Drauzio

Vitiligo | Artigo



Métodos de tratamento do vitiligo incluem radiação ultravioleta, aplicações de cremes e até cirurgia. Leia mais no artigo do dr. Drauzio.

 

Vitiligo é a mais comum das despigmentações de pele: acomete 0,5% da população mundial. Em cerca de metade dos casos o distúrbio surge antes dos 20 anos de idade, mas pode acometer todas as faixas etárias. A prevalência entre mulheres e homens de qualquer etnia ou cor é a mesma.

Existem dois tipos de apresentação:

 

1. Vitiligo segmentar

Responde por 30% dos casos em crianças. As lesões se instalam de um só lado do corpo, rapidamente, mas entram em período de estabilidade. Têm bordos mais irregulares, cor heterogênea, e atingem principalmente a face. Não costumam estar associadas a doenças autoimunes.

 

2. Vitiligo não segmentar

É responsável por 80% a 90% dos casos. Sua instalação é mais tardia, e evolui de forma imprevisível, com surtos de reativação. As lesões, de cor homogênea e bordos bem definidos, espalham-se pelo corpo todo. Os pelos e cabelos são comprometidos nas fases mais avançadas. Caracteristicamente, áreas da pele submetidas a traumatismos, atritos ou pressões ficam sujeitas ao aparecimento de lesões novas. Está frequentemente associado a casos de enfermidades autoimunes na família (tireoidites, artrites reumatoides, lúpus, diabetes tipo 1, etc.).

Ao microscópio, as lesões se caracterizam pelo desaparecimento dos melanócitos, as células responsáveis pela produção de melanina, pigmento que dá cor à pele.

A causa mais provável envolve respostas autoimunes, através das quais anticorpos e as células do sistema de defesa atacam e destroem melanócitos.

 

Veja também: Leia um artigo do dr. Drauzio sobre dermatite atópica

 

Estresse oxidativo e distúrbios neurogênicos podem estar envolvidos. Alterações neurogênicas explicariam a despigmentação em áreas de atrito.

Casos de parentes precocemente grisalhos e história familiar de vitiligo são fatores de risco para desenvolvê-lo. Em descendentes de europeus, há alguns genes que tornariam seus portadores predispostos.

Alan Taïeb e Mauro Picardo, em revisão publicada na revista “The New England Journal of Medicine”, resumiram os principais métodos de tratamento já avaliados em ensaios clínicos:

 

1. Radiação ultravioleta

A aplicação de raios ultravioleta B (UVB) de banda estreita é o tratamento de escolha em casos de vitiligo não segmentar em crianças e adultos, desde que haja acesso a centros especializados.

O tratamento padrão empregado anteriormente era a fotoquimioterapia ou PUVA, realizado com a administração de uma droga fotossensibilizante (psoralen) seguida da aplicação de raios ultravioleta A.

Em 2007, foi publicado um estudo que comparou a eficácia dos UVB com a do PUVA, em adultos. Depois de 4 meses, o reaparecimento da pigmentação foi considerado satisfatório em 46% dos que receberam PUVA, contra 67% dos que foram tratados com UVB. No grupo que recebeu PUVA, houve mais vermelhidão nos locais das aplicações e náuseas depois da ingestão de psoralem.

É preciso disciplina para o tratamento com UVB: as aplicações são feitas em sessões que duram 5 a 10 minutos, duas vezes por semana, durante pelo menos 3 meses. A repigmentação máxima geralmente ocorre ao redor do nono mês.

 

2. Tratamento tópico

A aplicação de cremes contendo derivados da cortisona ou drogas pertencentes ao grupo dos inibidores da calcitonina pode ser eficaz em casos de vitiligo localizado.

Uma revisão de vários estudos demonstrou que a administração local de um corticosteroide, a betametasona, provocou 75% de repigmentação em 56% dos casos.

O tratamento tópico pode ser combinado à aplicação de UVB nos pacientes em que não houve resposta satisfatória depois de 3 meses com UVB, ou quando se pretende acelerar a resposta e reduzir a exposição à radiação UVB.

 

3. Cirurgia

Quando os demais tratamentos falham há possibilidade de pequenos transplantes de pele, transplantes de células da epiderme ou aplicação de enxertos de pele ultrafinos, procedimentos que só estão indicados em casos bem selecionados.

Sobre o autor: Drauzio Varella

Drauzio Varella é médico cancerologista e escritor. Foi um dos pioneiros no tratamento da aids no Brasil. Entre seus livros de maior sucesso estão Estação Carandiru, Por um Fio e O Médico Doente.