Hebiatria

A importância do hebiatra, o médico dos adolescentes

A importância do hebiatra, o médico dos adolescentes

O hebiatra está preparado (mais do que um pediatra ou um clínico geral) para lidar com temas como puberdade, estirão de crescimento, maturação sexual e mudanças físicas típicas desse ciclo da vida.

 

Você já ouviu falar de médico hebiatra? Pois saiba que esse é o nome dado ao especialista que cuida de uma das fases  mais complexas da nossa vida: a adolescência. O hebiatra está preparado (mais do que um pediatra ou um clínico geral) para lidar com temas como puberdade, estirão de crescimento, maturação sexual e mudanças físicas típicas desse ciclo da vida, além de saber como tratar as transformações psicossociais comuns a essa faixa etária.

Hebe, a deusa grega da juventude, serviu de inspiração para o nome da especialidade, que existe desde 1974 — seu primeiro curso surgiu em São Paulo, na Faculdade de Medicina da USP, difundindo-se no Rio e em outras partes do país. Para receber o título de hebiatra, o médico precisa cursar dois anos de especialização em pediatria e mais dois de especialização em medicina do adolescente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a adolescência vai dos 10 aos 20 anos.

Embora os pais possam participar das consultas, seu protagonista é sempre o adolescente. Além disso, o paciente tem direito ao sigilo, à confidencialidade e à privacidade. “Deve-se reservar uma parte da consulta para o adolescente ficar sozinho com o médico, momento fundamental para que ele possa receber orientações sobre a puberdade e conversar sobre assuntos de seu interesse”, diz a hebiatra dra. Lígia Queiroz.

A médica hebiatra também alerta sobre o papel do exame físico. ” Ele é muito importante para a detecção de agravos, de doenças não identificadas pelo paciente e sua família, como por exemplo varicocele nos pacientes do sexo masculino, desvios de coluna e hipertensão arterial, entre outras. Apenas por meio do exame físico se é possível elaborar diagnósticos sobre o crescimento físico e o desenvolvimento puberal.”

 

Sexo e mudanças

 

Segundo Queiroz, as principais queixas dos adolescentes são: a preocupação com a estatura, peso e forma corporal (medo de não se desenvolver adequadamente); os temores de ser diferente dos amigos; acne; alterações menstruais (cólica menstrual – dismenorreia); problemas de coluna (como escoliose) associados ao estirão de crescimento; ginecomastia (crescimento transitório da glândula mamária no adolescente do sexo masculino); atraso puberal; sobrepeso e obesidade; e problemas alérgicos, como asma e rinite alérgica.

Ela explica que a adolescência é marcada por três perdas significativas: a do corpo infantil; a da identidade e papel infantis; e a do tratamento dado pelos pais na infância. Além desses lutos, que devem ser elaborados, os adolescentes reúnem algumas características típicas da faixa etária, como oscilações de humor, vivência temporal singular, tendência de se reunir em grupos, sensações de invulnerabilidade, onipotência e imortalidade, entre outras. Alguns adotam um comportamento de risco no que diz respeito à proteção durante as relações sexuais e à experimentação de drogas. E daí surgem as consequências nocivas, como mau rendimento escolar, excesso de tempo gasto no celular ou computador, instabilidade emocional etc.

Cabe ao hebiatra avaliar até que ponto os problemas são graves e devem ser analisados por outros especialistas. A sexualidade, em especial, deve ser tratada com naturalidade, e o especialista tem que se sentir à vontade para conversar sobre o assunto, já que, segundo Queiroz, os adolescentes sempre têm muitas dúvidas sobre sexo. “Eles querem saber mais informações sobre masturbação, a primeira relação sexual, a identidade sexual, as experiências homossexuais, a escolha do método contraceptivo, têm medo de sentir de dor, contrair doenças e engravidar.”

Para o médico hebiatra, a sexualidade faz parte do processo evolutivo da vida, e, em geral, dos 10 aos 13 anos, está mais voltada para a curiosidade em relação às transformações corporais; entre os 14 e os 16 anos surgem a curiosidade pelo novo e o interesse pelo outro; e entre os 17 e os 20, estabelece-se a identidade sexual com relacionamentos mais maduros.

“Identificar o momento em que o adolescente está em seu desenvolvimento sexual ajuda o médico de adolescentes a abordar as questões de prevenção de gravidez e DSTs e possivelmente a auxiliá-lo na tomada de decisões a respeito do início da atividade sexual, a entender a implicação psíquica dessa vivência em fases muito precoces da adolescência e a encorajá-lo a assumir as responsabilidades pelo cuidado com seu corpo em busca de um exercício sexual saudável e feliz”, conclui a hebiatra.

Sobre o autor: Juliana Conte

Juliana Conte é jornalista, repórter do Portal Drauzio Varella desde 2012. Interessa-se por questões relacionadas a manejo de dores, atividade física e alimentação saudável.

Leia mais