Tosse pós-covid: quando procurar atendimento?

Saiba por que a tosse pode persistir após a infecção e quando é necessário buscar avaliação médica.

Maiara Ribeiro

Maiara Ribeiro é repórter do Portal Drauzio Varella desde 2018. Tem interesse em assuntos relacionados à saúde da criança, da mulher e do idoso.

Saiba porque a tosse pode persistir após a infecção e quando é necessário buscar avaliação médica.

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Publicado em: 5 de agosto de 2022

Revisado em: 8 de agosto de 2022

Saiba por que a tosse pode persistir após a infecção e quando é necessário buscar avaliação médica.

 

Sua tosse também está fazendo “mesversário”? O assunto virou meme na internet devido aos relatos de pacientes que pegaram covid-19 ou outra infecção respiratória e continuaram tossindo por muito tempo mesmo depois de recuperados.

A verdade é que a situação da pandemia melhorou muito após a chegada das vacinas, mas o número de pessoas infectadas com a covid-19 continua alto no Brasil. A diferença é que agora, com a imunização, a grande maioria dos casos é leve e pode ser tratada em casa.

Porém, isso não significa que a doença não possa causar sintomas desagradáveis que, em alguns casos, continuam por algum tempo mesmo após melhora do quadro. É o caso da tosse persistente.

 

Por que a tosse persiste depois da infecção?

Segundo Carlos Carvalho, pneumologista do Hcor e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), existem vários fatores que podem levar à tosse persistente após a infecção por covid-19. “O primeiro é por uma irritação ou inflamação direta do vírus nas vias respiratórias. Como a porta de entrada é por esse canal, ele pode se acomodar em uma via respiratória superior e causar uma irritação na região do nariz e dessas cavidades que há no osso do crânio, chamados seios nasais e paranasais. Essas células que compõem esse conjunto podem sofrer ação do vírus e inflamar”, explica.

Outra possibilidade é o vírus causar uma inflamação que leva a uma resposta crônica, como uma sinusite crônica, ou até causar sinusite bacteriana como complicação da infecção viral. O vírus pode ainda se acomodar nas células dos brônquios, causando uma bronquite, ou “caminhar” para brônquios mais finos, os chamados bronquíolos, e gerar a bronquiolite.

“Todas essas manifestações das vias respiratórias superiores (a região do nariz, seios paranasais, brônquios e bronquíolos), que podem ficar inflamadas, geram uma manifestação que é a tosse. Esse seria um efeito direto do vírus, que pode cronificar, ou um efeito indireto, favorecendo uma infecção bacteriana secundária”, afirma o médico.

Existe também o risco de a tosse se perpetuar porque começa a causar episódios de refluxo. “Para tossir, a pessoa enche o pulmão de ar, e assim ela pode aspirar ácido que esteja no suco gástrico. Essa aspiração causa o refluxo desse ácido para dentro do esôfago ou faz chegar até as vias aéreas superiores, podendo esse próprio ácido causar uma laringite, uma faringite, uma rouquidão. Esse, por exemplo, é um efeito secundário e indireto do vírus”, completa.

        Veja também: Tosse crônica | Entrevista

 

Quando procurar um médico

Normalmente, segundo o pneumologista, a tosse tende a se resolver nas primeiras três semanas, que é quando a inflamação costuma ceder.

“Excepcionalmente pode ocorrer alguma situação que tenda à cronificação, por exemplo, a bronquiolite ou a sinusite, que são casos agudos causados pelo vírus. Enquanto a pessoa não tratar a causa do problema, essa tosse vai continuar”, afirma.

A recomendação é buscar avaliação médica a partir da terceira semana, e assim evitar que o quadro se cronifique.

“Se for uma tosse persistente e que esteja atrapalhando a qualidade de vida da pessoa, é melhor ir ao médico a partir da segunda semana, obter o diagnóstico adequado e começar a tratar a causa do problema”, destaca o especialista.

        Veja também: Tosse pode indicar doenças crônicas e até câncer de pulmão

 

Tosse não deve ser inibida

Em geral, as recomendações em caso de tosse incluem beber bastante água e ingerir líquidos quentes, como chá de limão com mel. A hidratação é a principal medida, porque ela ajuda a eliminar o muco, facilitando o mecanismo da tosse.

Porém, é importante destacar que a tosse não deve ser inibida. Ela é um mecanismo de defesa do organismo, assim como a febre; logo, não devemos “bloquear” essa defesa.

“Inibir a tosse não é a melhor solução. É como ter febre e não procurar a causa e tomar antitérmicos, que fazem a febre abaixar e depois voltar. Se não tratar a causa, que pode ser uma infecção grave, você pode até piorar ela depois. Com a tosse, é a mesma coisa: se tomar um xarope, vai inibir a tosse, e inibindo a tosse, que é o seu mecanismo de defesa, você vai ficar desprotegido. A solução é encontrar a causa e tratar. Se a causa da tosse for algo banal, até mesmo sem o xarope ela vai se resolver”, explica o médico.

        Veja também: Tratamento da tosse

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