Skincare na gravidez: quais produtos são seguros e quais devem ser evitados - Portal Drauzio Varella
Página Inicial
Dermatologia

Skincare na gravidez: quais produtos são seguros e quais devem ser evitados

Se você está tentando engravidar, alguns produtos de beleza devem sair da rotina desde já

Se você está tentando engravidar, alguns produtos de beleza devem sair da rotina desde já

Mudanças na pele fazem parte da gravidez. Por causa das alterações hormonais nesse período, muitas gestantes recorrem ao skincare após perceberem um aumento de acnes e oleosidade. O problema é que alguns dos produtos mais populares entre as mulheres são estritamente proibidos durante a gestação.

Produtos permitidos x produtos contraindicados

Além das acnes e da oleosidade, a pele da gestante fica mais sensível e pode apresentar melasmas e estrias. Para resolver esses problemas, os produtos liberados são:

  • ácido azelaico 15% ou 20%;
  • ácido glicólico e lático abaixo de 10%;
  • vitamina C e E; 
  • ácido hialurônico tópico (preenchimentos com ácido hialurônico são contraindicados); 
  • nicotinamida;
  • filtro solar.

Já os produtos proibidos, isto é, aqueles que podem provocar comprometimento do desenvolvimento fetal e até aborto espontâneo, são:

  • retinoides: retinol, tretinoína, adapaleno;
  • ácido salicílico em altas concentrações;
  • ácido glicólico em altas concentrações;
  • hidroquinona para clareamento;
  • peelings químicos agressivos;
  • teratogênicos graves: isotretinoína (vendida com o nome comercial de Roacutan), acitrerina, talidomida, misoprostol, metotrexato e varfarina;
  • antiinflamatórios (AINES): ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno. 

“O que acontece hoje é que há muitos produtos sem fiscalização, sem liberação da Anvisa e sem regulamentação. Acho que essa é a maior dificuldade, pois vejo no consultório não apenas gestantes, mas todo mundo comprando vitaminas e outros produtos porque viram na internet, no TikTok ou porque uma blogueira estava usando. Esse é o maior perigo, pois não se sabe se é algo seguro ou não. E na gestação, isso é muito real”, alerta Karoline Prado, médica ginecologista e obstetra de Joinville (SC).

Por que ter esse cuidado?

Todo produto que passamos na pele é absorvido e vai para a corrente sanguínea. A placenta, órgão que envolve o bebê, funciona como um filtro, mas também pode sofrer alterações. A depender da concentração, frequência e área exposta, os produtos de skincare durante a gravidez resultam em problemas renais, redução do líquido amniótico, restrição de crescimento e baixo peso nascer. Se for no início da gestação, a placenta pode até não se formar ou não se desenvolver bem.

“O que mais nos preocupa é o período entre a segunda e a oitava semana pós-concepção, momento em que ocorre a formação do cérebro, coração, face e membros. Muitas vezes, a paciente está tentando engravidar, não sabe que está grávida e continua utilizando esses produtos, principalmente o ácido retinoico. Durante a formação do bebê, principalmente entre essa janela, qualquer pequena interferência em uma via biológica pode impactar a formação de órgãos e sistemas”, destaca Paulo Zattar, médico geneticista, fellow em oncogenética pela Universidade de São Paulo (USP) e doutorando em reprodução humana pela mesma instituição.

Outros possíveis efeitos são malformação craniofacial, alteração cardíaca congênita, alterações no timo, deficiência auditiva, prematuridade e comprometimento do neurodesenvolvimento. 

Como cuidar da pele e do bebê?

A recomendação é que toda paciente que esteja tentando engravidar já adote alguns cuidados relacionados ao skincare. O básico, como os sabonetes de baixa fragrância, funciona. Se a paciente apresentar muita acne ou outros incômodos, o dermatologista deve ser incluído no pré-natal para indicar o tratamento mais seguro. Os especialistas ressaltam que a gravidez não é o momento de testar produtos ou substâncias diferentes.

“É raro a gestante apresentar uma quantidade excessiva de espinhas. Algumas têm mais incômodo no pico do segundo trimestre, diminuindo depois, e no terceiro trimestre pode retornar um pouco. Em geral, melhora bastante com um skincare utilizando ácido glicólico e ácido azelaico, sem a necessidade de substâncias muito potentes, justamente por conta dos hormônios da gravidez”, afirma a ginecologista.

Veja também: Por que as pessoas estão parando de usar protetor solar?

Compartilhe