Adultos entre 30 e 49 anos de idade, sem comprovação de nenhuma dose, devem receber pelo menos uma dose da vacina tríplice viral (SCR), que protege contra o sarampo, caxumba e rubéola;
  • Profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, dentistas e outros), independentemente da idade, devem ter registradas duas doses válidas (a partir de 1 ano de idade e com pelo menos um mês de intervalo entre elas) de SCR;
  • Além disso, a Opas e a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendam que todos os viajantes que não apresentem prova de vacinação ou imunidade recebam a vacina de sarampo e rubéola — preferencialmente a vacina tríplice viral — pelo menos duas semanas antes do deslocamento para áreas onde a transmissão do sarampo foi documentada;
  • O país deve atingir e manter a meta de 95% de cobertura vacinal e 70% de homogeneidade para as duas doses da vacina SCR; deve também identificar os suscetíveis (aqueles que não tenham comprovação da vacina) e vaciná-los;
  • A vacinação de rotina de crianças maiores, adolescentes e adultos que não tenham comprovação de vacinação prévia, deve ser fortemente incentivada. São considerados adequadamente imunizados aqueles que apresentarem duas doses da vacina contra o sarampo, com intervalo mínimo de um mês entre elas e aplicadas acima de 1 ano de idade.

 

Quem não deve tomar a vacina contra o sarampo

 

A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), de Infectologia (SBI) e de Imunização (SBIm) e o  Grupo de Estudo da Doença Intestinal Inflamatória do Brasil (GEDIIB) lançaram um posicionamento acerca da vacinação. Assim, por ter vírus atenuado vivo, a vacina contra o sarampo:

 

  • Está contraindicada para crianças menores de seis meses de idade, gestantes e pessoas em estado de imunossupressão.
  • Como há vários graus de imunossupressão e frente ao risco epidemiológico, a indicação da vacina deve ser discutida com o médico especialista que acompanha o paciente, mediante decisão compartilhada de planejamento para que a vacina seja realizada de forma segura e eficaz.
  • A vacina pode ser considerada para aqueles em imunossupressão leve, levando em conta a relação de risco-benefício em decisão compartilhada com o paciente.
  • Nos casos onde a contraindicação é absoluta (em alto grau de imunossupressão):

    o Enfatizar a importância da vacinação de todos os contactantes do paciente, para proteção indireta.
    o Evitar deslocamentos para áreas de risco. Caso a doença de base estiver controlada, discutir com o especialista que acompanha o paciente, considerando riscos e benefícios, a suspensão das medicações, a fim de proceder a vacinação com segurança e garantir uma resposta adequada à vacina. Essa decisão deve ser compartilhada e centrada no paciente, mediante orientações de períodos mínimos de suspensão da medicação que estiver utilizando.

    o Caso haja a suspensão do tratamento para a vacinação, deve-se aguardar um intervalo de quatro semanas após a aplicação da vacina para reiniciar o tratamento com o medicamento responsável pela imunossupressão.

    Veja quem são considerados imunossuprimidos e os graus de imunosupressão aqui.

     

O dr. Oselka afirmou que não há limite de idade para tomar a segunda dose da vacina. “A vacina contra o sarampo é eficaz, segura e provoca pouca reação.”