A sífilis é causada por uma bactéria e sua incidência cresce no Brasil e no mundo

 

Doença milenar, curável com poucas doses de penicilina, tinha tudo para ser eliminada da face da Terra. Sua incidência, entretanto, cresce no Brasil e no resto do mundo.

É causada pelo Treponema pallidum, bactéria que sobrevive por pouco tempo fora do corpo, limitação que restringe a transmissão ao contato direto com a lesão infectada. Pode ser adquirida por contato sexual, transfusão de sangue infectado ou por via transplacentária.

A evolução é dividida em quatro estágios: primária, secundária, latente e terciária.

 

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Na infecção primária, a bactéria penetra a mucosa e cai nas correntes linfática e sanguínea, em poucas horas. O período de incubação – que vai do contato ao aparecimento da lesão genital ulcerada, de bordos salientes, indolor – é de três a seis semanas, em média, mas pode variar entre dez e 90 dias.

A resposta imunológica é capaz de cicatrizar espontaneamente ou mesmo impedir o aparecimento da ferida genital, mas, em ambos os casos, é insuficiente para eliminar o treponema do organismo. Quatro a dez semanas contadas a partir da lesão primária, estará instalada a sífilis secundária, estágio em que a bactéria se multiplica e se dissemina por todos os órgãos.

As manifestações da fase secundária são variáveis: febre, dores musculares, ínguas e manchas avermelhadas, que não poupam a palma das mãos nem a planta dos pés nem as mucosas da orofaringe. Embora essas lesões contenham o treponema, as da boca são as mais contagiosas.

As manifestações da neurossífilis são múltiplas. As mais precoces podem surgir seis meses depois da infecção sob a forma de meningites, como resultado da inflamação provocada pelo treponema nos vasos sanguíneos que irrigam as meninges.

Pode ocorrer queda de cabelo, de sobrancelhas e de barba, em áreas circunscritas.

Na fase secundária, a produção de anticorpos atinge o pico. Sem tratamento, os sinais e os sintomas regridem, e a doença entra no estágio de latência que pode durar anos.

Cerca de um terço dos casos em latência evolui para a quarta fase, a terciária, enquanto os demais permanecem assintomáticos.

A sífilis terciária se caracteriza pelo acometimento do sistema cardiovascular (em 80% a 85% dos pacientes) e do sistema nervoso central (em 5% a 10%). Esses quadros são caracterizados por processos inflamatórios que evoluem no decorrer de meses ou anos.

Complicações cardiovasculares acontecem pelo menos dez anos depois da lesão primária. As mais frequentes são os aneurismas da aorta e as lesões de válvulas cardíacas.

As manifestações da neurossífilis são múltiplas. As mais precoces podem surgir seis meses depois da infecção sob a forma de meningites, como resultado da inflamação provocada pelo treponema nos vasos sanguíneos que irrigam as meninges.

As mais tardias envolvem a intimidade do sistema nervoso central, causando alterações da marcha, paresias, perdas de sensibilidade e o quadro conhecido pelos médicos antigos como “paresia geral dos insanos”, que evolui com perda de memória, alterações de personalidade e da fala, irritabilidade e sintomas psicóticos.

Como consequência da disseminação da doença, os casos congênitos aumentam ano a ano, no Brasil. Em 2008 nasceram 5.728 bebês infectados; em 2013 foram 13.705. Para 2016, o Ministério da Saúde espera mais de 16 mil.