Na maioria dos casos, vazamentos de monóxido de carbono são decorrentes de má instalação e falta de manutenção que podem levar à morte por asfixia.

 

As mortes de uma família brasileira no Chile e de outra em Santo André em meados de 2019 levantaram o debate sobre os riscos dos aquecedores a gás. Muitas casas e apartamentos no Brasil utilizam esse aparelhos para esquentar a água do chuveiro, mas é preciso atenção: a instalação deve ser feita por um profissional e é necessário seguir algumas recomendações para que não tragam riscos à saúde, incluindo o de morte.

O aquecedor a gás opera da seguinte forma: a água fria entre por uma serpentina que é aquecida por um queimador semelhante a uma boca de fogão, que funciona com gás natural ou gás GLP, o popular gás de cozinha. Essa combustão, quando não ocorre completamente, produz o monóxido de carbono (CO), que é expelido por uma chaminé ou tubulação que leve esse gás para fora da residência, de forma que seja dispersado no ar.

 

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O monóxido de carbono é o resultado dessa e de outras queimas de combustíveis fósseis ou orgânicos, como gasolina, carvão, diesel e gás natural. O cigarro também libera essa substância, mas sua quantidade não é suficiente para causar o envenenamento. O CO é inflamável e, apesar de tóxico, não tem cheiro, cor nem sabor, o que dificulta identificá-lo disperso no ambiente (como aconteceria se você entrasse em um cômodo com fumaça, por exemplo).

Uma vez inalado, o gás é absorvido pelos pulmões e atinge a corrente sanguínea. Sua ação mais perigosa ocorre na interação com a hemoglobina, proteína responsável por transportar o oxigênio para todos os tecidos do nosso corpo. Como o CO tem um potencial de ligação com a hemoglobina muito maior que o oxigênio, o monóxido “toma o lugar” do oxigênio e forma a carboxiemoglobina. Sem oxigênio, o organismo começa a sofrer asfixia. Tontura, vertigem, náusea e confusão mental são os primeiros sintomas da exposição ao CO. Quanto mais tempo exposto e maior a concentração da substância no organismo, maior o risco de complicações graves. Quando o nível na corrente sanguínea chega na casa dos 60%, pode haver pressão baixa, coma, insuficiência respiratória e alto risco de a óbito.

 

Quando realizar a manutenção de aquecedores a gás


Aquecedores a gás só podem ser instalados por profissionais da área. Em aquecedores instalados adequadamente e com manutenção regular, o risco de ocorrer vazamento do monóxido de carbono é muito baixo. Mas uma vez que a tubulação esteja danificada e não haja uma forma de dispersão, como janelas abertas, o monóxido pode permanecer no ambiente e afetar todas as pessoas no local.

A manutenção recomendada varia de acordo com cada fabricante, mas de 6 em 6 meses é um período seguro para garantir que não exista nenhum problema no aparelho. É recomendável também a instalação de um medidor de monóxido de carbono para detectar rapidamente qualquer falha.

Se você tiver aquecedor a gás e sentir algum sintoma, o ideal é abrir as janelas, fechar as válvulas do aparelho e acionar a manutenção, concessionária de gás e bombeiros. Não acenda as luzes, isqueiro nem ligue o fogão, pois como o CO é inflamável, pode haver uma explosão. Aguarde a chegada dos profissionais fora da residência.