A exposição solar desencadeia uma reação inflamatória no organismo do paciente com lúpus que pode afetar estruturas como articulações, cérebro e rins. Saiba como se proteger.

 

O lúpus é um doença inflamatória e crônica de origem autoimune cujos sintomas podem surgir em diversos órgãos de forma lenta e progressiva. Uma das recomendações cruciais dos reumatologistas aos pacientes é o cuidado em relação à exposição solar.

 

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Lúpus e exposição solar definitivamente não combinam. Cerca de 30% a 40% das pessoas que têm a doença apresentam maior sensibilidade aos raios ultravioletas que, muitas vezes, geram o surgimento de novas lesões na pele e crises de atividade do lúpus (o sol, nesse caso, funciona como gatilho).

Basta notar que quando o paciente fica exposto à luz solar por horas seguidas e sem proteção, sua pele fica avermelhada (no rosto, são visíveis lesões com o formato de asa de borboleta). Isso ocorre porque o sol promove uma reação imunológica no organismo que desencadeia os sintomas. “Orientamos que os pacientes com a doença sempre utilizem bloqueadores solares de fator no mínimo 30 quando saírem às ruas. Mesmo se o dia estiver nublado, é preciso usar o produto. O importante é impedir que surja o processo inflamatório. Quando a pele já está avermelhada e com certo prurido, é sinal de que a inflamação já começou”, destaca Eduardo Borba, professor doutor de reumatologia da USP.

 

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Mas atenção: a exposição solar desencadeia uma reação inflamatória que pode afetar não apenas a pele, mas estruturas como articulações, cérebro e rins. Dessa maneira, a exposição à luz do sol pode comprometer todos os órgãos envolvidos na doença. Quando a crise se instala, geralmente é necessário entrar com medicação, que na maioria das vezes é à base de corticoides. Como o uso dessa classe de medicamentos deve ser moderado, o ideal é prevenir.

 

Recomendações para pacientes de lúpus que irão se expor ao sol

 

O paciente com lúpus pode frequentar a praia, mas é necessário cuidado redobrado com o corpo. Veja as orientações do dr. Eduardo:

  • Sempre utilize bloqueadores solares com fator mínimo de proteção número 30. Reaplique a cada duas ou três horas, com antecedência de 15 a 30 minutos antes da exposição ao sol. Lembre que os raios UV são mais intensos entre 10 e 15 horas;
  • A dica é passar o equivalente a uma colher de chá de protetor no rosto e pescoço; uma colher de chá na parte da frente do tronco e a mesma medida na parte de trás; uma colher de chá em cada braço; uma colher de chá na parte da frente das coxas e pernas e a mesma medida na parte de trás;
  • O uso de óculos escuros, com 99% a 100% de proteção, ajuda a prevenir problemas na região dos olhos que podem afetar os portadores de lúpus. Não se esqueça de utilizar chapéus e roupas leves sempre que possível;
  • A prática de atividade física é muito importante para controlar e estabilizar a doença, além de fornecer resistência aos portadores.  Se você for adepto de caminhada ou corrida, saia cedo de casa. Evite exposição solar depois das dez da manhã.

 

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