Atividade Física

Joelhos precisam estar alinhados durante exercícios para evitar a condromalácia

Mulher na academia fazendo leg press.

Para evitar a condromalácia, joelhos precisam estar alinhados, principalmente em exercícios como agachamento e leg press. Veja alguns cuidados na academia.

 

O joelho é a maior articulação do corpo humano e uma das mais sensíveis por conta da sua anatomia e porque sustentam boa parte do nosso peso corporal. Problemas na região são comuns, principalmente para quem pratica atividades físicas de muito impacto, como futebol, tênis, jiu-jitsu, ginástica olímpica, saltos, corridas de longa duração etc. Fatores como sobrepeso, sedentarismo e pequenas variações de alinhamento, como joelho varo (rótula voltada para fora) ou valgo (rótula para dentro), também contribuem para que problemas se desenvolvam.

 

Joelho varo e joelho valgo.

Joelho varo (esquerda) e joelho valgo (direita) são fatores de risco para a condromalácia patelar.

 

A condromalácia patelar (síndrome da dor patelo-femoral) é uma das queixas mais frequentes nos consultórios dos ortopedistas. Segundo a ortopedista Flávia de Santis Prada, do Hospital Sírio Libanês, quando dobramos ou esticamos o joelho, a rótula (ou patela) desliza em um movimento harmônico para cima e para baixo por meio de uma ranhura chamada tróclea. A superfície em que ocorre esse deslizamento é coberta por uma cartilagem, e quando o movimento não ocorre de maneira adequada (por excesso de exercícios, sobrepeso ou problemas estruturais, como joelhos desalinhados), essa cartilagem pode ficar enfraquecida e sofrer pequenas erosões ao longo do tempo. Aí se instala a condromalácia, que pode causar estalos, rangidos e dor. “O paciente pode começar a sentir desconforto para descer escadas, agachar e levantar depois de ficar muito tempo sentado. Mas nem sempre esses episódiomms são acompanhados de dor”, explica Prada.

 

Atenção na academia

 

Segundo a ortopedista, algum grau de degeneração da cartilagem é inevitável com o avançar da idade, mas certos comportamentos podem acelerar e intensificar esse desgaste. Fazer exercícios de forma errada na academia é um dos que mais contribui para esse problema, principalmente durante atividades que envolvem flexão de pernas.

Atualmente há uma busca estética por um quadríceps extremamente forte, como o da modelo fitness Gracyanne Barbosa. É comum observar indivíduos levantando mais de 100 quilos na leg press (aquele equipamento em que a pessoa sentada empurra o peso flexionando e esticando as pernas) ou fazendo inúmeros agachamentos. Está proibido fazer? Não. Mas é preciso parcimônia, principalmente se a pessoa tem algum desvio de eixo (joelhos pra dentro ou fora).

Outro exercício que causa impactos particularmente nessa articulação é o agachamento. Durante sua execução, é importante observar se os joelhos estão alinhados. De maneira geral, na hora de agachar eles devem estar “olhando para frente”. Se eles virarem para fora ou para dentro, com o passar do tempo problemas como a condromalácia podem aparecer. Fique atento ao modo como seu corpo responde a estímulos e consulte um educador físico. Quando o joelho vira para dentro ao agachar, por exemplo, pode ser um sinal de desequilíbrio da musculatura do quadril, glúteos e coxas. A partir daí, você pode fortalecer essas regiões para se exercitar sem se lesionar.

O ideal para quem tem desvios de joelho é fazer exercícios em isometria (sem movimento articular, como a prancha). Além disso, é de suma importância buscar equilíbrio dos grupos musculares exercitados (membros superiores e inferiores) para não provocar desalinhamento corporal”, reforça Prada.

 

Tratamento da condromalácia patelar exige fisioterapia

 

É importante ficar atento, porque uma vez que a cartilagem é lesionada, ocorre liberação de enzimas inflamatórias que podem erodir as articulações e estruturas locais como um todo, e há risco de o problema evoluir para uma artrose.

A boa notícia é que há tratamentos para cada fase de degeneração. “Se o indivíduo pratica alguma atividade esportiva de maneira frequente, é necessário interromper por um breve período, principalmente na fase inicial. Mas na academia, com a ajuda de um profissional de educação física, ele pode fazer pequenas atividades de fortalecimento, como caminhadas na esteira e usar o elíptico, além de fazer natação e bastante alongamento.”

Gelo, analgésicos e anti-inflamatórios podem ser utilizados para aliviar os sintomas, principalmente nas fases agudas, quando o joelho está inchado e o paciente sente dor e ardência.

A joelheira (modelo sem o furo na frente) é um importante coadjuvante ainda na fase inicial. Ela ajuda no encaixe adequado da rótula sobre o fêmur, promovendo melhor distribuição de cargas e, consequentemente, reduzindo a dor e o desgaste. 

A especialista explica ainda que é importante, na fase inicial, não manter o joelho flexionado por muito tempo. No trabalho, é importante levantar a cada hora para andar pequenas distâncias, fazer bastante alongamento e deixar a perna estendida sempre que possível.

Após esses cuidados, exercícios de reabilitação com fisioterapia são parte fundamental do tratamento, pois servem para fortalecer o quadríceps (músculo da coxa) e melhorar a estabilidade do joelho. Essa etapa funciona como uma espécie de “proteção da cartilagem” e pode retardar ou mesmo impedir a progressão da doença. Em alguns casos, é sugerido também que o indivíduo perca peso, a fim de diminuir o esforço exigido pela região.

Se a dor ainda persistir, além da reabilitação fisioterápica pode ser indicado fazer infiltração com ácido hialurônico para melhorar a lubrificação da área. Sua aplicação auxilia no “fortalecimento” da camada desse ácido que reveste naturalmente a cartilagem da rótula.

Quando o tratamento conservador não surte efeito, lança-se mão da cirurgia, que geralmente é feita por artroscopia, um método minimamente invasivo. Nessa cirurgia, removem-se fragmentos de cartilagem danificada e outros resíduos do joelho para promover uma espécie de limpeza da articulação. Dependendo de cada caso, outros procedimentos podem ser feitos na mesma cirurgia para conseguir maior eficácia.

Sobre o autor: Juliana Conte

Juliana Conte é jornalista, repórter do Portal Drauzio Varella desde 2012. Interessa-se por questões relacionadas a manejo de dores, atividade física e alimentação saudável.