É possível saber a diferença entre dengue, zika e chikungunya?

Nos últimos meses, o Brasil viu aumentar o número de casos de arboviroses como dengue, zika e chikungunya. Saiba a diferença entre elas e o que fazer se houver infecção. 

Mariana Varella

Mariana Varella é editora-chefe do Portal Drauzio Varella. Jornalista de saúde, é formada em Ciências Sociais e pós-graduanda na Faculdade de Saúde Pública da USP. Interessa-se por saúde pública e saúde da mulher. Prêmio Especialistas Saúde 2021 e Prêmio Einstein Colunista +Admirados da Imprensa de Saúde e Bem-Estar 2021 @marivarella

close em dedo de homem com mosquito aedes aegypti pousado. veja a diferença entre dengue, zika, chikungunya

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Publicado em: 22 de junho de 2022

Revisado em: 22 de junho de 2022

Nos últimos meses, o Brasil viu aumentar o número de casos de arboviroses como dengue, zika e chikungunya. Saiba a diferença entre elas e o que fazer se houver infecção. 

 

Segundo o último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, que monitora os dados das arboviroses até a semana epidemiológica 23 do ano, houve um aumento de 197% nos casos de dengue em comparação com o mesmo período de 2021, com 550 óbitos registrados no país. Os casos de zika aumentaram 188,9%, e os de chikungunya, 94,8%.

Veja também: Dengue e arboviroses 

Especialistas apontam que a pandemia de covid-19 interferiu nas ações de controle do mosquito Aedes aegypti, transmissor dessas doenças. Assim, muita gente se questiona se é possível identificar essas infecções apenas pelos sintomas. “É difícil diferenciá-las apenas pela clínica”, afirma o infectologista Bruno Ishigami. No entanto, alguns sintomas são apontados como característicos dessas doenças. Veja abaixo os principais:

 

Dengue

 

Existem 4 tipos de vírus da dengue: os sorotipos 1, 2, 3 e 4. Todos podem causar diferentes formas da doença. Algumas pessoas, principalmente crianças e adolescentes, não desenvolvem sintomas. É importante lembrar que quem teve dengue causada por um sorotipo ainda pode contrair os demais.

Há dois tipos de dengue, clássica e hemorrágica. Veja os sintomas mais comuns.

Dengue clássica:

  • Febre alta com início súbito (39°C a 40°C);
  • Perda de paladar e apetite;
  • Dor de cabeça forte;
  • Náuseas e vômitos;
  • Tontura;
  • Dor atrás dos olhos;
  • Dor intensa nos ossos, músculos e articulações;
  • Manchas avermelhadas (rash) e erupções na pele, em especial no tórax e nos membros superiores, que podem vir acompanhadas de coceira ou não;
  • Cansaço extremo.

Dengue hemorrágica:

As complicações da dengue hemorrágica surgem, em geral, entre o 3º e o 7º dia, e os sintomas mais característicos são:

  • Dores abdominais intensas e contínuas;
  • Manchas vermelhas na pele;
  • Palidez;
  • Sangramento pelo nariz, boca e gengivas;
  • Vômitos persistentes;
  • Alterações neurológicas (sonolência excessiva, agitação, irritabilidade, confusão mental, entre outras);
  • Dificuldade respiratória;
  • Queda da pressão arterial.

Esses casos são graves e exigem atenção médica imediata.

 

Zika

 

A zika é uma doença causada pelo Zika virus (ZIKAV), e é assintomática na maioria dos casos. Quando surgem sintomas, eles costumam ser:

  • Febre baixa, entre 37,5℃ e 38℃;
  • Dor muscular;
  • Dor de cabeça;
  • Dor atrás dos olhos;
  • Aumento dos gânglios linfáticos;
  • Dores musculares e nas articulações, em geral nas extremidades;
  • Erupção cutânea acompanhada de coceira intensa que pode tomar o rosto, o tronco, os membros e atingir a palma das mãos e a planta dos pés;
  • Fotofobia (sensibilidade à claridade intensa);
  • Conjuntivite (olhos vermelhos, inflamados, lacrimejantes e sem secreção purulenta);
  • Mal-estar e cansaço.

Mais raramente, podem surgir problemas neurológicos, como meningite, encefalite e síndrome de Guillain-Barré.

Mulheres grávidas devem redobrar os cuidados preventivos, pois há relação entre a infecção e malformações congênitas no feto, como microcefalia.

 

Chikungunya

 

Os sintomas da chikungunya, doença causada pelo vírus CHIKV, são muito semelhantes aos da dengue clássica. No entanto, na chikungunya a dor articular costuma ser mais intensa. Os principais sintomas são: 

  • Dor muscular (mialgia);
  • Dor de cabeça;
  • Febre alta e de início repentino;
  • Erupções na pele (exantemas), que podem vir acompanhadas de coceira;
  • Conjuntivite;
  • Dor intensa nas articulações (poliartrite), que podem surgir acompanhadas de inchaço nas regiões acometidas.

 

Diagnóstico e prevenção

 

O diagnóstico das arboviroses depende de uma avaliação clínica cuidadosa e de exames laboratoriais. Em geral, o médico avalia, também, se há casos frequentes na região.

Como essas arboviroses são transmitidas pelo Aedes aegypti, é preciso combater o mosquito por meio de ações que exigem políticas públicas, mas também de forma coletiva e individual. Você pode ajudar eliminando os criadouros do mosquito.

 Atenção para locais que juntam água parada:

  • Tampe as caixas d’água;
  • Não deixe água acumulada na laje;
  • Mantenha os lixos fechados;
  • Utilize areia nos vasos de plantas;
  • Coloque garrafas e outros recipientes de cabeça para baixo;
  • Deixe as lonas esticadas;
  • Retire a água dos pneus.

Além disso, se você mora em regiões em que há casos de arboviroses, é recomendado:

  • Vestir calças e blusas com mangas compridas;
  • Dormir sob mosquiteiros, em especial durante o dia, pois o mosquito costuma ser mais ativo durante esse período;
  • Dar preferência a locais com ar-condicionado ou que tenham telas nas portas e janelas;
  • Usar repelentes (importante: aplique o produto seguindo as instruções da embalagem. Se for usar protetor solar, aplique-o primeiro e só depois passe o repelente).

Em bebês:

  • Não use repelentes em crianças menores de 2 meses de idade;
  • Vista o bebê com roupas que cubram pernas e braços;
  • Cubra o berço, carrinho e “canguru” com mosquiteiro;
  • Não aplique repelente nas mãos, olhos e boca do bebê. Não use o produto nas áreas da pele que porventura estejam cortadas ou irritadas;
  • Passe o repelente nas suas mãos e então aplique o produto no rosto da criança.

No caso da zika, a OMS recomenda que gestantes que vivem em regiões de alta transmissão do vírus utilizem preservativo nas relações sexuais, pois o ZIKAV pode ser transmitido sexualmente.

 

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