Covid-19: conheça os principais sintomas de cada variante

As variantes não tendem a modificar muito os sintomas da covid-19, mas o perfil da doença mudou depois da Ômicron.

Beatriz Zolin

Beatriz Zolin é estudante de Jornalismo e estagiária no Portal Drauzio Varella. Tem interesse por assuntos relacionados à saúde e sociedade, sexualidade e psicologia.

As variantes não tendem a modificar muito os sintomas da covid-19, mas o perfil da doença mudou depois da Ômicron.

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Publicado em: 3 de agosto de 2022

Revisado em: 3 de agosto de 2022

As variantes não tendem a modificar muito os sintomas da covid-19, mas o perfil da doença mudou depois da Ômicron.

 

Você já deve ter percebido que as queixas de perda de olfato e paladar diminuíram entre as pessoas infectadas pela covid-19. Tão comuns no início da pandemia, esses sintomas parecem ter sido substituídos pela dor de garganta.

E isso não é apenas uma impressão. Os sintomas realmente têm mudado, e essa transformação tem relação direta com as variantes. Mas será que é possível identificar a variante apenas pelos sintomas?

 

O que são variantes?

“As variantes surgem quando há mutações na cepa original, principalmente na proteína F, que é a responsável por permitir a entrada do vírus na célula humana”, explica o dr. Alberto Chebabo, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

Atualmente, existem mais de 1.000 variantes da covid-19. Elas são divididas em duas categorias:

  • Variantes de interesse: quando o vírus sofre mutações que podem levar a um aumento da capacidade de transmissão;
  • Variantes de preocupação: quando o vírus sofre mutações que permitem determinadas vantagens em relação às variantes anteriores, como aumento da capacidade de transmissão, doença mais grave ou escape imune. É o caso da Alfa, Beta, Gama, Delta e Ômicron.

“Cada mutação gera uma nova variante, mas elas tendem a desaparecer se não tiverem uma vantagem sobre a anterior. É por isso que, entre aquelas chamadas de variantes de preocupação, normalmente há uma substituição. Por exemplo, a Delta substituiu todas as outras e se tornou predominante. Agora é a Ômicron”, explica o dr. Alberto.

 

Ômicron: uma nova cara para a pandemia

No caso da Ômicron, há ainda as subvariantes. Elas são mutações que têm variações pequenas que não chegam a ser classificadas como variantes de preocupação, mas são capazes de suplantar umas às outras. São elas: BA.1, BA.2, BA.3, BA.4 e BA.5.

“Não existe, por exemplo, Delta 1, Delta 2, Delta 3. Existem várias subvariantes da Delta que não conseguiram suplantar a sua circulação. Essa é uma característica que só aconteceu com a Ômicron. Hoje, temos pouca circulação da BA.1, mas vários surtos causados pela BA.4 e BA.5 no mundo inteiro”, detalha o infectologista.

Outra transformação trazida pela Ômicron está relacionada à manifestação da covid-19. Segundo o dr. Alberto, é difícil avaliar os sintomas causados por cada variante, porque podem ocorrer misturas e reações diferentes em cada pessoa. Mas algumas queixas habituais no início da pandemia já não estão sendo apresentadas por quem se contaminou com a Ômicron.

“Entre as variantes anteriores [Alfa, Beta, Gama e Delta], as diferenças eram pouco marcantes. Com a Ômicron, a gente vê uma diminuição dos eventos de perda de olfato e paladar e um aumento de dor de garganta e sintomas respiratórios, como obstrução nasal e coriza”, afirma o presidente da SBI.

Veja também: Dez razões para não pegar a Ômicron | Artigo

 

Os sintomas de cada variante

De forma geral, os sintomas mais comuns da covid-19 são febre, tosse seca e cansaço. Podem ocorrer ainda perda de olfato e paladar, dor de cabeça, garganta inflamada, olhos vermelhos ou irritados, diarreia, entre outros. Nos casos mais graves, há dificuldade para respirar, confusão mental, dor no peito e perda de fala ou mobilidade.

Ainda que muito semelhantes, é possível identificar os sintomas de maior predominância em cada uma das cinco variantes de preocupação. A partir da chegada da Delta prevalecem os sintomas respiratórios, e a covid-19 fica mais parecida com uma gripe. Veja:

  • Alfa: perda ou alteração do olfato e do paladar, febre, tosse persistente, calafrios, perda de apetite e dor muscular;
  • Beta: febre, tosse, dor de garganta, falta de ar, diarreia, vômito, dor no corpo, cansaço e fadiga;
  • Gama: febre, tosse, dor de garganta, diarreia, vômito, dor no corpo, cansaço e fadiga;
  • Delta: febre, coriza, dor de cabeça, espirros, dor de garganta e tosse persistente;
  • Ômicron: cansaço extremo, dor no corpo, dor de cabeça, coriza, congestão nasal e dor de garganta.

 

A vacina protege contra todas elas?

Cada variante apresenta algum tipo de escape da imunidade adquirida pela infecção natural ou pela vacinação. Isso significa que elas podem causar infecções mesmo em pessoas vacinadas ou que já tiveram a doença, mas de forma muito mais leve e, em alguns casos, até assintomática.

“A vacina mantém uma alta taxa de proteção para casos mais complicados que exigem internação e possam resultar em óbito. Desde que os esquemas vacinais estejam corretos com todas as doses de reforço, a resposta contra o vírus continua eficiente”, ressalta o dr. Alberto.

As doses de reforço, inclusive, têm sido recomendadas para manter os níveis elevados de anticorpos no corpo, protegendo contra a Ômicron e outras cepas.

Segundo o infectologista, o monitoramento das cepas é importante para entender o comportamento da doença e prever qual será o futuro da pandemia: se teremos o surgimento de novas variantes ou se o vírus irá, enfim, estabilizar.

Veja também: O que podemos fazer para evitar que as variantes do coronavírus se espalhem? | Coluna

 

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