Conheça os principais riscos dos benzodiazepínicos, medicamentos utilizados para tratar ansiedade, distúrbios do sono, entre outras condições na coluna de Mariana Varella.
Os benzodiazepínicos existem desde a década de 1960. Utilizados para tratar transtornos de ansiedade, distúrbios de sono e epilepsia, entre outras condições, essa classe de medicamentos está entre as mais vendidas no mundo todo.
De acordo com dados do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), entre 2014 e 2021 , os brasileiros consumiram mais de 345 mil caixas dos cinco benzodiazepínicos mais utilizados no país (alprazolam, bromazepam, clonazepam, diazepam e lorazepam).
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A Sociedade Brasileira de Psiquiatria (SBP) estima que um a cada dez adultos, a maioria mulheres com mais de 50 anos, recebem prescrições de benzodiazepínicos a cada ano, muitas vezes emitidas por clínicos gerais e médicos dos serviços de atenção primária à saúde que não são especializados em tratamentos psiquiátricos.
O 3º Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela População Brasileira (2017) entrevistou 17 mil pessoas entre 12 e 65 anos e mostrou que 1% dos brasileiros consumiu benzodiazepínicos de forma não prescrita ou diferente da recomendada na prescrição médica nos 30 dias anteriores à pesquisa.
O clonazepam, um dos medicamentos mais utilizados no país, é o campeão de vendas entre os benzodiazepínicos.
Efeitos adversos dos benzodiazepínicos
Esses medicamentos, conhecidos como ansiolíticos, atuam nos receptores GABA, neurotransmissores que inibem o sistema nervoso. Diferentemente dos antidepressivos, que levam semanas para fazer efeito, os benzodiazepínicos trazem melhora dos sintomas em poucos minutos, de forma segura, quando usados na dosagem indicada.
No entanto, quando utilizados por um longo período, a pessoa pode desenvolver tolerância ao medicamento em poucas semanas. Isso significa que a dose utilizada anteriormente passa a não provocar o mesmo efeito, o que leva o indivíduo a precisar aumentar a dose do medicamento para obter alívio dos sintomas.
Além disso, algumas drogas, como clonazepam e diazepam, permanecem muito tempo no organismo, gerando acúmulo da substância após alguns dias, o que pode potencializar seus efeitos.
Entre os efeitos adversos desses medicamentos estão sonolência excessiva, dificuldade de concentração, tontura e desequilíbrio, taquicardia, alterações de comportamento, entre outros.
Idosos podem apresentar problemas de memória significativos, portanto seu uso acima dos 60 anos deve ser restrito.
Ainda assim, os benzodiazepínicos são considerados drogas seguras e eficazes quando indicados e utilizados na dosagem correta e pelo tempo recomendado, que costuma ser de poucos dias.
Uso indiscriminado
O problema é que, apesar de sua venda requerer retenção de receita médica azul (B1), não é difícil obter o medicamento sem receita no país.
O resultado aparece nos consultórios e serviços de saúde: pessoas com dependência e dificuldade de parar de tomar esses medicamentos, muitas delas com síndrome de abstinência, que não é simples de tratar. Entre os sintomas de abstinência estão insônia, irritabilidade, sudorese, palpitação, agitação e, nos casos mais graves, convulsões e alucinações.
Para esses casos, é recomendado reduzir a dose da medicação aos poucos, com supervisão médica.
Os benzodiazepínicos representaram uma revolução no tratamento da ansiedade. Considerados seguros, esses medicamentos têm indicação específica, que deve ser observada com rigor.
Além disso, devem ser indicados por médicos com experiência no uso de psicotrópicos, pois podem causar tolerância e dependência, quando utilizados de forma incorreta e por tempo prolongado.
Chama a atenção o fato de que no Brasil, país que pune com penas rigorosas a venda de drogas ilícitas, haja tanta benevolência diante da venda indiscriminada de medicamentos que podem causar dependência.